Para Amaury Ribeiro Jr., CPI da Privataria fará livro “ficar pequeno”

Publicado em quinta-feira, dezembro 22, 2011 ·

Tratado como celebridade em lançamento de livro com acusações contra lideranças tucanas, jornalista defende Protógenes como relator da CPI

Ativista pede "CPI Já" no centro de São Paulo, próximo ao local onde ocorreu o debate sobre o livro "A Privataria Tucana" (Foto: © Gerardo Lazzari)
Ativista pede "CPI Já" no centro de São Paulo, próximo ao local onde ocorreu o debate sobre o livro "A Privataria Tucana" (Foto: © Gerardo Lazzari)

São Paulo – O jornalista e autor do livro “A Privataria Tucana” Amaury Ribeiro Júnior disse, no início da noite da quarta-feira (21), que acredita que o PSDB irá reagir caso a Câmara Federal instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O pedido de investigação foi protocolado com 206 assinaturas para apurar as informações contidas no livro.


Recebido como celebridade, entre pedidos de  fotografia de celular e de dedicatória no livro, Amaury afirmou viver um dos períodos mais emocionantes de sua vida. Ele participou de lançamento do livro na região central da capital paulista.


O evento aconteceu no dia em que o deputado federal Delegado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) protocolou pedido de CPI da Privataria. Cerca de 400 pessoas compareceram ao local, número bastante superior à expectativa dos organizadores, em função do fim de ano.
“Calculamos mal”, admitiu Altamiro Borges, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. “Assim como a Geração Editorial, subestimamos o interesse sobre o tema.”


A alusão foi ao fato de a tiragem inicial de 15 mil exemplares ter sido vendida no primeiro fim de semana. Outros 30 mil exemplares foram rodados para atender à demanda, segundo informações da Geração Editorial. Para o evento, um auditório para 250 expectadores havia sido reservado, mas foi necessário exibir o debate em um telão para um segundo auditório, além da transmissão via internet.
O debate foi mediado por Renata Mielli, do Barão de Itararé, e pela jornalista Maria Inês Nassif, da agência Carta Maior.


O livro traz documentos e informações contra o ex-caixa de campanha do PSDB e ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil na década de 1990 Ricardo Sérgio, apontado como “artesão” dos consórcios de privatização em troca de propinas. Outro citado é o ex-governador paulista José Serra (PSDB), que tem familiares apontados como agentes de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos na venda de estatais.

Nocaute

“Quando peguei a ‘Veja’ desta semana e vi que não tinha nada (risos)… Percebi que demos um nocaute na grande imprensa, na blindagem que têm os tucanos”, disse Amaury Ribeiro Júnior. A maior parte dos veículos ligados aos maiores conglomerados de comunicação do país deixou o livro de lado, ou restringiram-se a dar a versão dos acusados no livro.
“Depois de um ano de tentativas de me atacar, senti o nocaute, porque eles não responderam”, disse. “Nunca pensei que a gente conseguiria fazer isso. É um trabalho que, se não fosse a blogosfera e as redes sociais… Eu não conhecia nada disso. Eles (blogueiros) se articularam”, completou.
Ele afirmou ainda que acredita que “Serra vai se levantar”. “Uma das características do PSDB é ter uma conexão muito forte com Polícia Federal e o Ministério Público Federal”, afirmou.
A iniciativa dos tucanos, segundo o jornalista, será voltada a tentar desqualificar os autores da denúncia, como fizeram com o próprio Amaury Ribeiro Júnior e com Protógenes Queiroz. “Tentam transformar réu em herói e quem investiga em réu.”
O jornalista diz sentir-se orgulhoso por mostrar que as operações de lavagem de dinheiro descritas no livro são simplórias. “É diferente de fazer o povo entender corrupção quando se acha o cofre da Lunus (caso em 2001 que envolvia a governadora do Maranhão Roseane Sarney), que dava imagem (de pilhas de dinheiro)”, disse. No caso de desvios mencionados no livro, ele afirma que são “operações que pareciam sofisticadas, mas o livro consegue mostrar que não”.

Relator

Sobre a CPI da Privataria, Ribeiro Júnior defendeu que, ao ser instalada, a relatoria fique a cargo de Protógenes Queiroz. “A CPI caiu na mão certa porque Protógenes é um dos maiores especialistas em inteligência financeira”, elogiou.
“Se CPI for aberta, vou avisar que o que está no livro é pequeno. Vai chegar à sociedade a forma como a editora de uma grande revista e veículos de comunicação tiveram dívidas perdoadas depois da privatização”, adiantou.
O deputado e autor do pedido da CPI, Delegado Protógenes Queiroz, e o jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim, também participaram do debate.









Anselmo Massad
Da Rede Brasil
Focando a Notícia

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