Organizações de imprensa denunciam assassinatos e desaparecimentos forçados de comunicadores

Publicado em terça-feira, outubro 16, 2012 ·

A Federação Latino-Americana de Jornalistas (Felap, por sua sigla em espanhol), a Federação de Associação de Jornalistas Mexicanos (Fapermex) e o Clube Primeira Plana (CPP) divulgaram na última semana o ‘Relatório Atualizado sobre a Situação do Jornalismo no México no terceiro trimestre de 2012’, relatório que denuncia os homicídios e desaparições forçadas de comunicadores, seus parentes e amigos.

Com a publicação, as federações querem chamar atenção das autoridades para que investiguem e punam os casos que já aconteceram e também para que coloquem em prática as medidas cautelares para evitar que mais comunicadores morram.

Felap, Fapermex e CPP revelam que nos 12 últimos anos a cifra de vítimas fatais pelas liberdades de imprensa e expressão se configurou no país em 98 jornalistas, 9 trabalhadores/as de imprensa, 6 familiares e 2 amigos de comunicadores.

Cifras específicas deste ano dão conta de 15 homicídios e três desaparições forçadas. As últimas vítimas fatais foram três repórteres fotográficos, Ernesto Araujo Cano, assassinado em Chihuahua e Arturo Barajas López e José Antonio Aguilar López, mortos em Michoacán.

Já entre os desaparecidos estão Federico Manuel García Contreras, em San Luis Potosí; Zane Alejandro Plemmons Rosales, em Tamaulipas; e Miguel Morales Estrada, em Veracruz. Desde 2003, foram registrados 21 casos de desaparições forçadas, sendo que sete corpos já foram encontrados, seguindo então 14 comunicadores desaparecidos.

Na concepção das federações, caso as autoridades mexicanas competentes não comecem a agir, este pode se tornar o ano mais trágico para a categoria.

O relatório também destaca os assassinatos de mulheres jornalistas, que iniciaram em 17 de julho de 1986 com a morte de Norma Moreno Figueroa, repórter do diário O Popular de Matamoros, Tamaulipas. Deste ano até 2000, foram registrados mais três outros crimes, sendo que o aumento no número de jornalistas assassinadas foi maior a partir de 2000, período de governo do Partido Ação Nacional – PAN (2000-2012), com 11 assassinatos de jornalistas, além de uma trabalhadora de imprensa, uma familiar e uma amiga. O caso mais recente foi o de Regina Martínez Pérez, correspondente em Veracruz da revista Processo e do diário La Jornada.

“Cabe ressaltar que, sobretudo nos assassinatos de mulheres jornalistas, a crueldade é uma constante, já que antes de privá-las da vida foram atormentadas brutalmente e inclusive o cadáver de uma das vítimas foi pendurado em uma ponte”, expõem as organizações de imprensa, repudiando os atos de baixeza e brutalidade, que acreditam ter conexão com o fenômeno dos feminicídios.

Ao final do relatório, além de denunciar que a impunidade prevalecente é o motor que possibilita o prosseguimento dos crimes, e de relembrar que as mortes e desaparições têm o propósito de ‘impedir, limitar ou menosprezar o exercício das liberdades de imprensa e expressão’, Felap, Fapermex e CPP fazem severa demanda ao presidente Felipe Calderón, exclamando que já basta.

Adital

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