Le Figaro mostra que tragédias não abalaram a fé do povo haitiano

Publicado em sábado, setembro 28, 2013 ·

Porto Príncipe é uma cidade onde as desigualdades “são gritantes”, onde o belo e o medo se confundem. É assim que uma reportagem publicada na sexta (27) pelo jornal francês Le Figaro relata as duas faces da capital do Haiti, país caribenho que por tantas décadas viveu sob o jugo da França e até hoje paga as consequências de uma interminável dívida econômica questionada por muitas organizações internacionais, e que ainda teve sua situação piorada com o terremoto que abalou a ilha em 12 de janeiro de 2010.

Le Figaro

 

O texto de Laurent Gaude descreve que na parte mais baixa de Port-au-Prince está a maioria, os afetados pelo terremoto que deixou 300 mil mortos e milhares de desabrigados. Nessa região estão os bairros mais pobres como Martissant, La Saline e Cité Soleil, que é considerada a maior favela do Caribe. “Um pouco mais longe da costa, no centro histórico, com o palácio presidencial destruído, o Champ de Mars, está a rua principal. O entulho foi liberado, mas ainda há muitos edifícios em frangalhos, vazios, como estruturas fantasmas”.

 

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Sobre as colinas, estão os bairros “mais exclusivos” como Petionville ou Black Mountain, onde “a vista é linda, as ruas são limpas”. De acordo com a reportagem, em Porto Príncipe, quanto mais alto você mora, mais rico você é. Mas, quanto ao resto, a capital haitiana não lembra nada o que foi em seus tempos áureos, pois a contínua expansão da cidade com o aumento da população em êxodo, mudou os padrões que o terremoto terminou por transformar em caos.

 

Passados três anos do abalo, o poder político parece agora querer começar a limpar os vestígios da tragédia na cidade com a retirada de entulhos e acampamentos provisórios. Segundo a reportagem, as autoridades haitianas distribuíram vales para cada família poder se realocar, mas os refugiados afirmaram que a distribuição foi aleatória e muitos ficaram sem o recurso.

 

Então, “para onde irão os refugiados do terremoto, com a demolição do acampamento da Place Sainte-Anne?”, questiona o jornal. Sem destino certo, muitos dos ainda desabrigados buscam refúgio – e esperança – na Igreja de St. Anne, o símbolo de que a fé e a religiosidade do povo haitiano não se enfraqueceu, apesar das tragédias sofridas e a prova de que o povo tem força e a cidade tem luz.

 

Para cada haitiano e haitiana, a luz representa algo diferente na cidade ainda frágil e ameaçada, e assim, o país lentamente renasce de suas cinzas, pois ali existem vidas tentando se reerguer e seguir adiante dando um passo de cada vez. E foi neste sentido que a Agência de Informação Frei Tito – ADITAL – lançou o livro Haiti por si: reconquista da independência roubada.

 

A obra foi organizada pela jornalista e editora da agência, Adriana Santiago, e prefaciada pelo Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel. O livro aborda a história do Haiti, a soberania alimentar, economia, reconstrução, cultura e democracia participativa. Para adquirir o livro clique aqui.

 

 

Adital

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