Governo faz avaliação positiva na segurança, mas violência supera 2010

Publicado em quinta-feira, dezembro 29, 2011 ·

Em 2010 João Pessoa registrou 469 homicídios, enquanto que 2011, no período de janeiro a novembro foram computados 534

20110613122717_01A operação de combate aos crimes de pistolagem na Paraíba que culminou com a descoberta de mais de cem assassinatos praticados por encomendas, principalmente na área do Sertão paraibano e outras operações direcionadas para o combate a criminalidade do estado são motivos de comemoração por parte da Segurança Pública que pretende no próximo desenvolver outras ações para reprimir crimes patrimoniais, homicídios, tráfico de droga, entre outras modalidades de crimes. Apesar da comemoração, na analise dos números e na avaliação dos trabalhadores em Segurança Pública, o setor vive um momento delicado.

Dados da Violência na Paraíba no ano de 2011

Denominados de Crimes Violentos Letais e Intencionais, com uma média de quatro assassinatos por dia, a ocorrência de homicídios na região metropolitana de João Pessoa tem provocado o acúmulo de inquéritos policiais na Delegacia de Homicídios da Capital, como também das demais cidades sem identificação dos autores.

O envolvimento com o tráfico de droga, disputa pelo comando de bocas de fumo e dívidas com traficantes são os principais motivos dos assassinatos.

Na tentativa de resolver casos de homicídios não esclarecidos a Secretaria da Segurança e Defesa Social solicitou a presença da Força Nacional de Segurança que teve a sua presença renovada pelo Ministério da Justiça.

Duas facções criminosas, denominadas de Al Qaeda e Estados Unidos surgiram com mais evidência neste ano de 2011 e para evitar maiores conflitos no Presídio do Roger, por exemplo, os integrantes estão em pavilhões diferentes para evitar conflitos.

Segundo estatística da área de segurança, 2011 apresentou um total, até novembro de 1407 assassinatos na Paraíba, número superior ao ano passado, com o registrou de 1370, sendo o mês de março com a ocorrência de 157 crimes, o mais violento.

De acordo com levantamento feito pelo Portal WSCOM, até o mês de novembro já havia registrado 534 homicídios contra 469 de 2010. Campina Grande, Patos, São Bento e Sapé, até novembro tinham contabilizado redução no número de assassinatos em relação ao ano passado.

Cidade                                      2010                           2011
Campina Grande                     166                             155
Sousa                                           2                                12
Sapé                                            23                                22
São Bento                                   12                                9
Patos                                           51                               49

Algumas cidades da Paraíba não registraram nenhum assassinatos, entre elas estão Aguiar, Algodão de Jandaíra, Amparo, Areia de Baraúna, Baraúnas, Belém Brejo do Cruz, Bonito de Santa Fé, Cachoeira dos Indios, Cacimbas, Campo de Santana, Caraúbas, Condado, Congo, Coxixola, Cubati, Curral de Cima, Curral Velho, Gado Bravo, Galante, Itabaiana, Itapororoca, Jericó, Junco do Seridó, Lagoa Nova, Marizópolis, Massaranduba, Mogeiro, Nova Olinda e Olho D’agua.

Em 2010 a cidade de João Pessoa registrou 469 homicídios, enquanto que 2011, no período de janeiro a novembro foram computados 534 assassinatos com um aumento de 65 crimes.

Entre os casos insolúveis está o assassinato da estudante Rebecca Cristina Alves, de 15 anos, ocorrido no início do dia 9 de julho ainda não foi solucionado. O corpo da jovem foi encontrado crivado de balas na mata de Jacarapé e apresentando sinais de violência sexual.

O inquérito policial está a cargo de dois delegados que ainda não conseguiram dar uma resposta sobre o andamento das investigações, mesmo com a cobrança da família da estudante e da sociedade.

Rebecca Cristina desapareceu por volta das 6h30 do dia 9 de julho entre sua residência, no bairro de Mangabeira e o Colégio da Polícia Militar, onde estudava. O desaparecido somente foi percebido porque ela sempre chegava cedo ao colégio e como não apareceu os familiares foram procurados. No início da tarde daquele dia o corpo foi encontrado.

A faixa etária entre 18 e 23 anos tem o maior número de pessoas assassinadas. Um total de 310 crimes ainda é menor do que o número ocorrido em 2010 que chegou a 323 até o mês de novembro.

No primeiro ano de governo Ricardo Coutinho a operação de maior destaque foi “Laços de Sangue”, que ganhou destaque nacional, inclusive com reportagem exclusiva no Programa “Fantástico” da Rede Globo. As mortes eram provocadas por uma rixa entre duas famílias, que vinha se arrastando há décadas.

O governo também comemora ações contra tráfico de drogas, de combate ao crime organizado, prisão de grupos envolvidos com a clonagem de cartões de crédito e débito, roubo e adulteração de veículos.

A Segurança também destaca em 2011 a capacitação de mais de 1700 integrantes dessas corporações, a nomeação de 150 policiais civis aprovados no concurso em 2008, convocação de 700 policiais militares para Curso de Formação e ainda a promoção de 78 militares e 675 Policiais Civis.

Com opinião divergente, o presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil da Paraíba, Isaias Olegário, disse que a Polícia Civil não tem muito que comemorar, pois o governo não oferece incentivos ao policial. “A categoria está desmotivada. Hoje está vivendo do plantão remunerado quando adere à escala extra”, revelou.

Para o presidente do Sindepol, o governo do Estado já deveria ter chamado os concursados que inclusive já concluíram academia. “São cerca de 350 concursados para serem nomeados”, disse Isaias que abrange delegados, agentes, peritos, entre outras categorias do Grupo da Polícia Civil.

Em termos de investimentos o delegado Isaias Olegário revelou que foram poucos. A aquisição de material foi pouca, as viaturas são locadas. O sindicalista lembrou que no geral todos aguardam um melhor entendimento do governo do estado com a categoria.

Já o coronel Francisco de Assis, presidente do Clube dos Oficiais da Polícia Militar e Bombeiro Militar da Paraíba, considera um retrocesso o governo Ricardo Coutinho para a segurança pública, em particular a Polícia Militar. para ele não houve avanço, olhando pelo aspecto material praticamente nada foi agregado a corporação, lembrando que o militar está andando maltrapilho pela não distribuição de fardamento levando o sub comandante a mandar prender um soldado.

Ele revelou que o policial está desestimulado, desmotivado porque a parte de política de pessoal foi para a estaca zero, a parte de treinamento deixou muito a desejar. Para Francisco, com esses dois seguimentos os dados mostram uma diferença muito grande do que vem sendo amplamente divulgado pelo governo do Estado. O que se vê, lembra, é o grande aumento da violência. “Os números estão ai para ninguém contestar, não só no aspecto de homicídios, como outros crimes, perderam o controle”, criticou.

Em relação a concursos, ele anuncia o aumento do efetivo, mas não divulga que esse pessoal que está sendo incorporado é de concursos realizados em governos anteriores e que concluíram os cursos este ano. Em relação ao concurso para oficial esse é normal e existe todos os anos.

paraibaurgente

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