Nordeste: Militares se recusam a trabalhar na folga, doam sangue e podem ser presos

Publicado em quinta-feira, outubro 4, 2012 ·

Foto: ascom

Um homem trabalhador pai de família está em seu dia de folga, junto com seus parentes, mas “de repente” é informado que vai ter que cancelar o lazer para trabalhar de novo. Ou seja, nada de folga. Nada de lazer. Nada de família.

A labuta é fazer a segurança de foliões numa festa de grandes proporções, tipo Micarande (felizmente extinta da humanidade campinense). “E se o sujeito não quiser abrir mão de seu direito e se recusar a sacrificar sua folga?” Aí é simples: vai preso, amigo…

Então pensemos: com que espírito público esse policial vai atuar nessa festa? Por que ele é tão ‘agressivo’ durante as ocorrências nesses eventos? A sociedade sabe que eles estão sendo simplesmente forçados a trabalhar em pleno dia de folga? Você, leitor, com que ‘semblante’ encararia seu cliente nessas circunstâncias? Você gosta de ser obrigado a trabalhar na sua folga? Que nome você daria ao sistema de governo que lhe mandasse preso, caso você dissesse “não, eu já cumpri minhas 44 horas semanais de trabalho [às vezes, mais!]e por isso quero gozar minha folga”?

Não adianta dizer que “quando o candidato faz o concurso sabe como é o regime”. Isso não cola mais. A sociedade tem que andar para frente, e não viver do atraso. Já pensou se o diretor de uma escola mandasse prender os professores caso estes se recusassem a trabalhar no domingo? Que nome você daria a isso? Ora, se a educação e a segurança devem ser “serviços de qualidade” para o governo oferecer ao povo, qual a diferença do professor para o policial?

É hoje!

Não, não estamos falando da Idade Média nem do movimento militar de 1964. Os absurdos acontecem hoje! Com os policiais que você faz questão de bater no peito e dizer “eu que pago o seu salário e mereço respeito!” Tem como respeitar ao menos as horas de folga dele também?…

No estado de Sergipe, onde ocorre um evento chamado Pré-Caju, policiais e bombeiros militares, mesmo de folga, foram obrigados a trabalhar. Mas ao invés de se submeterem a essa versão moderna [?] de escravidão, decidiram doar sangue e não foram sacrificar suas horas de descanso no tal evento. Resultado: foram punidos e podem vir a ser presos.

Por que os policiais são tão agressivos quando abordam foliões?

Quer saber mesmo? Veja a entrevista de um representante da categoria, sobre o caso.

***

JornaldaCidade.Net – Sargento, se os militares estavam de folga, por que eles foram punidos?

Sargento Edgard – Pela necessidade que o sistema tem de amedrontar a tropa, haja vista que o nosso efetivo é reduzido e festas como o pré-caju e outras necessitam de um grande efetivo, que sem cercear a folga dos poucos militares que estão na ativa não tem como efetuar o policiamento desses eventos.

JC.NetFala-se na existência de um documento que prove a inocência deles. Que documento seria esse?

S.E.– É o TAC (termo de ajustamento de conduta) no qual ficou firmado que só iriam ser escalados os voluntários e os de serviço ordinário. Ou seja, escalados para aquele dia de serviço normal.
JC.NetA Amese também acusa o comandante do Corpo de Bombeiros de está fazendo isso por maldade. Por que?
S.E.– A maldade do comandante do Bombeiro está comprovada quando na apuração feita pela tenente Antenora. Ela absolveu todos os militares. Mesmo assim ele desconsiderou a investigação e pediu punição.
JC.NetEles cometeram transgressão disciplinar ou crime?
S.E.– Não cometeram nem transgressão nem crime. Eles estavam de folga e resolveram doar sangue. Portanto, foi um ato solidário. O crime foi escalá-los sem que eles fossem voluntários.
JC.NetA Amese está organizando alguma manifestação para defender esses militares?
S.E.– Nós já estamos defendendo na esfera administrativa, com pedido de reconsideração de ato, e ao persistir a punição iremos até a esfera judicial.
Fonte: Jornal da Cidade

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