Artigo

O restaurador

Publicado em terça-feira, setembro 25, 2018 ·

A Arte Barroca é conhecida pelos detalhes, requinte e elegância exagerados. Historiadores contam que o seu desenvolvimento se deu entre o final do século XVI e meados do século XVIII, e está fortemente relacionada com o contexto histórico em que se insere, surgindo justamente em decorrência da contrarreforma e também de muitas riquezas coloniais cujas obras incluem sobretudo, temas religiosos.

Foi no ainda no século XVII e através do estilo barroco que surgiram as primeiras expressões de arte verdadeiramente brasileiras.

As características da arte barroca são marcantes. Destacam-se os temas religiosos e a riqueza nos detalhes das formas, seja na pintura ou na escultura, são nítidas as expressões dramáticas dos seus personagens, além de demostrar uma clara manifestação de contrastes e expressão da proximidade do divino com o humano.

Nos dias atuais não é comum encontramos com facilidade artistas comprometidos com esse estilo, porém, no brejo paraibano um escultor e restaurador nato de 64 anos, se destaca nesse segmento.

Nascido na comunidade de angicos município de Bananeiras, João Batista Numeriano de Souza, ou João Numero como é conhecido, viveu a sua infância e adolescência no ambiente rural juntamente com os seus pais e irmãos, todavia, nas horas vagas já demostrava as suas habilidades com a arte de esculpir em madeira e argila, formas e personagens do seu cotidiano. Ao visitar a cidade de Bananeiras em épocas festivas, observava o casario e a igreja local que muito lhe inspiravam, povoando a sua cabeça de ideias magnificas.

Como a grande maioria dos jovens da época, em 1.972 aos 18 anos de idade, rumou para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida. Na capital carioca, esteve por 19 anos, oportunidade em que exerceu as profissões de pedreiro e porteiro de prédios, retornando por definitivo a sua terra a natal em 1991.

Foi no ano 2.000 quando das comemorações do jubileu do cristianismo da Igreja católica, que o escultor João Numero executou o projeto “Porta Santa” do cruzeiro de Roma em Bananeiras. A obra consiste em um portal que dá acesso ao pátio do local de peregrinação. Para João, esse feito foi a grande oportunidade de mostrar a sua arte, é como ele próprio diz “A porta santa, foi a minha porta de entrada na profissão”. Ao término do trabalho, começaram a surgir os primeiros convites para realização de restaurações de igrejas e construção de altares nas dioceses da Paraíba e Pernambuco respectivamente.

Atualmente com uma agenda lotada pelos país afora, o escultor e restaurador brejeiro que já construiu um grande numero de altares, colunas góticas, romanas e gregas, e participou de restaurações de inúmeras igrejas e prédios antigos, continua residindo no Distrito de Roma Município de Bananeiras de onde retira inspiração para os seus feitos.

A preocupação com o futuro da arte, tem sido uma constante em sua vida, visto não existir interesse dos artistas na região com a finalidade de dar segmento aos trabalhos, que além de exigir muita pericia na sua execução, requer sensibilidade, dedicação, muita paciência e comprometimento.

Batista de Andrade

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