Gravidez, grito, crack, fotos e saber de traição ‘motivam’ mortes de mulheres

Publicado em quinta-feira, março 9, 2017 ·

 (Foto: Krystine Carneiro/G1)
(Foto: Krystine Carneiro/G1)

Morreram porque engravidaram, gritaram, sabiam de traição, tiraram fotos com outro homem, reconheceram estupradores, ou até porque alguém precisava consumir crack. Essa foi a realidade para algumas das mulheres vítimas de violência na Paraíba. Na Semana da Mulher, o G1 relembra casos marcantes de mulheres que morreram por “motivos” banais.

Com a atuação da polícia e ajuda de mobilizações sociais, é possível ver Justiça sendo feita. Os assassinatos de Briggida Lourenço, Aryane Thais, Fernanda Ellen e das mulheres de Queimadas, por exemplo, foram desvendados e os autores estão presos. Outros casos, como as mortes de Vivianny Crisley e Rebeca Cristina, ainda estão em andamento, mas com os acusados presos, aguardando julgamento.

Briggida Lourenço foi morta pelo ex-marido, em João Pessoa (Foto: Reprodução/Facebook)Briggida Lourenço foi morta pelo ex-marido, em João Pessoa (Foto: Reprodução/Facebook)

Briggida, morta porque tirou fotos com um homem
A professora Briggida Rosely, de 28 anos, foi encontrada morta dentro do próprio apartamento, em João Pessoa, em junho de 2012. Ela foi achada por vizinhos com sinais de estrangulamento. O ex-marido dela, o fotógrafo Gilberto Stuckert, foi condenado por homicídio qualificado a 17 anos e seis meses de prisão e cumpre pena em regime fechado no Presídio Sílvio Porto.

Durante o julgamento, ele assumiu ter cometido o crime e disse estar arrependido. Gilberto disse que amava Briggida e que perdeu a cabeça por ter visto um álbum de fotografias dela com outro homem, no dia em que foi procurá-la. Eles tinham passado oito anos casados e o ex-marido não aceitava o fim do relacionamento.

De acordo com o depoimento do réu, o casal brigou, trocou xingamentos, ela bateu nele e ele revidou. De acordo com os autos, Gilberto Stuckert asfixiou Briggida por ação mecânica, sem lhe dar qualquer chance de defesa.

Aryane Thais foi encontrada morta em 2011, em João Pessoa (Foto: Arquivo Pessoal)Aryane Thais foi encontrada morta em 2011, em João Pessoa (Foto: Arquivo Pessoal)

Aryane Thais, morta porque estava grávida
Mais de seis anos depois do crime, o bacharel em Direito Luiz Paes de Araújo Neto foi preso, em junho de 2016, pela morte da jovem Aryane Thais, que tinha 22 anos quando foi assassinada.

O corpo seminu da vítima foi encontrado às margens da BR-230, em João Pessoa. Segundo a perícia, Aryane estava grávida e o pai do bebê seria Luiz Paes. O exame foi encontrado no bolso da vítima. Para o Ministério Público, Paes matou Aryane porque não queria assumir a paternidade e simulou uma cena de crime sexual para confundir a polícia.

Luiz Paes foi condenado a 17 anos e seis meses em regime fechado pelo assassinato de Aryane Thais. A condenação aconteceu em setembro de 2013, mas, durante cerca de três anos, ele recorreu da sentença nos tribunais paraibanos e em Brasília, mas teve todos os pedidos negados. Em junho de 2016, ele se entregou à Justiça e desde então cumpre pena em regime fechado no Presídio Sílvio Porto, em João Pessoa.

Corpo de Fernanda Ellen foi encontrado enterrado no quintal do vizinho (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)Corpo de Fernanda Ellen foi encontrado enterrado no quintal do vizinho (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Fernanda Ellen, morta por cinco pedras de crack
A estudante Fernanda Ellen, de 11 anos, passou três meses desaparecida, de janeiro a abril de 2013. O corpo dela foi encontrado enterrado no quintal do vizinho da família, Jefferson Soares, no Alto do Mateus, em João Pessoa. A polícia chegou até o assassino a partir da identificação do destino do celular da menina, que foi trocado por cinco pedras de crack dias depois de ter sido roubado.

A juíza Anna Carla Falcão entendeu que Jeferson matou a estudante para roubar o celular dela e, por esse motivo, ele não foi a júri popular, como acontece nos casos de homicídio. A menina foi morta por asfixia, em consequência de um estrangulamento. Depois do crime, ele enterrou o corpo para que ninguém descobrisse que ela estava morta.

Assassino confesso, Jefferson Luís Oliveira Soares  foi condenado a 31 anos de prisão pela morte de Fernanda Ellen e segue preso em regime fechado no Presídio PB1.

Izabella Monteiro e Michelle Domingues morreram após estupro coletivo em Queimadas (Foto: Arquivo Pessoal)Izabella Monteiro e Michelle Domingues morreram após estupro coletivo em Queimadas (Foto: Arquivo Pessoal)

Izabella e Michelle, mortas porque reconheceram estupradores
No crime conhecido como a “Barbárie de Queimadas”, cinco mulheres foram estupradas e duas delas mortas porque reconheceram os agressores, que eram supostos amigos das vítimas. O crime aconteceu em fevereiro de 2012, no município de Queimadas, no Agreste paraibano. As mulheres foram chamadas para uma festa de aniversário e lá, durante o que seria uma comemoração, foram estupradas pelos “amigos” que simularam uma assalto e usaram máscaras para não serem reconhecidos. O estupro coletivo seria um “presente” para o aniversariante.

Izabella Monteiro, de 27 anos, e Michelle Domingues, de 29, no entanto, os reconheceram. Uma delas foi morta com quatro tiros em uma rua central da cidade e a outra foi assassinada com três tiros na estrada para Campina Grande.

Os autores do crime foram presos quando acompanhavam o cortejo dos caixões para o cemitério. Três adolescentes foram condenados a cumprir medidas socioeducativas, e seis dos réus foram condenados pelos crimes de cárcere privado, formação de quadrilha e estupro.

O mentor da barbárie, Eduardo dos Santos Pereira, só foi condenado dois anos depois, em júri popular, a 108 anos e dois meses de prisão. Ele foi considerado culpado por dois homicídios, formação de quadrilha, cárcere privado, corrupção de menores, porte ilegal de arma e cinco estupros, além de lesão corporal contra um dos adolescentes envolvidos no crime.

Com exceção dos adolescentes, que já cumpriram três anos de internação no Lar do Garoto e foram soltos em 2015, todos os outros envolvidos permanecem presos em regime fechado no Complexo Penitenciário de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1. Eduardo vai cumprir a pena em regime fechado até que ela seja extinta, uma vez que o período para progressão para o semiaberto, com base nos 108 anos aos quais ele foi condenado, é de mais de 40 anos, enquanto que a de extinção da pena é de 30.

Vivianny Crisley estava desaparecida após festa em boate de João Pessoa, Paraíba (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)Vivianny Crisley ficou desaparecida após festa, em João Pessoa (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Vivianny Crisley, morta porque gritou
A vendedora Vivianny Crisley passou 15 dias desaparecida após ser vista saindo de um bar na Zona Sul de João Pessoa, entre outubro e novembro de 2016. O corpo dela foi encontrado carbonizado, em uma mata, em Bayeux, na Grande João Pessoa.

Três homens foram presos suspeitos de participação no crime. Primeiro Allex Aurélio Tomás dos Santos, em João Pessoa, e, em seguida, Jobson Barbosa da Silva Júnior, conhecido como Juninho, e Fágner das Chagas Silva, apelidado de Bebé, no Rio de Janeiro.

Segundo eles, o trio conheceu Vivianny na noite do crime, no bar em que eles estavam e de onde saíram de carro para procurar outro lugar onde encerrar a noite. Como não acharam outro bar aberto, foram para a casa de Juninho, em Bayeux, próximo ao local onde o corpo de Vivianny foi encontrado. Ela foi golpeada sucessivamente com chave de fenda na cabeça e seu corpo foi queimado com a ajuda de gasolina e um pneu.

De acordo com os depoimentos dos três, a motivação do crime foi o fato dela ter gritado dentro do carro e ficar “perturbando” o trio para ir para casa. Nenhum dos suspeitos revelou se havia intenção de estuprar Vivianny e, por conta do estado do corpo, a perícia também não conseguiu constatar se houve violência sexual.

Allex Aurélio, Jobson Barbosa e Fágner das Chagas foram denunciados pelo Ministério Público, em fevereiro, por sequestro, homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e crueldade, e ocultação de cadáver. Os três estão aguardando julgamento presos no Presídio PB1, para a própria segurança deles.

O advogado de Jobson, Bruno Deriu, informou que não foi intimado e que não vai se pronunciar sobre o caso no momento. Os advogados dos demais acusados não foram localizados.

Rebeca Cristina foi morta em João Pessoa em julho de 2011 (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco/Arquivo)Rebeca Cristina foi morta em João Pessoa em julho de 2011 (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco/Arquivo)

Rebeca Cristina, morta porque sabia demais
O indiciamento do acusado de matar Rebeca Cristina só aconteceu cinco anos depois do crime. Rebeca, com 15 anos, foi estuprada e assassinada em 11 de julho de 2011, no trajeto entre a casa da família e o Colégio da Polícia Militar, em Mangabeira VIII, Zona Sul de João Pessoa. O corpo da estudante foi encontrado com diversos tiros em um matagal na Praia de Jacarapé, na tarde do mesmo dia.

O único suspeito do crime é o cabo da Polícia Militar Edvaldo Soares da Silva, que era padrasto de Rebeca. Segundo o inquérito policial, há pelo menos 22 indícios de envolvimento dele no crime. Para a polícia, a menina foi morta porque descobriu um caso extraconjugal do padrasto após ver mensagens no celular do suspeito. Ele está preso no 1º Batalhão de Polícia Militar, aguardando julgamento desde julho de 2016.

O promotor Marcus Leite o denunciou por estupro e homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e mediante circunstâncias que impossibilitaram a defesa da vítima. Para o Ministério Público, não há dúvidas da participação dele no crime.

O advogado de Edvaldo, Gabriel Cirne, por sua vez, garante que não há nenhuma prova material que comprove envolvimento dele no crime e tem convicção de que ele vai ser absolvido se for a júri popular. A tese da defesa vai se basear na negativa de autoria do crime.

“Ele cumpriu a escala de trabalho no dia do crime, a perícia constatou que o material genético que estava nela não era dele. O problema é que ele usou a mídia, e a mídia devastou a pessoa dele. Mas nessa fase do processo, sob a luz do contraditório e da ampla defesa, as anomalias vão aparecer e todo mundo vai constatar a inocência de Edvaldo”, disse o advogado.

A primeira audiência de instrução do caso está marcada para esta quinta-feira (9), às 14h. Um inquérito complementar segue aberto para identificar uma segunda pessoa que estaria envolvida no crime. De acordo com o delegado Glauber Fontes, esta pessoa seria o executor do crime, mas o padrasto estaria nas proximidades do local onde a menina foi morta.

G1 PB

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