Pe. Manzotti chama de ‘feridas’, escândalos na Igreja, vê Espírito Santo mantendo religião viva

Publicado em sexta-feira, setembro 27, 2013 ·

manzottiO Padre Reginaldo Manzotti se apresentará em celebração nesta sexta-feira (27) no busto de Tamandaré, na Praia de Tambaú, em João Pessoa. Em entrevista concedida hoje no Programa Rádio Verdade de Adelton Alves, o padre fez algumas declarações pungentes.

 

Manzotti revelou que o Papa Francisco não é ‘fake’ (falso). A declaração argumenta que o Papa não é nenhum movimento fabricado pela Igreja para manter os fieis em suas fileiras.“O Papa não é fake não, ele é tudo aquilo mesmo. Ele não é de nenhuma corrente, mas é o Espírito Santo atuando em toda a Igreja esse novo jeito de ser Igreja”, informou o padre.

 

O padre admitiu que existem escândalos na Igreja, como casos de pedofilia, que tratou como feridas da Instituição, e apontou, que apesar de tudo, a manutenção da religião católica viva demonstra uma atuação do Espírito Santo na Instituição.

 

“Vamos ser sinceros. Existe. Não vamos dizer que a Igreja não tem feridas. Infelizmente temos que lidar com as nossas feridas. Casos de pedofilia, outros casos. Existe. Porém, quando a gente vê a Igreja se reerguer, é sinal que o Espírito Santo mantém. Eu te digo de verdade. Eu não apostaria minha vida se não tivesse fé na Igreja. Eu estou apostando a minha vida. Enquanto muitos dizem, ‘ah eu aposto a minha fé’. Eu estou entregando a minha vida para Deus, porque eu creio nessa Igreja. O Espírito Santo é que a sustenta”, garantiu.

 

A celebração desta sexta acontece em comemoração aos 100 anos da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes. “Quero agradecer ao arcebispo Dom Aldo Pagotto, ao padre José Regivaldo (da paróquia N.S. de Lourdes) e ao prefeito Luciano Cartaxo (PT) que foi o bem feitor dessa festa de celebração”, ressaltou o padre.

 

Com 42 anos de idade o padre se colocou dentro do movimento carismático católico e garantiu que suas celebrações são uma forma nova de fazer evangelização.

 

Confira abaixo a entrevista na íntegra do padre Manzotti:

 

O que fez tantos padres jovens entrarem na Igreja e trazer essa mudança na forma da Igreja?

Manzotti – Essa mudança começou no milênio João Paulo II. Ele foi o grande mentor disso, dizendo que é necessário mudar a forma de evangelizar. Eu era recém ordenado padre e percebi: ‘Meu deus, eu preciso mudar, como eu vou levar meu sacerdócio. Uma coisa é você ficar dentro da Igreja, ficar dizendo vem povo de Deus. Primeiro que não cabe. Segundo que é um calor tremendo. Terceiro o povo tem um pouco… de preconceito em ir na Igreja… Eu pensei que pescar no aquário é covardia. Igual você perguntar: você é pescador? Sou. Pesca onde? No pesque pague. É muita covardia. Porque chega na sexta-feira o dono do pesque pague corta a ração e os peixes ficam doidinhos para serem pescados. Às vezes a Igreja fica assim, querendo pescar no aquário.

 

O senhor acha que a igreja deveria sair mais e ir ao encontro das pessoas.

Manzotti – Sem dúvida, isso eu estou fazendo há 10 anos. Desde o ano 2000. Fazendo esse trabalho de evangelização, que é no rádio, na TV. Chamam (o que eu faço) de show. Eu prefiro chamar de evangelização.

 

O senhor celebra missa, normalmente como qualquer outro padre?

Manzotti – Opa! Todo dia. Se eu estou em casa, todo dia, meio dia… Eu sou de missa diária. Eu sou padre dos antigos, que reza missa. Reza o terço. Porque veja bem, show não sustenta sacerdócio não. Eu tenho certeza que esses grandes eventos são sig-marcativos, mas a pessoa tem que se comprometer na comunidade. Não adianta nada pensar que é só ir para praia, é depois voltar para a sua comunidade, ser dinzimista na sua comunidade, ser de missa dominical. Não adianta nada: ‘ah eu escuto padre Reginaldo, mas nunca pisei numa igreja’. São Pedro não vai gostar disso, no céu não vai ter lugar não. É o comprometimento diário, quem salva é a caridade.

 

As suas missas são celebradas onde?

Manzotti -São celebradas no santuário de Guadalupe, em Curitiba. Eu resido em Curitiba.

 

O senhor é paranaense?

 

Manzotti -Com a graça de Deus, e Palmeirense.

 

 

O senhor é palmeirense?

Manzotti -Com a graça de Deus.

 

O Palmeiras está bem na segunda divisão?

Manzotti -Tá bem, né. Fazer o quê?! Mas está melhor.

 

Porque o senhor resolveu torcer por um time de São Paulo?

Manzotti -Porque meus país são de Itápoles. Minha família era descendente toda de São Paulo.

 

O senhor tem tempo nas horas vagas para bater uma bolinha?

Manzotti -Eu jogava bola aí eu estourei os dois meniscos do joelho. Eu era um bom rapaz de bola, agora eu estou no time de Jesus.

 

Tem um movimento na Igreja que é muito forte. O senhor é do movimento carismático?

Manzotti -Eu sou católico, apostólico romano.

 

Não faz parte do movimento?

Manzotti – Eu sou adepto. É claro que eu sou da renovação carismática. Só que eu digo que a gente tem que cuidar que Deus não gosta de rótulo. Toda vez que eu rotulo uma pessoa eu sou preconceituoso no rótulo. Eu sou católico. Minha espiritualidade é da renovação carismática. Eu gosto muito de distinguir porque parecem igrejas separadas. E não é. São todas a mesma igreja.

 

O que muita gente fala é que a Igreja Carismática surgiu para segurar o êxodo dos fieis para as igrejas evangélicas…

Manzotti – Não diria que é só isso. Acredito que é também isso. A renovação carismática trouxe para o Brasil alguns dados importantes, como por exemplo, essa alegria, esse lado extrovertido, esse lado mais dinâmico da Igreja. Esse é um legado que a renovação carismática deixou. Mas lembremos que a renovação carismática católica é um movimento dentro da Igreja, então sem dúvida que esse novo jeito de ser igreja… mas isso institucionalmente…olha o Papa Francisco. Papa Francisco ele está cativando por quê? Pela simplicidade, pela humildade. Eu estive com ele no Rio de Janeiro e ele é tudo aquilo.

 

Ele é tudo aquilo que passou mesmo?

Manzotti – É. Ele não é fake não, ele é tudo aquilo mesmo. Ele não é de nenhuma corrente, mas é o Espírito Santo atuando em toda a Igreja esse novo jeito de ser igreja.

 

O senhor concorda que a Igreja precisava de um Papa que tivesse esse perfil que ele tem, que se aproximasse mais das pessoas. Porque parece que a igreja estava muito fechada em si, né?

Manzotti – Por isso que existe Espírito Santo, por isso quando ouço escândalos da Igreja. E vamos ser sinceros. Existe. Não vamos dizer que a Igreja não tem feridas. Infelizmente temos que lidar com as nossas feridas. Casos de pedofilia, outros casos. Existe. Porém, quando a gente vê a Igreja se reerguer, é sinal que o Espírito Santo mantém. Eu te digo de verdade. Eu não apostaria minha vida se não tivesse fé na Igreja. Eu estou apostando a minha vida. Enquanto muitos dizem, ah eu aposto a minha fé. Eu estou entregando a minha vida para Deus, porque eu creio nessa Igreja. O Espírito Santo é que a sustenta.

Paulo Dantas

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