Padres e pastores participarão da Parada do Orgulho LGBT

Publicado em terça-feira, junho 21, 2011 ·

A Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) nasceu em 1996 como reunião de protesto. Com o passar dos anos, ganhou contornos de festa a céu aberto, embora não tenha abandonado seu caráter de combate ao preconceito. No evento deste ano, marcado para domingo (26), um grupo de 200 pessoas se destacará entre os cerca de três milhões de participantes que percorrerão os 2,8 quilômetros de extensão da avenida Paulista: padres e pastores que lutam contra a homofobia.

Istoé

  Metodista, o seminarista Cesar Barbato, 22 anos, sente o preconceito na pele e só frequenta grandes templos evangélicos para que sua homossexualidade passe despercebida no meio dos fiéis.

A recente batalha travada entre religião e direitos humanos em torno da lei da criminalização da homofobia – ainda não aprovada – inspirou a entidade ecumênica Koinonia a organizar uma caminhada ecumênica composta por pastores, padres, mães e pais de santo, seminaristas e leigos católicos e evangélicos alinhados ao discurso anti-homofóbico.

“É importante dar visibilidade para um outro discurso religioso vivenciado em igrejas que enxergam de modo diferente a questão da diversidade sexual”, afirma o teólogo André Musskopf, pesquisador na área de gênero e sexualidade. Essa diversidade é recorrente na Paróquia da Santíssima Trindade da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, no centro de São Paulo. Ali, desde que o pernambucano Arthur Cavalcante assumiu como pároco, em 2005, a comunidade gay comunga, recebe o batismo e participa dos trabalhos em harmonia com antigos fiéis heterossexuais. “Foi difícil tratar da diversidade sexual, falando para casais protestantes de 50 anos, com todo o peso religioso e a história cultural já vigentes”, conta ele, 38 anos, um dos presentes ao evento do dia 26.

Foto: Istoé
Na paróquia do anglicano Arthur Cavalcante, os homossexuais comungam e recebem o batismo.


A homossexualidade é um tema espinhoso no mundo cristão. O paulista César Barbato, filho de membros da Assembleia de Deus, viveu isso em casa quando se assumiu gay. “Meu pai diz que me ama, mas não concorda”, diz. O jovem de 22 anos cursa o terceiro ano do seminário metodista e, nas igrejas que frequenta, procura não criar vínculos com os fiéis para que não desconfiem e critiquem a sua orientação sexual.

Foto: Istoé
Para o padre católico James Alison, a proporção de gays no clero é maior do que na sociedade.

No clero católico, segundo o padre inglês James Alison, 51 anos, que mora no Brasil, impera o que ele chama de don’t ask (não pergunte), don’t tell (não conte). Calar-se, porém, não foi a atitude adotada por ele, que revelou ser gay mesmo exercendo o sacerdócio em uma denominação que condena a homossexualidade e impõe o celibato. “A proporção de gays no clero é muitíssimo maior do que os 4% presentes na sociedade”, diz ele, que, entre outros afazeres, corre o mundo dando palestras em retiros para padres gays.

Católico, heterossexual e presente na Parada

Segundo o sociólogo Cláudio Monteiro, da coordenação da pastoral da Aids da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), as igrejas refletem o que acontece na sociedade e é uma questão de tempo para que a religião reveja seus paradigmas em relação à homossexualidade. Católico e heterossexual, ele fará coro para isso na avenida Paulista.

Da redação, com Istoé

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