Mulheres têm menos chance de atingir orgasmo com sexo casual

Publicado em sexta-feira, novembro 29, 2013 ·

sexoNatasha Gadinsky, de 23 anos, diz que não se arrepende de seus anos na faculdade. Entretanto, não se pode dizer o mesmo do tempo que ela ficou com um rapaz na Universidade de Brown.

Depois de ele gozar naquela noite, disse ela, ele não demonstrou interesse algum em satisfazê-la. No encontro seguinte, a mesma coisa aconteceu de novo. Ele “não se importou nem um pouco”, disse Gadinsky, coordenadora de assistência médica que reside em Nova York: “Eu acho que ele nem tentou”. Ele caiu no sono imediatamente, deixando-a olhando para o teto. “Fiquei muito frustrada”.

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Assim como acontecia gerações antes dela, muitas jovens mulheres como Gadinsky estão descobrindo que o sexo casual não dá a elas o prazer físico que os homens experimentam mais frequentemente. Uma nova pesquisa sugere um motivo: as mulheres são menos propensas a ter orgasmos em encontros sexuais sem compromisso do que em relacionamentos sérios. Ao mesmo tempo, os pesquisadores dizem que as mulheres jovens vêm se tornando parceiras tão interessadas na cultura do sexo casual quanto os homens, muitas vezes tão dispostas quanto os homens jovens a se aventurarem em relações sem vínculos emocionais.

“A noção de liberação sexual, segundo a qual homens e mulheres tinham igual acesso ao sexo casual, passou a implicar uma probabilidade semelhante de prazer para ambos os lados”, afirmou Kim Wallen, professor de neuroendocrinologia da Universidade de Emory, onde estuda o desejo feminino. “Todavia, não há paridade nessa parte do jogo”.

Uma pesquisa com 600 estudantes universitários liderada por Justin R. Garcia, biólogo evolucionário do Instituto Kinsey da Universidade de Indiana, e pesquisadores da Universidade de Binghamton descobriram que as mulheres tinham uma probabilidade duas vezes maior de chegar ao orgasmo a partir de penetração e sexo oral em compromissos sérios do que em relações casuais. O trabalho foi apresentado na reunião anual da Academia Internacional de Pesquisa sobre o Sexo e na Convenção Anual de Ciência Psicológica deste ano.

Da forma similar, uma pesquisa com 24 mil estudantes de 21 escolas, realizada ao longo de cinco anos, descobriu que 42% das mulheres tinham chegado ao orgasmo durante o seu último encontro envolvendo sexo casual, contrastando com 80% dos homens. A pesquisa foi liderada por Paula England, socióloga da Universidade de Nova York que estuda a dinâmica de sexo casual.

Por outro lado, 74% das mulheres que participaram da pesquisa disseram ter chegado a um orgasmo na última vez em que fizeram sexo em um relacionamento sério.

“Atribuímos isso a um relacionamento com um parceiro, que proporciona mais êxito no orgasmo, e também achamos que os homens se preocupam mais quando estão em um relacionamento”, falou England.

De fato, os jovens que participaram do estudo de England admitiram que muitas vezes se concentram menos em agradar sexualmente uma mulher com quem estão saindo casualmente do que uma mulher com quem estão namorando.

Duvan Giraldo, de 26 anos, um técnico em software do Queens, em Nova York, disse que satisfazer a parceira “é sempre a minha missão”, mas acrescentou: “Eu não me esforço tanto quanto como estou com alguém de quem realmente gosto”. E com as mulheres que ele acabou de conhecer, segundo ele, pode ser difícil falar sobre desejos específicos na hora da relação.

“Naquele momento, ainda somos praticamente desconhecidos”, afirmou.

Não passar orientações é comum, disse England. “As mulheres não se sentem muito à vontade nesses contextos casuais para dizer o que querem e precisam”, falou ela. Parte do problema, é que as mulheres podem ainda ser estigmatizadas por fazerem sexo casual.

Para Garcia, “nos venderam a ideia de que estamos em uma era em que as pessoas podem ser sexualmente livres e desfrutar igualmente das relações casuais. O fato é que nem todo mundo está curtindo isso.”

Aquilo de que as mulheres precisam para chegar ao orgasmo pode ser muito diferente do que elas encontram no sexo casual. Cerca de um quarto das mulheres costuma chegar ao orgasmo apenas por meio da penetração, de acordo com a análise de 32 estudos realizados por Elisabeth Lloyd, professora de história e filosofia da ciência da Universidade de Indiana, apresentada em seu livro “The Case of the Female Orgasm: Bias in the Science of Evolution” (“O caso do orgasmo feminino: a parcialidade na ciência da evolução”, em português), de 2005. Outro terço das mulheres chega ao orgasmo raramente ou nunca com a penetração.

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