Hitler de Almeida Lima

Publicado em sábado, novembro 16, 2013 ·

artigoramalho

Horácio  de Almeida Lima publicou foto na rede social dando conta de que estava lotado o teatro Severino Cabral quando do seu espetáculo de contador de histórias. Em Campina Grande foi mais feliz do que quando pretendeu lançar um livro em Brasília e apenas sete convidados compareceram, contando com duas crianças que gritavam no teatro vazio para ouvir o eco da própria voz, conforme narra.Especialista em alterar os fatos históricos e romanceá-los com novo cenário, desmente o Grito do Ipiranga e o transporta para a margem do rio Curimataú, quando Dom Pedro teria gritado para os portugueses do noutro lado da margem do rico seco: “Seus filhos da puta! Agora quem manda nessa p. desse país sou eu.”E temendo o facão do príncipe, correram todos os  portugas “com o rabo entre as pernas”…

Sua capacidade inventiva se supera quando acorda pela madrugada na Fazenda Nazaré, em Cacimba de Dentro, e vislumbra pela fresta da porta entreaberta, uma comitiva motorizada que ultrapassa a porteira da fazenda. Seu pai, o velho Odilon, acossado pela diabetes, se descuidara da porta quando saiu para se aliviar no terreiro. A comitiva era precedida por duas lambretas com batedores, seguidas por um jipão, um aero-willys e quatro rurais. Respeitosamente, os demais veículos abriram passagem para o sedan que parou à porta da  casa grande do sitio, e dele emergiu um baixinho de bigode ridículo, acompanhado de uma bela mulher: eram Hitler e Eva Braun.  Ao saltarem, já encontram seus asseclas de braços estendidos e gritando Hair Hitler.

Depois de encenar seu suicido, Hitler teria rodado a esfera de um  globo terrestre e nele enfiado uma caneta.O local marcado foi a cidade de Cacimba de Dentro e para lá se dirigiu  o ditador nazista  para curtir a derrota e esquecer, na cachaça, a sua desgraça, pois nenhum remorso carregava por  ter eliminado milhões de judeus e provocado a morte de outras milhares de almas em todo o mundo.Com esse histórico que somente o dono da casa conhecia, era certo que o segredo desse exílio jamais seria revelado, para tranquilidade da família Almeida e dos moradores daquela pequena cidade do curimataú.

Não preciso dizer que o fuhrer se fez acompanhar dos seus principais colaboradores e, para acomodar a todos, até a dependência da máquina forrageira foi ocupada. O anfitrião se preocupava em manter a boa educação e o quarto do casal foi cedido. Os visitantes, depois de algum tempo, imiscuíram-se entre os moradores da cidade e se estabeleceram no comercio. Hitler foi o melhor verdureiro que já passou por Cacimba de Dentro. Nas horas vagas, entregava-se à cachaça Rainha e fazia belos discursos que ninguém entendia, mas gostava de ouvir pelo timbre de voz impositivo e destacado, naqueles ermos secos e desertos.

A convivência dos nazistas na Fazenda Nazaré chegou ao seu final após uma discussão entre Rudolf Hess e Goebbels, entendida pelo dono da casa, que, para evitar um mal maior, expulsou Hitler e seus fieis seguidores. Acomodados pela vizinhança, os asilados ganharam a confiança de muitos, e Hitler aprendeu até a cantar embolada e a apreciar a vaquejada no parque de Juarez Almeida, irmão do irreverente historiador às avessas. Eva Braun não teria aguentado as carraspanas de Hitler e começou a frequentar outras camas. Grávida, teve um filho cacimbense e até hoje, há controvérsias quando à identidade do pai dessa criança. Hitler, segundo Horácio de Almeida, àquela altura, além de cachaceiro, também virara corno.

 

 

RAMALHO LEITE

 

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