João Pessoa tem população nômade que vive pelas ruas

Publicado em segunda-feira, novembro 14, 2011 ·

ruasNa noite pessoense, uma população nômade e silenciosa procura abrigos em calçadas e frente de lojas. Com papelões servindo de colchões e os pertences carregados em mochilas velhas e surradas, moradores de rua se aglomeram em ‘points’ da cidade para enfrentar um noite onde o imprevisível pode acontecer.

Dados da Secretaria de Desenvolvimento Social de João Pessoa revelam que 27 crianças e adolescentes estão nas ruas, mas este contingente é bem maior quando as estatísticas consideram também adultos e idosos, mas a Secretaria não tem levantamentos oficiais. Em uma noite no mês de outubro, a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA pôde ver mais de 20 adultos dormindo em calçadas das avenidas Epitácio Pessoa, Rui Carneiro, Centro e Tambaú. Alguns estavam famintos à espera de refeições que costumam ser distribuídas por grupos de voluntários durante à noite.

“Na rua, você não espere um bouquet de flores e uma caixa de bombom de chocolate. Você espere receber facada, martelada. Para viver na rua é preciso ser esperto e ficar ligado. Besta não se vira na rua”. A ‘dica’ é de Everton Navalca da Silva, 31 anos, que dorme em frente a uma loja do Parque Sólon de Lucena, a Lagoa, em João Pessoa.

O cenário de cartão postal não passa despercebido pelo rapaz. Indiferente à pobreza e a falta de um abrigo para voltar para casa ao final do dia, ele questiona: “tem lugar melhor para se viver?” Levantando a cabeça e apontado para a Lagoa, ele enumera os atrativos do lugar. “Aqui, eu tenho música ambiente, vinda dos bares instalados no anel interno da Lagoa, a paisagem linda da Lagoa, um céu lindo em que posso ver estrelas, tem banheiro, polícia, gente para ver ou para roubar se assim quiser ou precisar, tem tudo”, confidenciou.

Mas, no mundo da rua, o migrante de Belém do Pará, que há dois anos chegou a capital paraibana graças a carona de vários motoristas, acorda de madrugada quando ouve algum barulho estranho – pode ser um ‘rato’ da noite à procura de droga ou de algo para roubar.

Everton acha que é uma pessoa feliz. Está melhor que a maioria dos amigos, desesperados por não terem como garantir o sustento. Como artesão, que faz esculturas de arame, vende o material na Lagoa por preços que variam entre R$ 10,00 a R$ 20,00. Em dias de sorte, consegue bem mais pelos produtos e faz questão de enfatizar que um de seus trabalhos já foi vendido por R$ 400,00. “Foi um gringo que comprou, era uma linda balança de precisão ”, declarou.

O artesão aprendeu a criar peças em miniatura com arame quando vivia em comunidades hippies de Belo Horizonte (MG); em Canoa Quebrada (CE); e em Natal (RN). Outra fonte de aprendizado, segundo Navalca, foi um cunhado estrangeiro que ao casar com sua irmã criou uma loja de artesanato em Pipa (RN) e mostrava as peças para ele aprender.

Enquanto manipula rapidamente seu alicate e cria mais uma pequena escultura, Navalca conta a sua ‘sina’ de errante. Ele conta que está na rua desde que o pai morreu quando tinha 15 anos. Questionado por onde está a mãe ele é enfático: “Ela tá no meio do mundo. Eu não vivia com ela, morava com minha avó, mas desde os 9 anos eu trabalhava. Vendia jornal, bala jogo de chave”, declarou.

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