OAB abre processo para apurar suposta extorsão a noiva de Bruno

Publicado em segunda-feira, junho 13, 2011 ·

240_614-caso-de-policia-gdeA Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG) abriu processo disciplinar contra Robson Pinheiro, ex-advogado do goleiro Bruno Fernandes, por ele supostamente ter tentado extorquir a noiva do jogador, Ingrid Calheiros. Segundo denúncia feita à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e à OAB, Ingrid acusa a juíza Maria José Starling e o advogado Robson Pinheiro de cobrarem R$ 1,5 mi para libertarem o jogador da cadeia.

“A participação da juíza deverá ser investigada pela corregedoria do Tribunal de Justiça (TJ). O advogado pode sofrer até uma suspensão preventiva”, disse o presidente da OAB-MG, Luiz Claudio Chaves. O deputado Durval Ângelo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas, informou que vai entrar com uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e na corregedoria do TJ contra a juíza.

Segundo ele, esta já é a quarta vez que a comissão faz uma representação contra ela. “Vamos entrar com o processo simultaneamente no CNJ e no TJ. Os outros processos foram arquivados, não queremos que este também seja”, disse. A juíza presidiu uma audiência e ouviu testemunhas do caso no fórum de Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte, em outubro do ano passado.

Na época, ela disse que o goleiro Bruno já poderia estar solto. Para a magistrada, o fato de o corpo de Eliza Samudio não ter sido localizado pela polícia mineira seria um dos motivos para o goleiro estar livre. No depoimento, Ingrid afirmou que os contatos com a juíza e o advogado foram registrados em contrato, em que constariam cláusulas para Pinheiro entrar com pedidos de liberdade no TJ de Minas e, 48 horas após Bruno ser solto, o dinheiro deveria ser depositado.

Ingrid revelou ainda que na semana em que o advogado deveria entrar com o pedido no TJ, teria cobrado o dinheiro adiantado. Robson Pinheiro negou que a juíza tenha participado da negociação com a família de Bruno e disse que ela foi cliente dele há cinco anos e que não tem qualquer ligação com a magistrada. Ele afirmou ainda que sua conduta sempre obedeceu “às normas éticas, legais e contratuais” e que rescindiu o contrato em fevereiro deste ano, quando o pedido de habeas-corpus estava prestes a ser impretado no TJ. Com relação ao valor de R$ 1,5 mi, ele defendeu que a quantia é compatível à complexidade do caso e à condição financeira do cliente.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

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