Jornalistas que fizeram carreira na mídia tradicional miram novas linguagens

Publicado em domingo, novembro 11, 2012 ·

Os últimos meses não têm sido de boas notícias para veículos “tradicionais. Em meio à crise econômica o maior desafio é buscar formatos que façam sentido no ambiente digital. Apesar do desafio de conciliar modelo de negócio com conteúdo relevante, existem possibilidades que não estão nas marcas e formatos convencionais, mas em novas linguagens. No universo digital, jornalistas com sólida carreira em mídias tradicionais perceberam que é possível apostar em algo diferenciado diante de um mercado saturado.

Oráculo Digital
Depois de 45 anos contribuindo para O Estado de S. Paulo, o jornalista Ethevaldo Siqueira inaugurou na última segunda-feira (5/11), juntamente com seu colega Guido Orlando Jr, o projeto Oráculo Digital. A plataforma, segundo Siqueira, é indiretamente inspirada no Portal CNET, um dos mais prestigiados nos Estados Unidos.

No exemplo americano, um grupo de jornalistas discute tecnologia e inovação. “É um grande desafio levar a plataforma adiante, pois ainda não sabemos qual o modelo de negócios de um projeto digital, mas apostamos que é algo que vem para atender um formato diferenciado de mídia“, explica Siqueira.

O jornalista, que se consolidou na cobertura de Tecnologia e Telecomunicações, ressalta sua preocupação com o rumo que vem tomando o jornalismo convencional, principalmente os jornais. “Eu aposto que o jornalismo será digital no futuro. Se você pega a circulação dos jornais do mundo, ela está em 25% do que era há trinta anos. Está nascendo um público novo que vai ler no iPad, na internet, não importa o dispositivo”.

Para o repórter, diferente das mídias digitais, o jornal não tem velocidade para transmitir notícias no ambiente digital. “Em uma análise de curto prazo eu acredito que o meio impresso sobreviverá por mais 20 ou 30 anos, mas somente empresas que oferecerem análises e estudos exclusivos, algo que seja realmente diferenciado”. No caso do Oráculo Digital, Siqueira aposta justamente na possibilidade de ter informação que rapidamente possa ser transmitida, seja um vídeo, um podcast ou um texto analítico.

Segmentação

Marcelo Bauer
Marcelo Bauer, profissional que passou pela IstoÉ, Folha de S. Paulo,  O Globo, O Estado de S. Paulo e integrou a primeira equipe de jornalismo on-line da Editora Abril, fundou, em 2001, a Cross Content que começou com trabalhos institucionais e, atualmente, produz, entre outras coisas, conteúdo digital.

Ainda que elabore projetos para empresas tradicionais como Terra, iG e R7, a Cross Content tem projetos próprios que primam justamente a inovação de linguagem. É o caso da produção de webdocumentários. Linguagem que, segundo Bauer, inaugura uma nova narrativa para a internet, por meio da junção de textos, áudios, vídeos, fotos e animações. Em 2010, o jornalista criou seu primeiro webdocumentário, “Filhos do Tremor – Crianças e seus Direitos em um Haiti Devastado”.

Outro grande nicho explorado por Bauer é a produção segmentada de conteúdo. “Seria uma espécie de ‘microverticalização’, ou uma segunda geração de sites verticais (a primeira foi a dos “macrotemas”, como tecnologia ou mulher”. Bauer destaca o projeto Praia Paulista que já está no ar em fase ‘beta’. É o primeiro site especializado em cobertura de assuntos relacionados a cultura, lazer e compras nos shoppings de São Paulo. “Como o shopping é a “praia do paulista”, acreditamos que o site terá uma ótima receptividade”. Bauer também produz o blog focado em documentários, o BlogDoc em parceria com o portal R7.
Investigação jornalística

Home da Pública
Outro exemplo nacional que foca a independência é a Pública, agência de jornalismo investigativo que se inspira no projeto estadunidense ProPublica e tem como objetivo desenvolver reportagens de fôlego, pautadas pelo interesse público e que contribuam para fortalecer o direito à informação. A jornalista Natalia Viana, que fundou a agência em 2011, conta com 10 anos de experiência, além de colaboração para vários veículos estrangeiros e ter representado o Wikileaks no Brasil.
O grande desafio da entidade ainda é a captação de recursos e o modelo para financiar um jornalismo caro, mas que já vem dando resultado. Na última semana, a Pública ganhou o 6º Prêmio Allianz Seguros de Jornalismo Mídia On-line com a matéria “A terra é dos índios. E o carbono, é de quem?”, de Natalia Viana, em coautoria com Ana Aranha, Jessica Mota e Carlos Arthur França.
Comerciais ou sociais os novos projetos ainda aparecem de forma tímida, mas reacendem a esperança de profissionais recém formados que podem contar com um horizonte que vai além das bancadas, das redações de impresso, revistas ou até mesmo dos portais de internet.
Investimento em pesquisa

Tecnopuc, em Porto Alegre (RS)
Apesar de ter sua maior representatividade em veículos tradicionais, o Grupo RBS tem apostado em pesquisa e inovação, justamente para buscar novas linguagens. No final de abril de 2011, o Grupo gaúcho fechou parceria com a PUC Rio Grande do Sul e instalou no Tecnopuc uma redação com cem pessoas entre jornalistas e profissionais de tecnologia.

Marcelo Rech, diretor de jornais do RBS, destaca que o projeto visa criar um centro de referência em pesquisa na área. “O objetivo é reforçar nossa posição de identificar tendências e nos aproximarmos de práticas como a do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)”, diz.

Dos profissionais que atuam no Tecnopuc estão responsáveis pela produção de sites, projetos mobile, aplicativos digitais e outras ferramentas para produtos como clicRBS, hagah, Guia da Semana, Oba Oba, Pense Imóveis, Pense Carros e outras plataformas da empresa. Rech reforça que o investimento vale a pena, pois possibilita ao grupo estar na vanguarda de muitos experimentos tecnológicos e serve também como referência na área de comunicação. “Reforçamos com isso, nosso compromisso de estar associado com entidades e parceiros que primam a inovação. Isso ajuda inclusive, a repercutir o potencial brasileiro de comunicação no exterior, o que as empresas de tecnologia já fazem”.
Luiz Gustavo Pacete
portalimprensa

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