Nova presidente da Petrobras tem estilo parecido com o de Dilma Rousseff

Publicado em terça-feira, Janeiro 24, 2012 ·


Quem conhece as duas de perto costuma dizer que a engenheira Maria das Graças Silva Foster, 58, é um “clone” da presidente Dilma Rousseff. A diretora de Gás e Energia da estatal substituirá José Sergio Gabrielli na presidência da empresa.
Rígida e extremamente exigente, assim como Dilma, Graça, como gosta de ser chamada, tem fama de agressiva no trato com sua equipe. São uma espécie de “criador e criatura”, dizem.

Por causa dessa fama de difícil no trato, no começo do governo Dilma havia na Petrobras uma torcida para que seu destino fosse um ministério em Brasília –ela foi cogitada para a Casa Civil– e não a presidência da estatal, o que se consumou só agora.
Nessa época surgiram as informações de que a empresa do marido de Graça multiplicou os contratos com a Petrobras a partir de 2007, ano em que a engenheira ganhou cargo de direção na estatal.
De 2007 a 2010, a C.Foster, de propriedade de Colin Vaughan Foster, assinou 42 contratos, sendo 20 sem licitação, para fornecer componentes eletrônicos à estatal. Entre 2005 e 2007, apenas um havia sido firmado.
Em nota, a Petrobras informou que não firmou contratos com a empresa de Colin Foster, marido de Graça, mas fez “pequenas compras de componentes”, entre 2005 e 2010. Não informou, no entanto, o valor total das compras.
Segundo a Petrobras, houve dispensa de licitação em 20 delas por terem valores abaixo de R$ 10 mil. Nenhuma das compras, afirma a nota, foi feita por alguma área vinculada à diretoria de Gás e Energia.

Efe
A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, que deve assumir a presidência da empresa
A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, que deve assumir a presidência da empresa

PRIMEIRA MULHER


Primeira mulher a ocupar uma diretoria da Petrobras e a ser indicada para assumir a presidência da companhia, Graça Foster é funcionária de carreira. Começou como estagiária em 1978 e ocupou cargos gerenciais na estatal antes do governo Lula (2003-2010).
Mas foi pelas mãos da então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, que, no começo de 2003, trocou o Rio de Janeiro por Brasília e começou a alçar voos maiores na sua trajetória profissional.
A aproximação profissional ocorreu quando Dilma era secretária de Energia do Rio Grande do Sul (1999-2002) e ambas tratavam sobre o gasoduto Bolívia-Brasil. A então secretária queria um ramal adicional do duto para atender ao sul do Estado, mas ouviu um não como resposta da então gerente da estatal.
Nem por isso, a amizade deixou de prosperar. Graça filiou-se ao PT e engajou-se na campanha de Dilma à presidência. Tem três estrelas tatuadas no antebraço esquerdo, duas delas vermelhas.
No período em que Dilma esteve no Ministério de Minas e Energia, Graça Foster foi secretária de Petróleo e Gás. De volta ao Rio de Janeiro, em 2005, dirigiu as subsidiárias Petroquisa e a BR Distribuidora.
Em setembro de 2007, ao sóbrio e desejado 23º andar do Edifício Sede da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro, onde estão as salas dos diretores. Agora, só mudará para uma sala mais ampla, a da presidência da maior empresa do país.

BOTAFOGO


Mineira de Caratinga, onde nasceu em 26 de agosto de 1953, Graça se define “carioca de coração”, torce pelo Botafogo, adora carnaval e é fã dos Beatles. Quando tinha dois anos, a família se mudou para o complexo de favelas do Alemão, onde Graça ficou até os 10 anos e chegou a trabalhar como catadora de papel.
A resistência ao estilo de Graça não impede um reconhecimento unânime à competência e dedicação da engenheira que não encerra o expediente antes de passar mais de 12 horas diárias na Petrobras. Não raro, leva pilhas de papel para casa e trabalha nas noites e fins de semana.
“Sei que as pessoas torcem para não me ter como chefe. Sou muito dura, reconheço, mas também abraço e beijo quem trabalha bem”, disse ela à revista “Exame”.
Detalhista, rigorosa, exigente, obcecada por prazos e metas, não se contenta com o relato de seus gerentes sobre o andamento dos projetos. Costuma ir, pessoalmente, vistoriar as obras –inclusive nos finais de semana– e exigir dos responsáveis explicações, quando há sinal de problema ou atraso.
Graça foi eleita em 2010 pelo “Financial Times” uma das 50 executivas mais influentes do mundo. Ela tem uma filha médica e um filho estudante de jornalismo e ex-jogador de basquete (ele tem tatuado no braço o nome da mãe).
Segundo relato de um executivo que trabalhou com ela, Graça barrou todas as tentativas de ingerência política em suas decisões, “mostrando a mesma firmeza habitual”.
A executiva fala pouco e se atém aos assuntos da sua área, evitando a política. Designada por Dilma, Foster assumiu a diretoria de Gás e Energia num momento de crise no setor, com a falta de gás para indústrias e veículos no fim de 2007 em razão da necessidade de suprir as termelétricas.
Sua missão também era reverter o prejuízo da área de gás da estatal, o que conseguiu a partir de 2010.
Como as termelétricas consomem gás de forma sazonal –normalmente no período secoÐ, a diretora de gás e energia acelerou a solução de trazer para o país terminais de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL).
No início de 2009, dois terminais –um no Ceará e outro no Rio de Janeiro– iniciaram operação. Há o projeto de um outro na Bahia.

Folha Online
Com Pedro Soares e Denise Luna

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