Nice Almeida – Rádio Integração do Brejo: a emissora que não integra mais

Publicado em sábado, julho 16, 2011 ·

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Para a sociologia a palavra integração significa “incorporação de um indivíduo ou grupo externo numa comunidade, ou meio”. E foi com esse intuito que há 28 anos a população do Brejo paraibano, em especial, das cidades de Bananeiras e Solânea viam surgir um veículo de comunicação que, mais que uma emissora, representava a voz do povo. Nascia na cidade bananeirense a Rádio Integração do Brejo.

Mas, de acordo com reclamações vindas dos próprios moradores desses municípios atualmente essa voz tem se calado e a integração prometida até mesmo no próprio nome, segundo essas mesmas reclamações, já não existe mais e na sua porta, agora, estaria batendo apenas uma possível falência que pode levar a emissora a “fechar” os seus microfones, calando essa voz.

Emissora conceituada e que sempre buscou defender os interesses da população, atualmente a Rádio Integração do Brejo tem sido alvo de críticas que faz com que bananeirenses, solanenses e todos os brejeiros se perguntem: o que aconteceu?

Nascida com o intuito de abrir espaço para toda a sociedade discutir seus problemas e expor as realidades de seus municípios, a Rádio Integração tem se afastado cada vez mais desse objetivo deixando de lado as discussões em benefício de quem mais precisa: a população, principalmente a mais carente.

A realidade é que a rádio tem perdido espaço para outras emissoras da região especialmente na área jornalística. Hoje ela está ausente dos problemas da sociedade e não se encontra mais no meio popular.

Pertencente a Diocese de Guarabira e atualmente comandada pelo diretor geral, padre Adauto Tavares, a Rádio Integração já não tem mais a mesma eficiência e audiência como em anos passados.

Informações dão conta, inclusive, que a emissora tem enfrentado uma crise financeira e não dispõe de profissionais suficiente para manter uma das principais qualidades da emissora que era a informação.

A rádio, que foi adquirida pela Diocese no ano de 1996, era assunto todos os dias nas ruas de Bananeiras, Solânea e toda a região do Brejo, mas atualmente não dispõe nem mesmo de sua unidade móvel para a realização de reportagens e coberturas de eventos como era de costume. Dessa forma, a emissora se distanciou do povo e calou a voz dos mais necessitados de espaço para expor suas reivindicações.

Atualmente dispõe de um único programa jornalístico reproduzido no horário da manhã e sequer tem um correspondente ou repórter para levar e prestar a informação com precisão e dinamismo.

Está vivendo do nome formado há anos de Josenildo Monteiro que vem mantendo, com dificuldades, um programa jornalístico que precisa da participação popular para saber o que acontece na cidade.

A rádio que já foi detentora de uma das maiores audiências da região agora sofre com a penetração de outras emissoras a exemplo da radio Talismã FM da cidade de Belém e vive expectativas drásticas com o surgimento de mais uma rádio na cidade de Solânea, esta do Sistema Correio de Comunicação, que deve entrar no ar nos próximos dias.

A pergunta agora é: o que aconteceu com a Rádio Integração do Brejo que não está mais entre nós e que tanta falta faz nas reivindicações da sociedade? O que a Diocese de Guarabira reserva para esta emissora de nome tão grande e de uma história tão forte que hoje cai no marasmo e na precariedade da informação e até mesmo da evangelização?

O povo de Bananeiras, Solânea e do Brejo ainda precisa de um espaço para reclamar, pedir, sorrir, chorar, compartilhar, aprender, questionar. Era na “prata da casa” que a população confiava para fazer tudo isso. Mas, agora o povo precisa recorrer a emissoras de outras cidades para usar esse espaço antes “doado” pela Rádio Integração do Brejo que agora nada mais é que um pequeno museu.

Foi na Rádio Integração que eu descobri que tinha nascido para ser jornalista. Foi naqueles corredores que comecei a sonhar com a profissão a qual detenho agora com muito orgulho. Na Rádio Integração eu dei meus primeiros passos para me tornar a profissional que sou hoje. É como se eu tivesse vendo a pessoa que me ensinou a andar em cima de uma cadeira de rodas.

Só tenho mesmo é que lamentar.

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