Mais de 100 mil já dependem de carros pipas na Paraíba; 27 açudes estão praticamente secos

Publicado em quarta-feira, outubro 24, 2012 ·

Portal Correio

Dos 121 açudes monitorados pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado(Aesa), 27 estão secos ou quase secos na Paraíba. A estiagem, que castiga quatro das cinco regiões do Estado,  já deixou 22,3% desses reservatórios com, no máximo, 20% de sua capacidade total. Em cinco deles, segundo a Agência, o acumulado é apenas de 5% e a situação é considerada “crítica”.

Municípios inteiros dependem exclusivamente da distribuição de água através de carros pipas. A maioria dos 195 municípios onde foi decretado estado de calamidade pública soma mais de 118 mil pessoas dependendo da distribuição de água feito pelo Exército.

Os mananciais de municípios do Sertão como Teixeira e São José do Sabugi, e da região do Cariri, a exemplo de Ouro Velho, secaram completamente. A população só tem água quando faz fila à espera dos caminhões que se transformam na salvação principalmente para matar a sede e para preparar a comida, que também é escassa.

Em Teixeira, cidade a 320 quilômetros de João Pessoa, que tem uma área de 114,43 e fica na transição entre o Sertão e o Cariri, os 14 mil habitantes da zona rural e urbana estão dependendo do abastecimento de carros pipa. Exército está abastecendo a zona rural e levando água a 6 mil e 206 pessoas. O restante da população do município está recebendo água nos carros-pipa de uma parceria entre a Prefeitura e o Governo do Estado.

Os açudes que abastecem a população de Teixeira, o Bastiana e o São Francisco II, estão praticamente secos. O primeiro deles, que tem capacidade para acumular quase 1,3 milhão de metros cúbicos, está com um volume atual de apenas 38 mil 330 metros cúbicos. Ou seja, 3% da sua capacidade de armazenamento. No caso do açude São Francisco II, a situação é ainda pior. Dos quase 5 milhões de metros cúbicos de capacidade de acúmulo só restam 26,7 mil metros cúbicos. Ou seja, 0,5% do total.

No município de Ouro Velho, no Cariri paraibano, mais de 2 mil pessoas, ou seja quase toda população da cidade, está recebendo água dos carros-pipa do Exército. O açude, que tem o mesmo nome da cidade, tem capacidade de acumular 1,6 milhão de metros cúbicos de água, mas está com apenas 48,2 mil metros cúbicos (2,9%) de sua capacidade de acúmulo de água.
Mas é na cidade de São José do Sabugi que a situação chegou ao limite zero. O açude São José IV que tem capacidade para acumular 554 mil metros cúbicos de água está completamente vazio. O município tem uma população de 4 mil e 98 habitantes e, desse total, 1.431 pessoas estão na zona rural. O abastecimento d’água está sendo feito de carros pipas, patrocinados pela prefeitura e pelo Governo do Estado.

Na maior cidade do Sertão, Patos (com uma população de pouco mais de cem mil habitantes), a população da zona rural também está na dependência dos carros pipas para abastecimento d’água. O município fica às margens da BR 230 e que interliga a Paraíba aos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará

Patos tem um potencial de consumo de mais de um R$ 1 bilhão em 2012 e entrou no mapa das 20 cidades do interior do país com as maiores taxas de consumo. Contudo, os dois mananciais que abastecem o município estão com capacidade considerada crítica, abaixo dos dez por cento. Para suprir as necessidades da população urbana, o abastecimento da cidade está sendo feito do açude de Capoeira, localizado no município vizinho de Santa Terezinha.

De acordo com a técnica da Gerência de Operações de Mananciais da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado, Itamara Mary, o açude está abastecendo exclusivamente a população da cidade de Patos. Está sendo proibida a utilização das águas do açude de Capoeira para a irrigação ou qualquer outra atividade que não seja abastecimento humano.

Ela explicou que isso é necessário para que o açude possa ter condições de levar água para o consumo doméstico em Patos por pelo menos mais 20 meses. “A esperança é de que antes de vir a acontecer um colapso no abastecimento em Patos, as chuvas caiam e os dois açudes da cidade retomem a capacidade de abastecimento”, disse.

O açude Capoeira também não está numa situação muito boa. O manancial tem capacidade para 53, 4 milhões de metros cúbicos, mas está com apenas 12,9 milhões – 24,3% da capacidade.

O açude da Farinha, também em Patos, segundo dados mais recentes da Agência Executiva de Gestão das Águas,  tem capacidade para acumular 25,7 milhões de metros cúbicos e possui apenas 2,4 milhões (9,4% de sua capacidade). No açude Jatobá I, a capacidade é de 17,5 milhões de metros cúbicos e tem hoje apenas 1,5 milhão ( 8,7%).

Na zona rural de Patos, segundo o presidente do sindicato rural e secretário de Agricultura do município, Sebastião Lima, 3 mil e 500 pessoas estão recebendo água em quatro carros pipas, um da Prefeitura e três do Governo do Estado. O abastecimento é feito somente de segunda-feira até a sexta-feira. No fim de semana não tem abastecimento d’água.

O número de caminhões pipas não são suficientes, segundo Sebastião Lima e a quantidade de cisternas de placas – cerca de 495 existentes na zona rural – também não são atendem a população nos períodos de estiagem, que são frequentes na região.Os 90 poços artesianos também secaram. “Seria preciso mais cisternas para levar cada uma a cada três famílias, pelo menos”, explicou Sebastião.

O secretário executivo de Infraestrutura do Governo, Carlos Alberto Dantas, informou que o Estado adotou ações complementares em 100 cidades que estão sofrendo com a estiagem. Disse que, nos municípios onde o Exército não está abastecendo, a Prefeitura pode solicitar a parceria do governo estadual, que pode repassar recursos para a contratação de pipeiros. “A Secretaria de Infraestrutura repassa até R$ 45 mil para um período de 90 dias”, informou.

No município de Triunfo, no Sertão do Estado, cerca de 9.220 pessoas estão sofrendo com a falta de água nas torneiras. De acordo com moradores, o nível de água do Açude das Gamelas, responsável pelo abastecimento da região, chegou a um estado alarmante, e há duas semanas os moradores precisam comprar carroças de água ao custo de R$ 12.

Nesta sexta-feira (26), a população realizará uma manifestação pública que sairá do bairro Luiz Gomes de Brito até a unidade da Cagepa.

Luciana Rodrigues

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