Padre Bosco – Missão das Pastorais Carcerárias

Publicado em quinta-feira, agosto 4, 2011 ·

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Ao longo dos anos em que a pastoral carcerária vem atuando neste este estado, vamos acumulando inúmeras experiências. Vivemos momentos em que o estado, através de seus gestores, fecha a porta para a pastoral, pensando, ingenuamente que nos esconde a realidade do cárcere. Na verdade, não há como escondê-la. Já convivemos com situações em que antes que o estado soubesse de fatos relacionados ao sistema, a pastoral já estava informada.

Há bem da verdade, o estado deve aprender que a parceria com a sociedade civil e as igrejas será sempre um bem e um suporte para a vida carcerária e não o contrario. Já convivemos com todo tipo de secretario: dos mais ignorantes aos mais finos. Todos passam. Já assistimos de tudo em relação ao sistema prisional. Havia um secretario que dizia: “vocês não sabem de nada.” Como ele se enganava! Sabíamos também que tínhamos conhecimento quando o mesmo faltava com a verdade.

As pastorais são compostas por pessoas voluntarias que em nome da fé e de suas igrejas vão prestar a assistência prevista na lei. Dependendo da conjuntura, algumas unidades prisionais se sentem incomodadas com as nossas visitas, como se tivéssemos pedindo favor, quando, na realidade, estamos cumprindo uma obrigação legal da LEP.

Qual é a função das pastorais. Todas elas levam consigo um fundamento comum que vem da palavra do próprio Jesus: “Eu estava preso e vocês foram me visitar”. Esta citação faz parte do texto sobre o juízo final em Mateus 25. Para além desta fundamentação o que se torna diferente é o método trabalhado por cada igreja. Mas, o ponto de partida que jamais pode ser negado é a visita. Ela é a atividade mais importante para quem se encontra em uma prisão sem a visita da família.

É importante salientar que estamos visitando pessoas e não almas. Ninguém salva almas, mas vidas. Jesus não disse que veio para que as almas tivessem vidas, mas para que todos (as) tenham vida. Portanto, a visita é para um atendimento espiritual a pessoas reclusas. Portanto, é necessário identificar em que situação se encontram esses homens e mulheres para que se dê a assistência religiosa. É necessário compreender que a pessoa humana é um todo. Afinal de contas, o pensamento bíblico semítico não se coaduna com o dualismo grego que nós adotamos em nosso dia a dia.

Para quem está doente, com dores, com febre, não podemos apenas dizer: vamos rezar e entregar a Deus o seu sofrimento e tudo vai ficar bem. O que devemos fazer é rezar e buscar os meios para atender e obter os cuidados necessários para que ele possa viver com dignidade. O sistema precisa ter esta compreensão a respeito da assistência religiosa.

A religião de Jesus tinha o cuidado e a preocupação com a pessoa em todas as suas dimensões. Do mesmo modo, a nossa concepção religiosa só será cristã, se procurar se orientar pela pratica de Jesus. Toda a atenção de Jesus estava voltada para a pessoa no seu todo, valorizando-a e reintegrando-a ao convívio social. Não lhe interessava o seu passado, mas a sua disposição em seguir um caminho novo. Esta deve ser a meta a ser implantada não só pelas pastorais, mas também pelo estado com todos os seus serviços de ressocialização de quem se encontra na prisão.

Pe. Bosco

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