PADRE BOSCO – População negra na Paraíba

Publicado em quinta-feira, junho 4, 2015 ·

padre boscoDia 03 de julho de 2015, aconteceu uma Audiência Publica em João Pessoa, na FECOMÉRCIO, convocada pela CPI da Câmara dos Deputados, Brasília. A CPI tem a finalidade de ouvir nos estados as situações de violência contra jovens pobres e negros.
Na Paraíba é altíssimo o índice de morte. Foi dito que para cada 14 assassinatos 13 são negros. Outro dado preocupante: também foi dito que 58,39 por centro da população do estado se declara de cor negra; isso significa que essa população está sendo exterminada.
Sempre ouvi dizer que a juventude é o futuro do país. Nos anos 80, a metade da população do nosso país era jovem e hoje é idosa. É que os jovens não chegam mais à idade adulta, simplesmente desaparecem e aparecem mortos.
Participaram da CPI: Reginaldo Lopes (presidente), Rosângela Gomes (relatora), além do Delegado Edson Moreira, Damião Feliciano e Wilson Filho.
A mesa de abertura foi muito controvertida. Uma comissão que se propõe a averiguar o extermínio de jovens negros, em ambiente com muitos jovens assim identificados, não poderia chegar para defender a redução da maior idade penal. Ninguém entendeu a finalidade daquela defesa sobre a redução e, por isso três membros da comissão que adotaram essa postura, foram vaiados no plenário. Enquanto a CPI investiga não pode defender a mesma prática.

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A dinâmica adotada foi interessante: enquanto falava um membro da mesa, falava também uma pessoa da sociedade civil trazendo as demandas relacionadas à sua realidade.
A participação de jovens de cor negra foi de fundamental importância para explicitar a realidade de violência e de discriminação, inclusive religiosa, por ser de matriz africana, a que são submetidas essas pessoas, uma vez que a pessoa negra é sempre suspeita e ridicularizada até oficialmente nas redes sociais.
Ainda vale salientar que a pessoa negra é objeto de muitas piadas que agridem a moral e a dignidade do ser humano. Quem de nós não ouviu aquela expressão: “é um negro de alma branca”?
Se a CPI não servir para muita coisa, ate porque daqueles que vieram para reafirmar a redução da idade penal não se pode esperar algo bom, ela já serviu para que os agredidos historicamente pudessem fazer uso da palavra, deixando claro para todos os presentes que:
Os nossos jovens negros são assassinados; são perseguidos; superlotam as prisões; são tratados como se fossem de outra raça e de outra classe social; que nossa população paraibana é preponderantemente de cor negra; que nosso estado é extremamente racista; que no nosso país e no nosso estado ainda não temos uma identidade enquanto nação pelo fato de alimentarmos claramente a desigualdade em todos os âmbitos: quem é do bem e do mal; rico e pobre; branco e negro; patrão e empregado. Somos uma grande nação, é verdade, mas completamente fragmentada a partir de interesses sociais, econômicos e culturais. 

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