Igreja Católica expulsa religiosos condenados por pedofilia

Publicado em quarta-feira, Janeiro 4, 2012 ·

Informação foi confirmada pelo representante do Vaticano no processo

Religiosos não fazem mais parte da Igreja Católica

Os monsenhores Luiz Marques Barbosa, de 84 anos, Raimundo Gomes, de 50, e o padre Edilson Duarte, de 43, condenados em primeira instância por crime de pedofilia, foram expulsos da Igreja Católica por determinação do órgão sentencial da instituição, a Santa Sé.

A informação foi passada na terça-feira (3) ao Tribuna Hoje pelo pároco da Igreja de Santa Luzia, do município de Penedo, padre Daniel Nascimento, que foi licenciado pelo Vaticano para acompanhar, em Alagoas, o julgamento dos sacerdotes de Arapiraca pela Justiça comum.

Ele argumentou que a Igreja só estava aguardando a Justiça brasileira divulgar o veredicto para que um relatório fosse elaborado por ele e em seguida encaminhado ao Vaticano, para que as punições cabíveis fossem proferidas.

A decisão é clara: “Os sacerdotes não fazem mais parte dos quadros da Igreja Católica no Brasil ou em qualquer parte do mundo”. No documento sentencial encaminhado às residências dos respectivos sacerdotes, consta que eles estão proibidos de celebrar missa e exercer quaisquer outras funções  em nome da Igreja.

Assim como os monsenhores e o padre, os ex-coroinhas Fabiano da Silva, Cícero Flávio e Anderson Farias receberam o comunicado oficial do Vaticano em suas residências. O padre Daniel Nascimento contou que esteve em Arapiraca desde segunda-feira e revelou que poderá fazer uma viagem ao Vaticano e relatar pessoalmente como foi o caso e o seu desfecho.

No dia 26 de dezembro passado, o bispo de Penedo, Dom Valério Brêda, revelou que as notificações estariam resguardadas e seriam disponibilizadas à imprensa ainda em 2011, No entanto, durante a última semana do ano, o bispo colocou obstáculos na divulgação das notificações, o que de fato só veio a ocorrer nesta terça-feira.

Nos dias 12 e 25 de novembro, os processos administrativos canônicos relativos aos clérigos já haviam sido concluídos.

O caso

Em fevereiro de 2010, os vídeos contendo cenas de sexo envolvendo o ex-monsenhor Luiz Marques e ex-coroinhas do município de Arapiraca ganharam publicidade na imprensa nacional seguidos de denúncias de pedofilia envolvendo três sacerdotes e três adolescentes. Quando maiores de idade, Fabiano, Cícero e Anderson resolveram fazer denúncias dos abusos sexuais que culminaram em condenação dos ex-clérigos por pedofilia, no dia 19 de dezembro de 2011, por determinação do juiz da Vara da Infância e do Adolescente, João Luiz Azevedo.

Substitutos

Com a sentença da Igreja Católica sobre os párocos acusados de pedofilia proferida, a diocese de Penedo, que abrange em sua circunscrição o município de Arapiraca, divulgou as alterações a serem feitas nas paróquias de Arapiraca com a ausência dos monsenhores e do padre.

O padre Daniel Nascimento comunicou que o monsenhor Luiz Marques será substituído pelo padre Antônio Lopes Fonseca na paróquia de São José, localizada no bairro do Cruzeiro, em Arapiraca.

O monsenhor Raimundo Gomes será substituído pelo padre Antenor Montenegro, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, que fica no bairro Jardim de Maria. Por fim, o padre Edilson Duarte não será substituído.

No documento, consta que o ex-sacerdote realizava trabalhos auxiliares para o padre Murilo dos Santos na Igreja Nossa Senhora de Fátima, no bairro do Centro, e não era titular na celebração dos cultos.

Recursos

Muito surpreso com o veredicto da Igreja Católica, o advogado Thiago Mota, que atua em  conjunto com Bruno Cardoso na defesa do padre Edilson Duarte, evitou tecer comentários sobre a condenação eclesiástica recebida na tarde de ontem. Mas ele antecipou que a decisão do Vaticano cabe recurso e que dará seguimento aos procedimentos canônicos para revertê-la, assim como também prevê entrar com recurso na Justiça comum.

“O meu cliente foi intimado no domingo e ainda não analisei o conteúdo da decisão, mas posso dizer que o procedimento foi sumário, não houve ampla defesa. Ingressaremos com recurso”, revelou o advogado, ao informar que ia ao encontro de Edilson para apreciar a sentença.

Thiago Mota disse que vai preparar a apelação e manter contato com a Santa Sé para coletar informações referentes ao prazo de recurso. Ele ressaltou que o procedimento canônico de defesa não tem qualquer ligação com à Justiça comum.

O advogado Thiago Mota chegou a criticar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, em entrevista à Tribuna Hoje, no dia 23 de dezembro. Na concepção do advogado, o seu cliente, Edilson Duarte, foi coagido pelo então coordenador da sessão e senador Magno Malta a dizer inverdades a respeito de sua sexualidade e a dos outros padres.

Tribuna do Norte

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