Jogar videogame pode retardar e reverter ‘decadência mental’

Publicado em quinta-feira, Maio 2, 2013 ·

velhinhos-jogandoJogar videogame pode prevenir e até retardar a deterioração de funções cerebrais, como memória, raciocínio e processamento visual. É o que indica um estudo publicado nesta quarta-feira no periódico PLoS ONE. De acordo com o levantamento, realizado pela Universidade de Iowa com centenas de voluntários com 50 anos ou mais, pessoas que jogam videogame são capazes de melhorar uma variedade de habilidades cognitivas e reverter até sete anos a decadência mental relacionada com a idade.
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Título original: A Randomized Controlled Trial of Cognitive Training Using a Visual Speed of Processing Intervention in Middle Aged and Older Adults

Onde foi divulgada: periódico PLoS ONE

Quem fez: Fredric D. Wolinsky, Mark W. Vander Weg, M. Bryant Howren, Michael P. Jones e Megan M. Dotson

Instituição: Universidade de Iowa, EUA

Dados de amostragem: 681 pacientes saudáveis com 50 anos ou mais

Resultado: O treinamento de idosos com videogame ajudou a melhorar a capacidade cognitiva, em funções como concentração, agilidade com mudança de tarefas mentais e velocidade em que uma nova informação é processada. A melhora variou de 1,5 ano a quase sete anos em melhor desempenho da atividade cognitiva.

“Sabemos que podemos parar esta decadência e verdadeiramente restaurar a velocidade do processamento cognitivo das pessoas”, diz Fredric Wolinsky, professor de saúde pública da Universidade de Iowa e principal autor do artigo. “Então, se sabemos disso, não deveríamos estar ajudando as pessoas? É bem fácil e o pessoal de mais idade pode aprender a jogar videogame.”

O estudo é o último de uma série de projetos de pesquisa que examina por que as pessoas, à medida que envelhecem, perdem a função executiva no cérebro, necessária para memória, atenção, percepção e resolução de problemas.

Levantamento — Frederic Wolinsky e seus colegas dividiram 681 pacientes saudáveis em quatro grupos. Cada um destes grupos foi, então, dividido novamente em segmentos com pessoas de 50 a 64 anos e aqueles acima dos 65 anos. Um grupo recebeu palavras-cruzadas computadorizadas, enquanto os outros três grupos jogaram um videogame chamado Road Tour, que consiste em identificar um tipo de veículo exibido rapidamente em uma placa veicular.

Solicitou-se aos participantes que identificassem novamente o tipo do veículo e o relacionassem com uma placa de trânsito exibida em uma ordenação circular de possibilidades. O jogador precisa acertar pelo menos três em quatro tentativas para passar de nível, o que acelera a identificação do veículo e adiciona mais distrações. “O jogo começa com uma avaliação para determinar sua atual velocidade de processamento. Seja qual for, o treinamento pode ajudá-lo a ficar uns 70% mais rápido”, diz Wolinsky.

Resultados — Os grupos que jogaram por pelo menos 10 horas (sessões semanais de duas horas), tanto em casa como em um laboratório na universidade, obtiveram, no geral, pelo menos três anos de melhoramento cognitivo quando testados depois de um ano. Um grupo que passou por um treinamento adicional de mais quatro horas com o jogo se saiu ainda melhor, melhorando suas habilidades cognitivas em quatro anos, segundo o estudo. “Não só evitamos o declínio das habilidades cognitivas, como realmente aceleramos essas habilidades”, afirmou Wolinsky.

Os cientistas descobriram ainda que aqueles que jogaram Road Tour tiveram uma pontuação muito melhor, quando comparados ao grupo que fez palavras cruzadas, em funções como concentração, agilidade com mudança de uma tarefa mental para outra e velocidade em que a nova informação é processada.

A melhora variou de 1,5 ano a quase sete anos em ganho no desempenho de determinadas atividades cognitivas — no Symbol Digit Modalities Test, um teste muito usado para detectar a perda cognitiva em adultos e crianças, o ganho foi de 6,6 anos. “Trata-se do fenômeno ‘use ou perca'”, diz Fredric Wolinsky. “O declínio cognitivo relacionado com a idade é real, acontece e começa mais cedo e permanece de forma constante. A boa notícia é que nós podemos fazer algo sobre isto.”

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