Ramalho Leite – Humberto merece respeito

Publicado em quarta-feira, junho 1, 2011 ·

ramalhoSe há alguém na Paraíba que possa ser apontado como construtor de um partido político, ele atenderia pelo nome de Humberto Lucena. Herdando de Ruy Carneiro o acervo do antigo PSD extinto pelo movimento de março de 1964, Lucena incorporou ao partido os dissidentes da ARENA então agrupados no Partido Popular de Tancredo Neves que aqui era presidido por Carneiro Arnaud, sem perder os ortodoxos, como ele costumava chamar antigos correligionários: de Inácio Pedrosa a Mazureik Morais, de José Maranhão e Ronaldo Cunha Lima, passando pelos Gadelhas, de Marcondes, este tendo chegado a ser um “autêntico” do MDB mesmo mantendo afinidade com o Presidente Figueiredo e sendo responsável pelo lançamento da candidatura de Silvio Santos a Presidência da Republica juntamente com Edison Lobão e outro que formaram os chamados pejorativa e injustamente de “Os três porquinhos”. Mas essa é outra história…

Juntamente com Antonio Mariz e João Agripino  ingressei no PMDB e cheguei a sua vice-presidência, acumulando a liderança do partido na Assembléia e respondendo pela presidência na ausência de Humberto Lucena. Antes de alcançar o poder com a eleição de Tarcisio Burity ao Governo da Paraíba, participei, sob o comando de Humberto, da estruturação do partido em condições tais que permitiu a vitória nas urnas e a manutenção do poder por longos anos, até que a cizânia se instalasse no seio da agremiação e o partido fosse dividido dando surgimento ao PSDB liderado pelos Cunha Lima – tio, pai e filho.

Foi sem dúvida a ausência de Humberto e do seu espírito conciliador que permitiu a divisão do partido que construiu, vencendo tantas e inesquecíveis batalhas.Ao passar o bastão do partido não encontrou nos seus sucessores o mesmo discurso, de união e companheirismo, que deu sustentabilidade a um outrora aguerrido PMDB que sobrevivera a inúmeras tempestades e chegara a um mar tranqüilo.

A luta de Humberto Lucena foi esquecida em pouco tempo. Primeiro deram as contas do seu irmão Haroldo retirando-lhe a Presidência do Partido para premiar um ilustre desconhecido. Depois abandonaram sua filha, a deputada Iraê Lucena, à própria sorte, culminando com a sua não eleição para a Assembleia quando sobraram milhares de votos no bizaco da primeira sobrinha, Olenka Maranhão.

Como se não bastasse, de vez em quando, parte da presidência do partido construído por Humberto a ameaça de expulsão de sua filha. Seria cortar o ultimo liame, o cordão umbelical de Humberto com o PMDB. Onde ele estiver, estará se revirando em revolta com a ingratidão que lhe perpetram post mortem. Iraê Lucena, pelo que é e pelo que representa não pode ser expulsa da casa do pai. A memória de Humberto merece respeito!

RAMALHO LEITE

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