PADRE BOSCO – Secas no Nordeste

Publicado em quinta-feira, junho 4, 2015 ·


padre boscoAs chuvas caíram um pouco, em junho e julho de 2015, já fora de época, em nosso litoral e brejo, mas o sertão da Paraíba continuou com poucas chuvas. Os reservatórios do nosso estado estão em precaríssimas condições: apenas três estão em plena capacidade, Mari, Mamanguape e Araçagi. Dispomos de pouca água armazenada no estado. Em muitas cidades a Cagepa deixou de existir, uma vez que a agua não chega mais às residências das famílias.
A água vai se tornando cada vez mais escassa pelo mundo. De região para região se tem um cenário diferente. O problema não é a total falta de chuva. É verdade que tem diminuído o tempo chuvoso. A situação reside na falta de providencias de nossos governos para armazenagem das águas.
Vale também salientar que depois das aguas saneadas e presentes nas torneiras as pessoas se esqueceram da necessidade de economizar o liquido precioso: fala-se que a água será o petróleo do futuro. No momento as pessoas ainda gastam como se ela a agua fosse abundante: lavam carro, calçadas, deixam torneiras abertas…. se forem questionadas ainda perguntam quem paga a conta.
São Paulo é um exemplo típico da autossuficiência dos gestores. Pensaram que bastaria ter riquezas, indústrias, ser o centro do poder econômico do país. Nessa lógica, não perceberam a importância do investimento nas águas.
O nordeste tem alimentado uma esperança que não é real desde que se começou a discutir a transposição do Rio São Francisco, um projeto que se prolonga por anos. A agua é cada vez mais pouca no velho Chico, enquanto aumentam os gastos do projeto para a transposição.
Já é do nosso conhecimento que a região nordeste será sempre carente com a falta das chuvas. Em regiões secas, não se combate à seca, mas se busca alternativas para conviver com ela. Essas alternativas não são importantes e nem incentivadas pelo poder publico uma vez que com elas se perderia a indústria da seca. Na realidade não se tem ideia daquilo que se gasta do dinheiro público que não chega à reta final para que as comunidades carentes sejam assistidas através da água.
A comunidade como um todo como também os governantes devem buscar caminhos alternativos: investir em depósitos de médio porte para que se possa investir na manutenção das aguas para se evitar as contradições vividas em alguns dos nossos municípios que abastecem outras cidades e permanecem sem agua saneada na sede dos municípios. O nordeste já conviveu com grandes secas: 1877 a 1879; 1915; 1932. Podem consultar, para aprofundar esses dados:  http://www.museudeimagens.com.br/grande-seca-do-nordeste.
Ultimamente se tem construído inúmeras cisternas de placas nas comunidades afastadas e, muitas vezes, na residência de cada família. Esses depósitos são abastecidos com a chuva quando chega e também com os carros pipa que alimentam a indústria da seca.
Em todo caso, a busca de alternativas é fundamental para que se conviva com o semiárido.

pebosco@gmail.com

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