Igreja símbolo da luta contra apartheid lota em memória a Mandela

Publicado em domingo, dezembro 8, 2013 ·

missa-for-mandelaNum dos locais simbólicos da resistência ao apartheid, a igreja Regina Mundi, em Soweto, a missa deste domingo foi mais longa e concorrida do que o habitual. Por cerca de três horas, centenas de sul-africanos rezaram e cantaram em memória de Nelson Mandela.

Em todo o país, segundo o cronograma definido pelo governo, hoje foi um dia de oração e reflexão. Catedrais, igrejas de bairro, sinagogas, mesquitas e locais de culto religioso em geral prepararam algo diferente para a tradicional celebração de domingo, o primeiro desde a morte de Mandela, na quinta-feira.

Na Regina Mundi, igreja católica no mais emblemático bairro de Johannesburgo, Mandela é lembrado em um mural na entrada, ao lado de vidraças com buracos de bala com quase 40 anos de idade, ainda preservados. Para lá correram jovens perseguidos pela polícia na revolta do Soweto, de 1976, um dos momentos marcantes da luta contra a segregação racial.

“Agradecemos a Deus pelo farol de reconciliação que Madiba foi”, disse o padre Sebastian Rossouw, citando o apelido do líder. “Deus nos enviou Isaías, depois João Batista, depois Mandela. Ele nos mostrou que a luz pode brilhar na escuridão”, afirmou.

Senhoras de vestido azul claro e gorro roxo, da congregação da Imaculada Maria, sentadas ao lado do palco, puxavam cânticos religiosos e tradicionais africanos, ao som de tambores. O refrão “Nelson Mandela/Não há ninguém como ele”, na língua local soto, foi dos mais entoados.

Embora não fosse católico, Mandela tinha especial relação com a igreja Regina Mundi. Uma de suas mais famosas imagens, fazendo uma dancinha com os braços dobrados na altura do quadril, foi tomada no alta da igreja.

O prédio é rico em simbolismo. Vitrais mesclam as tradicionais imagens cristãs com silhuetas de pessoas negras. Um quadro com Maria e Jesus negros adorna a parede, e a Bíblia exposta está escrita em zulu, outra língua local.

Ao lado do altar, um livro de condolências foi aberto, junto a uma vela e à foto de Mandela. “Ele sofreu, ele sentiu a dor. Perdemos um pai, um avô e um filho da África”, dizia uma mensagem.

Mandela deve ser enterrado no domingo que vem em Qunu, vila de origem da sua família.

 

Folha

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