Combustíveis

Mercado obriga preço do etanol a subir e consumidor fica no prejuízo

Publicado em quarta-feira, maio 15, 2019 ·

Se há algo que tira a paciência do brasileiro é a alta de preços em inúmeros produtos. E muitas das vezes, sequer a população entende o porquê do reajuste. Com os combustíveis não seria diferente. Mas por que quando se altera o valor da gasolina (produto derivado do petróleo) também se muda o do etanol, que vem da cana de açúcar? A resposta não é simples e não depende de apenas um fator. São várias circunstâncias atreladas a esse fenômeno. E um dos principais é o mercado.

Especialistas na área do etanol e também com a Petrobras explicam como funciona esse fenômeno. Para se ter ideia, em pesquisas realizadas pela Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-JP) entre janeiro e abril deste ano, a diferença entre produtos ficou sempre entre R$ 1 e R$ 1,20.

Segundo Alexandre Andrade, presidente da Federação Dos Plantadores de Cana do Brasil e da Associação dos fornecedores de Cana de Pernambuco, essa relação de preços se explica muito devido ao mercado. “É a lei de mercado”, disse. Mas ele também relacionou ao período de entre safra da cana de açúcar no Nordeste.

“Teoricamente está (a relação de preços) muito ligada. O concorrente do etanol é a gasolina. Se a gasolina subir, vai ofertar mais etanol. O que está acontecendo hoje no Nordeste é que as unidades de produção estão paradas e o consumo foi alto. Então o Centro-Sul abastece o Nordeste. Eu acredito que daqui a 10, 15 dias o preço do etanol vai cair, independente do petróleo”, explicou.

Diferenças do etanol

Já o diretor-executivo da Agroindustrial Tabu, Luís Sales, explicou sobre os diferentes tipos de etanol: o anidro e o hidratado. O primeiro está presente na mistura com a gasolina. Já o segundo, é o que se usa diretamente no carro. Então, quando o preço da gasolina sobe, automaticamente o valor do etanol anidro segue junto, já que ele compõe 27% do litro da gasolina.

Assim como Alexandre, Luís também comentou sobre a questão da entressafra. Com isso, tendo que comprar o produto de outros centros, faz com que o valor do etanol permaneça elevado. “Agora mesmo, coincide com nossa entressafra, falta etanol. Os estados nordestinos estão indo buscar no centro-sul do país e isso tem um frete que onera o preço e infelizmente não somos autossuficientes em etanol. O Nordeste tem esse déficit de etanol”, complementou.

Competitividade

Já para o presidente executivo do Sindicato da Industria de Fabricação do Alcool (Sindalcool), Edmundo Barbosa, uma coisa que precisa ser alertada é a questão da competitividade. Segundo ele, são poucas distribuidoras de combustível que detêm o poder.

“O fundamental nesta questão é esclarecer a falta de competição na área. Quantas distribuidoras de combustível a gente tem? Poucas. Elas comercializam o etanol produzido por 380 usinas. A distribuidora em geral entende que ela tem que ter o lucro na gasolina, porque normalmente é maior. Então para evitar que caia a venda da gasolina, eleva-se o preço do etanol”, apontou.

Ainda de acordo com Edmundo, as vendas de etanol só fazem crescer a cada dia. Além diso, ele ressaltou a questão ambiental. “O etanol não para de subir a venda, cada mês deste ano a venda foi maior do que em relação ao mês anterior, entre 70% e 80% a mais. Já a gasolina tem caído a venda, não só por conta do preço, mas por questões ambientais também. E aos poucos vai chegando uma consciência, o etanol gera emprego na Paraíba”, finalizou.

Política de preços da Petrobras

Questionada sobre essa ligação dos preços, a assessoria de imprensa da Petrobras se resumiu a enviar apenas uma breve nota e uma série de links tratando sobre o tema. No texto, o órgão afirma que a adição do etanol é uma obrigação legal dos distribuidores de combustíveis.

“A Lei N°8.723, de 1993, estipulou a mistura de álcool anidro na gasolina. Em poucos anos, novos decretos alteraram a porcentagem da mistura. Desde março de 2015, o percentual obrigatório de etanol anidro combustível na gasolina comum é de 27%. O percentual na gasolina premium é de 25%”, afirmou.

Em um dos links enviados pela Petrobras, o órgão afirma que os combustíveis derivados de petróleo são commodities e têm preços atrelados aos mercados internacionais, com  cotações que variam diariamente, para cima e para baixo. “Por isso, a variação dos preços nas refinarias e terminais é importante para que possamos competir de forma eficiente no mercado brasileiro”.

Já em outra página, a empresa diz que os preços cobrados por esses produtos não dependem exclusivamente da Petrobras. “Tributos e margens de comercialização são alguns dos componentes do preço final ao consumidor”.

Portal Correio

 

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