Mulher arrastada por carro da PM foi confundida com bandidos, diz filha

Publicado em terça-feira, março 18, 2014 ·

Cerca de 200 pessoas participaram do sepultamento de Cláudia Ferreira da Silva, na tarde desta segunda-feira Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia
Cerca de 200 pessoas participaram do sepultamento de Cláudia Ferreira da Silva, na tarde desta segunda-feira Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia

Cláudia Ferreira da Silva, arrastada por uma viatura da PM, foi confundida por bandidos. Pelo menos essa é a opinião da filha da vítima, Thaís Lima, de 18 anos, explicando como aconteceu o incidente no Morro da Congonha, em Madureira, no último domingo.

 

“Eles [os policiais] deram dois tiros nela, um no peito, que atravessou, e o outro, não sei se foi na cabeça ou no pescoço, que falaram. E caiu no chão. Aí falaram [os policiais] que se assustaram com o copo de café que estava na mão dela. Eles estavam achando que ela era bandida, que ela estava dando café para os bandidos”, contou em entrevista ao Bom Dia Rio nesta terça-feira.

 

De acordo com Thaís, o porta-malas do carro não abriu somente na Estrada Intendente Magalhães, onde o corpo de Cláudia foi arrastado por cerca de 250 metros.

 

“Um pegou ela pela calça e outro pela perna e jogou dentro da Blazer, lá dentro, de qualquer jeito. Ficou toda torta lá dentro. Depois desceram com ela e a mala estava aberta. Ela ainda caiu na Buriti [rua, em Madureira], no meio do caminho, e eles pegaram e botaram ela para dentro de novo. Se eles viram que estava ruim porque eles não endireitaram (sic) e não bateram a porta de novo direito?”, disse, Thaís, questionando o motivo de que o corpo do outro baleado permaneceu no local.

 

 

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“Se matou ela, como se fosse bandida, porque deixaram o outro na rua? O corpo dele ficou lá, esperando a perícia”, disse.

 

 

Muro na entrada da comunidade é pichado com frase relatando saudade de ‘Cacau’, apelido de Cláudia

Foto:  Douglas Viana / Agência O DIA

Fechadura sem problemas

Os subtenentes Adir Serrano Machado e Rodney Miguel Archanjo, além do sargento Alex Sandro da Silva Alves, foram presos por crime previsto no Código Penal Militar. Segundo investigações, os PMs alegaram que a porta da caçamba teria aberto porque moradores danificaram a tranca. No entanto, informações preliminares da perícia feita na viatura apontam que, aparentemente, não havia problema na fechadura.

Os acusados ainda alegaram que os moradores teriam tentado tomar a arma de um dos subtenentes. O advogado de um deles, Marcos Espínola, disse que o caso ‘foi um acidente’ e que vai entrar na Justiça com pedido de habeas corpus.

Após prestar depoimentos por mais de 10 horas na 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), os PMs serão ouvidos novamente nesta quarta-feira na 29ª DP (Madureira). A investigação foi desmembrada em três inquéritos diferentes, que vão apurar a morte e o socorro prestado a Cláudia; o suposto auto de resistência registrado pelos PMs (um suspeito foi morto) e o flagrante apresentado por eles. No domingo, os policiais fizeram operação de combate ao tráfico na comunidade. Os outros dois PMs que estavam na ação serão ouvidos na 29ª DP. São eles: Rodrigo Boaventura e Zaqueu de Jesus Bueno.

A necropsia feita no corpo de Cláudia indica que ela morreu por causa do tiro no peito, que causou lesões cardíacas e pulmonares. O corpo também sofreu diversos ferimentos provocados pelo contato com o asfalto, que o marido da vítima, Alexandre Fernandes da Silva, classificou como tendo ficado ‘em carne viva’.

Em nota, a PM diz que não compactua com a conduta dos agentes e que eles foram desligados do 9º BPM (Rocha Miranda). As armas dos PMs foram entregues à perícia.

 

Estadão

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