Organizadora do protesto ‘Não mereço ser estuprada’ é ameaçada de estupro

Publicado em sábado, março 29, 2014 ·

estuproA organizadora do protesto “Não mereço ser estuprada”, que movimentou o Facebook nesta sexta-feira, sofreu ameaças de estupro em mensagens enviadas pela internet. Nana Queiroz fez a denúncia numa mensagem publicada em seu perfil na manhã deste sábado.

“Amanheci de uma noite conturbada. Acreditei na pesquisa do Ipea e experimentei na pele sua fúria. Homens me escreveram ameaçando me estuprar se me encontrassem na rua, mulheres escreveram desejando que eu fosse estuprada”, escreveu a jornalista.

Nana organizou o protesto virtual “Eu não mereço ser estuprada” nesta sexta-feira, no Facebook. A manifestação é uma resposta aos dados revelados por uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que indicou que 65% dos 3.810 entrevistados concordam, total ou parcialmente, com a ideia de que mulheres que deixam o corpo à mostra merecem ser atacadas.

Na mensagem deste sábado, ela cita a imagem enviada por Daiara Figueroa, uma das participantes do protesto (reproduzida ao lado). Daiara conta como foi a traumática experiência do estupro que sofreu aos 15 anos e o longo e doloroso processo para superar esse trauma. Esse caminho, incluiu um debate sobre o tema para crianças de 10 a 13 anos, no Dia Internacional da Mulher.

“Conversando sobre as estatísticas muitas crianças se abriram e contaram a história de suas famílias. alguns eram casos de terror. uma delas tinha procurado ajuda quando o pai espancava a mãe; outra tinha uma prima que foi estuprada e morta; outra tinha sido vítima de tentativa de sequestro (e o sequestro feminino geralmente inclui o estupro no pacote)… outras alunas choravam em silêncio na sala, dando a entender as violências que assistiram ou passaram mas não tinham coragem de contar”, escreveu Daiara. A íntegra do texto pode ser lida neste link.

A pesquisa

Realizada entre maio e junho de 2013, a pesquisa ainda revela que 58,5% concordaram, total ou parcialmente, que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”. Os dados aparecem no estudo “Tolerância social à violência contra as mulheres”, realizado pelo Sistema de Indicadores de Percepção Social. Apesar da maior parte dos entrevistados serem mulheres, Nana acredita que é um erro rotular as mulheres como “machistas”.

– Elas não podem ser machistas, pois são as oprimidas da história. Elas apenas repetem o discurso do opressor, que ouviram a vida inteira. Essas mulheres também são vítimas do machismo – afirma a jornalista.

A organizadora da manifestação virtual ainda pretende levar a iniciativa mais longe – ao Congresso.

– Seria excelente se conseguíssemos formular um projeto de lei para criação de canais de denúncia contra assédio na rua ou no transporte público.

O Globo

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