Pesquisadora participa de filmagem sobre grupo de cultura e denuncia descaso público com a arte taperoaense

Publicado em terça-feira, agosto 2, 2011 ·


A estudante de ciências sociais e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFPB), Érika Catarina de Melo Alves, acompanhou às gravações de uma reportagem e de um documentário para a TV Itararé sobre o grupo de dança cultural mais antigo de Taperoá, As Cambindas Novas de Taperoá, que conta com 113 anos de sobrevivência.

As filmagens a respeito de uma das manifestações artísticas do município ocorreram na manhã do último sábado, 30. Érika e professores universitários seguiram o grupo que circulou por várias ruas da cidade e teve as danças e as músicas captadas pelas lentes da emissora campinense, afiliada no estado da Paraíba, da TV Cultura.

Após crianças e adultos fazerem também apresentações nos largos das igrejas de Nossa Senhora da Conceição e de São Sebastião, situadas no centro da cidade, e depois de caminharem pela região central da cidade atraindo olhares de milhares de pessoas, repórter e técnicos da TV iniciaram às entrevistas com dançarinos de As Cambindas, com o professor e antropólogo da UFCG, José Gabriel Corrêa, e com a pesquisadora da Fundação Pedro Américo, Celênia Souto.

O material gravado durante toda a manhã e em boa parte da tarde do sábado será exibido em dois momentos pela TV Itararé. O primeiro dele, a reportagem, será mostrado na programação jornalística no dia do folclore, em 22 de agosto, e a outra parte da filmagem, que trata de um documentário produzido especialmente para a televisão, com cerca de 40 minutos, será exibida no programa Diversidade.

Para Érika Catarina, que morou em Taperoá, o interesse por pesquisar a história do grupo cultural que sobrevive com muito sacrifício, amor e dedicação de seus membros, é mais que possibilitar reconhecimento do grupo para ele próprio e para a população em geral de seu valor, mas serve também para mostrar a importância de estimar o esforço de um povo para que sua arte, que chegou à quarta geração, continue resistindo às dificuldades e persistindo na batalha para que ela não decline.

“É muito importante a minha pesquisa porque ela trata de registrar um trabalho artístico muito valioso que não deve ser reconhecido apenas fora do município. O meu objetivo é fazer com que os membros do grupo As Cambindas se reconheça enquanto cultura perante a eles mesmos e diante da sociedade taperoaense”, destacou Érika, que aproveitou a ocasião para denunciar o abandono ao qual grupos culturais foram submetidos nesses últimos dez anos na cidade. A estudante disse que não se investe e não se valoriza a cultura popular no município e que nenhum tratamento digno é dado à As Cambindas pelas autoridades públicas.

O responsável atual por manter viva a tradição de passar de pai para filho o comando de As Cambindas, Ednaldo Levino Pereira, de 48 anos, não se intimida ao concordar com Érika sobre o abandono à cultura local por parte dos governantes.

‘Nego Nal’, como é carinhosamente conhecido, contou que já pensou várias vezes em acabar com o grupo devido às dificuldades como falta de dinheiro para compra de tecido para fazer a vestimenta dos integrantes e para a aquisição de passagem para fazer apresentações fora da cidade.

Ele que disse que já nasceu ouvindo o batuque do zabumba e dos maracás, instrumentos que embalam as danças de crianças e adultos do grupo, e denuncia que já faz pouco mais de uma década que obteve ajuda e que o governo atual está acabando com as manifestações artísticas. Segundo Ednaldo, um exemplo do desamparo à cultura local foi a administração ter acabado com a orquestra sinfônica Maestro José Fernandes.

O mestre de As Cambindas ressaltou, ainda, que já pediu ajuda à Prefeitura para contribuir com pelo menos lanches para cerca de 80 meninos e meninas, que segundo Ednaldo, tira das ruas e que ensaiam cinco dias por semana, mas que mesmo tendo tido a promessa do prefeito nenhuma comida foi enviada.

O trabalho de pesquisa com a As Cambindas Novas de Taperoá está sendo desenvolvido há dois anos por Érika Catarina que falou sobre as grandes dificuldades de obter informações por haver pouco registro da manifestação cultural secular. Não há nenhum registro sobre o grupo na biblioteca e nem nas secretarias de Cultura e Educação do município.

O resultado da análise rendeu dois artigos publicados em setembro de 2009 na RAM (Reunião de Antropologia do Mercosul), evento realizado em Buenos Aires, capital da Argentina, e um ano depois em um encontro de pesquisadores feito na UEPB (Univesidade Estadual da Paraíba). Na ocasião, o governo municipal negou colaborar com Érika na compra da passagem de cerca de R$ 1 mil para exposição do trabalho sobre o grupo centenário no país do tango.

Segundo a pesquisadora, o governo alegou não ter dinheiro para financiar a viagem, o que ela considerou à época estranho uma vez que montantes arrecadados pela Prefeitura através da cobrança do IPTU (Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana) todo final de ano podem servir para incentivos a projetos culturais, bem como outros tributos obtidos pelos governos.

Da reportagem e do documentário produzidos pela TV Itararé sobre As Cambindas serão feitas cópias que serão repassadas para Érika Catarina que pretende organizar uma amostra em breve na cidade para os membros do grupo e para a população em geral já que em Taperoá não há o sinal de transmissão da emissora.

Jandro Gomes para o Focando a Notícia


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