Inclusão digital em São Paulo ainda está só no interior

Publicado em terça-feira, Março 6, 2012 ·

São Paulo – Vitais para a geração de conhecimento pela população, a maior cidade do Brasil ainda carece de políticas públicas eficientes de inclusão digital e aparece como um dos principais desafios para gestores que buscam uma sociedade menos desigual, além de mais informada. Iniciativas de sucesso pelo interior do próprio estado de São Paulo e de outros pontos do país podem servir como ponto de partida para a solução da questão.

O secretário municipal de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Franklin Dias Coelho, cita bons exemplos de cidades inteligentes, que podem servir de modelo para uma boa política pública de inclusão digital em São Paulo.

“Para garantir este direito (de inclusão digital) temos que trabalhar uma infraestrutura capaz de permitir que a população possa estar inserida nas novas vias de comunicação e nas novas estradas do conhecimento. Este conceito se aplica às cidades independentemente das escalas”, disse Coelho. Para ele, assim como nos anos 1950 o ex-presidente Juscelino Kubitschek dizia que as estradas abririam caminho para o desenvolvimento, “hoje podemos dizer que os programas de cidades digitais podem abrir caminhos para o país se inserir na sociedade do conhecimento e da informação”.

O secretário carioca comentou também o desinteresse da maioria dos administradores públicos pelo tema. “Ainda não há uma consciência dos gestores de que este processo é inexorável, e que determina caminhos e padrões de desenvolvimento de cada cidade”, criticou. Para ele, exemplos bem-sucedidos em pequenas cidades poderiam ser utilizados como experiência em metrópoles como São Paulo.

De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência e a Rede Nossa São Paulo, divulgada no início do ano, os paulistanos deram nota 5,3 – numa escalad de zero a 10 – para as políticas públicas para o acesso gratuito à internet, 0,2 ponto abaixo da média nacional, que é 5,5. O acesso ao uso da internet recebeu nota 6,9, mas a proximidade de telecentros, infocentros e lan houses privadas recebeu uma avaliação pouco menor, de 6,3.

Cidades inteligentes

Alguns municípios souberam realizar a verdadeira – e gratuita – inclusão digital entre seus habitantes.Bastou boa vontade e cooperação dos administradores púbicos. Tarumã, a 460 quilômetros a oeste de São Paulo, com 12.883 habitantes, e Piraí, distante 70 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro (com 26.309 habitantes), são dois modelos a serem seguidos pelas metrópoles. Por meio de iniciativas públicas, ambas conseguiram proporcionar ações diferenciadas para sua população, que ganhou com as novas oportunidades geradas.

Tarumã instituiu um sistema de cadastramento digital integrado para a saúde, assistência social e educação. Dessa forma, na saúde por exemplo, há uma cadeia digital que se estende desde o agente que visita as famílias até o médico que presta o atendimento final, tudo em um banco de dados que além de facilitar o processo tornando-o mais dinâmico e evitando perdas, economiza papel.

Para os estudantes tarumaenses, o executivo municipal implementou medidas para incentivar a continuidade das atividades escolares. Além de disponibilizar computadores públicos, há um incentivo para cursos de longa distância em universidades de cidades próximas, como São Carlos. Para o estudante que possui computador próprio, a prefeitura banca o uso da internet, cabendo ao cidadão a compra apenas do equipamento – R$ 150.

No caso de Piraí, Dias Coelho, um dos elaboradores do projeto, explicou que o processo iniciado em 2000 contou com a implantação de uma rede de fibra ótica em toda a cidade, além da implementação de 16 centros de aprendizagem tecnológica e outras unidades volantes, chamdas de Naves do Conhecimento. Ele contou ainda que foi disponibilizado um sistema wi-fi (internet sem fio gratuita) para toda a população do bairro Santa Cruz, que possuía na ocasião o menor Índice de Desenvolvimento Humano da cidade.

Além do aumento na oferta de inclusão digital para a população, Dias explicou que quatro grandes áreas de atividades foram criadas com seus objetivos específicos. A primeira para tratar de serviços públicos, como sistemas de tributação online e atendimento à saúde; a segunda foram ambientes virtuais de aprendizagem e educação; a terceira, voltada para a cultura; e a quarta foram os telecentros para, entre outras coisas, desenvolvimento de projetos comunitários.

“A partir dessa experiência, nós a reproduzimos no Projeto de Corredor Digital do Vale Histórico do Café, no Estado do Rio de Janeiro, e fizemos o projeto Estado do Rio de Janeiro Digital, além de coordenarmos a implantação do Projeto Baixada Digital”, diz o secretário carioca.

Outros programas públicos existem para incentivar a inclusão digital em São Paulo. O Acessa SP (estadual) e o Telecentros.BR (federal) são dois exemplos de projetos já existentes no estado mas que ainda não ganharam grandes proporções. Para o especialista carioca, o projeto criado em outubro de 2011 intitulado Cidades Digitais, promovido pelo Ministério das Comunicações, pode ser uma solução possível para pequenas cidades e um bom início para a capital.

“As cidades digitais que usam acesso wi-fi para residências são pequenas cidades e creio que no caso de São Paulo exigiria uma rede mais complexa utilizando inclusive uma infraestrutura já instalada e as formas de ocupação urbana de cada bairro”, disse o especialista.

A disponibilidade de redes wi-fi livres em São Paulo já foi tema de campanha na última eleição para a prefeitura, mas não prosperou dentro do poder público, e acabou esquecida pelos cidadãos. Brasília é uma das pioneiras em adotar a iniciativa em pontos estratégicos da cidade, como parques e alguns ambientes públicos. A promessa do governador distrital, Agnelo Queiroz, é que até 2014 todo o Distrito Federal tenha cobertura de internet de alta velocidade gratuitamente.

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