Política

Onyx será afastado se houver ‘denúncia robusta’, diz Bolsonaro

Publicado em quinta-feira, dezembro 6, 2018 ·

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quarta-feira (5) que pode demitir o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, caso haja “denúncia robusta” contra ele.

“Havendo qualquer comprovação ou denúncia robusta contra quem quer que seja e que esteja ao alcance da minha caneta Bic, ela será usada”, disse Bolsonaro.

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou nesta semana o início de uma investigação contra Onyx por suposto recebimento de recursos ilegais (caixa 2) nas campanhas de 2012 e 2014.

Já o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, afirmou nesta quarta, em Belo Horizonte, que, se forem encontradas irregularidades na investigação, o auxiliar do presidente eleito terá de deixar o futuro governo.

“Uma vez que seja comprovado que houve ilicitude, é óbvio que terá que se retirar do governo. Mas, por enquanto, é uma investigação”, disse o militar.

Mourão afirmou ainda que poderá participar da articulação política do governo se assim for determinado por Bolsonaro. O general voltou a dizer ainda ser “o escudo e a espada” de Bolsonaro. “O escudo defende, e a espada ataca antes de ele ser atacado”, disse.

Caixa Dois

De acordo com o depoimento de delatores da J&F, Lorenzoni teria sido favorecido com o pagamento de R$ 100 mil em 2012 e R$ 200 mil em 2014. Na manifestação enviada pela PGR ao Supremo na semana passada, Raquel Dodge pediu a separação dos trechos das delações da J&F sobre caixa 2 específicos sobre dez autoridades que eram deputados e senadores à época dos fatos narrados e que seguirão com prerrogativa de foro em 2019.

Eles serão alvo de procedimentos semelhantes, que podem resultar na abertura de inquérito ou em formulação de denúncia. Além de Onyx, estão na lista cinco deputados federais.

O futuro ministro da Casa Civil chamou de “bênção” a abertura de uma investigação.

“Para mim é uma bênção porque vai permitir que tudo se esclareça”, disse Lorenzoni nesta terça-feira, após deixar uma reunião com a bancada do PSDB na Câmara. “Não tenho nenhum problema com isso. Ao contrário, é a chance de resolver.”

Mais tarde, após se encontrar com deputados do PSD e também pedir apoio ao governo de Jair Bolsonaro, Lorenzoni disse ter “preocupação zero” com as apurações. “Já resolvi minha questão espiritual. Entre carregar mancha e ter uma cicatriz, fico com a cicatriz. Sempre fui um combatente contra a corrupção e vou continuar sendo”, afirmou.

R7

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