Movimento ‘Bom Senso’ se defende de ‘elitismo’ e aceita reduzir salários

Publicado em terça-feira, março 18, 2014 ·

bom-sensoDesde suas origens em setembro de 2013, o Bom Senso FC, movimento criado por jogadores para propor melhorias no futebol brasileiro, tem sido alvo de críticas – desde torcedores, incomodados com atletas que não estariam “focados” no futebol, até ex-jogadores e dirigentes, como Vampeta e Eurico Miranda, que classificaram o grupo como “elitista” e preocupado em reduzir o número de partidas para uma classe que ganha muito bem.

No seminário da última segunda-feira, porém, o movimento detalhou suas propostas para o fair play financeiro, que evitaria o atraso de salários que assola a maior parte dos clubes brasileiro, e a ampliação do calendário para as equipes menores, que muitas vezes ficam em atividade durante somente três ou quatro meses no ano. O meia Alex, do Coritiba, comemorou o passo dado para que a visão de alguns críticos sobre o Bom Senso mude.

“A palavra ‘elitista’ nós ouvimos muito desde setembro do ano passado, quando nos reunimos, e fico feliz que esteja saindo essa imagem”, disse ele. “A expectativa (de engajamento dos clubes) é a melhor possível. Claro que não sabemos o tamanho desse passo, se vão ser passos grandes ou menores. Mas com os dirigentes que tivemos condição de conversar e trocar ideias, eles se colocaram no mínimo à disposição de nos entender”.

E se a implantação efetiva do fair play financeiro, com punições a times que atrasam pagamentos e limites impostos sobre os gastos de um clube com o futebol, resultar em uma readequação da remuneração para os jogadores de futebol de elite? Segundo os membros do movimento, todos estão dispostos a encarar uma redução nos salários, se a nova realidade de mercado assim exigir.

Dida sobre racismo: 'Bom Senso FC ainda não pode fazer nada'
Dida sobre racismo: “Bom Senso FC ainda não pode fazer nada”

“Já foi muito conversado, isso de jogar menos e ganhar menos”, disse o goleiro Fernando Prass, do Palmeiras. “Não é o Dida ou eu quem vamos dizer quanto vamos ganhar, é o mercado. Tendo clubes com gestões mais equilibradas, sem prejuízo anual, (o jogador) vai trabalhar em uma equipe melhor financeiramente, e pode ter futuramente ganhos maiores que hoje. Clubes sanados pagam e se organizam melhor. Até os clubes se equilibrarem financeiramente, o mercado vai ditar uma diminuição de salários, mas para melhorar todos têm que fazer um sacrifício”.

“A gente quer que o clube trabalhe em cima do que ele ganha. O meu clube, a Ponte Preta, paga em dia e faz um esforço para isso. Não é justo que eu ganhe R$ 10 mil no clube A, venha o clube B e me ofereça R$ 70 mil, eu vá para o clube B e não receba meu salário. O clube A foi prejudicado, porque perdeu um atleta de forma injusta, e o atleta também”, disse o goleiro.

Sem propostas para o futebol feminino

Questionado sobre propostas e melhorias para outros “ramos” do futebol, como o futebol feminino, o futsal e o beach soccer, o zagueiro Juan, do Internacional, afirmou que o Bom Senso está focado somente no futebol masculino por ora. “Neste primeiro momento, queríamos levantar essas duas bandeiras (calendário e fair play financeiro). Depois que a gente conseguir essas reivindicações, queremos apoiar todo mundo que joga futebol, mas ainda não tem como ajudar todas as classes. Se Deus quiser, lá na frente a gente vai conseguir”.

Bom Senso FC se reúne para discutir mudanças no futebol brasileiro
Foto: Alan Morici / Terra

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