Fora do PV, Marina Silva torce pelo governo Dilma

Publicado em segunda-feira, julho 11, 2011 ·

MarinaPVDepois de quase três décadas de militância partidária, a ex-senadora Marina Silva (AC), está sem legenda. Na quinta-feira, ela anunciou sua desfiliação do PV em um evento com simpatizantes e colaboradores de sua campanha presidencial em São Paulo. Embora tenha ficado só dois anos no PV, Marina admitiu que sofreu mais ao deixar o PT e disse ser grata ao PV por despertar na sociedade uma nova consciência política. Liderando um movimento suprapartidário que defenderá a sustentabilidade, a ex-senadora afirmou que também pretende procurar companheiros de outros partidos para colaborar com seu novo projeto.

Em entrevista ao Grupo Estado, Marina falou de sua gratidão ao PV – legenda que lhe permitiu sair candidata à Presidência da República nas eleições passadas e angariar um eleitorado de cerca de 20 milhões em todo o País -, mas também lamentou que o partido não se abriu para as transformações que seus eleitores esperavam. “Espero que o PV possa se refazer para poder metabolizar isso que nós suscitamos na sociedade. Lamentavelmente (agora) não foi possível e eu não vou ser incoerente com aquilo que faço e aquilo que eu falo”, disse.

Durante uma hora de entrevista, Marina Silva falou do bom resultado obtido no pleito passado. Não apenas pelos 20 milhões de votos, mas porque a eleição não se resolveu de forma extemporânea no primeiro turno. “Pudemos perceber que as pessoas podem participar da política independente das estruturas e das alianças e fazer da sua participação algo relevante. Vimos o Brasil integrado aos movimentos que estão acontecendo no mundo”, revelou.

Marina contou que, além de simpatizantes e companheiros insatisfeitos com o PV, ela está discutindo a criação de seu movimento político com os deputados Alessandro Molon (PT/RJ) e José Reguffe (PDT-DF), com o senador Pedro Taques (PDT-MT) e a ex-senadora e vereadora de Maceió, Heloísa Helena (PSOL). “O movimento, que é uma nova forma de fazer política, deve estar dentro de todos os partidos. Eu tenho conversado com a Heloísa Helena e ela tem sinalizado muito fortemente que estará junto”, disse. A ex-candidata à Presidência da República pretende procurar também a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Eduardo Suplicy (PT-SP).

“O movimento está aberto para quem é de partido, quem não é de partido, para outros partidos e pessoas. Por isso não houve em nenhum momento a intenção de que isso fosse colocado como um partido. Acho que tem que ter um tempo para metabolizar isso, até para ver se a gente tem densidade política, teórica, de propostas e fundamentos. Não se faz um partido para concorrer às eleições”, justificou. “Imagine o que é fazer um partido já com uma somatória de interesses para concorrer as eleições em 2012. Não, de jeito nenhum. Agora vamos discutir até que isso se coloque”, reforçou.

Envolvida com sua nova realidade fora da política institucional, Marina pretende organizar uma rede suprapartidária, explorando o que considera uma das maiores conquistas da última campanha: o uso da internet e suas redes sociais.

A ex-senadora disse que torce pelo governo Dilma Rousseff e que espera investigações sobre as denúncias envolvendo o Ministério dos Transportes. “Vejo problemas, tenho preocupações, tudo isso que está acontecendo no governo – a perda de dois ministros já no início do governo -, todas essas denúncias gravíssimas que estão aí só denunciam esse sistema político a que me referi ontem. E se ela (Dilma) resistir, é claro que temos de resistir com ela”, disse, em um claro sinal de apoio.

Como foi o processo de saída do PV? Teve algum fato definidor, a chamada gota d’água?

Eu acho que teve uma pororoca, como disse o Ricardo Young (empresário que concorreu a uma cadeira no Senado e se desfiliou do PV com Marina). Foi essa mobilização que a sociedade fez nas eleições e continua fazendo. Tem algo mudando. As pessoas procuram uma forma de envolvimento que é diferente do engajamento da minha geração. Eu compreendo isso como um legado para a democracia brasileira, para o aperfeiçoamento das instituições. Toda essa mobilização, esses quase 20 milhões que votaram em nossas propostas em 2010, deveria ser recebida como um legado, para ser metabolizado pela sociedade, pelos partidos, organizações de governo. Ficou claro que a demanda da sustentabilidade é uma demanda da sociedade brasileira.

O PV foi um dos que não conseguiram absorver esse legado?

Lamentavelmente o PV ainda não se dispôs a metabolizar o que nós suscitamos na sociedade. Entrei no PV porque o partido estava disposto a passar por um processo de revisão programática e reestruturação. A ideia era transformá-lo num partido atualizado e capaz de dialogar com a sociedade. Me animei com essa propostas, com a expectativa de tirar do papel de mero espectador as pessoas que são militantes, simpatizantes do PV e de outros partidos, com o objetivo de dar-lhes o papel de protagonistas. Eu esperava que o PV pudesse fazer isso, mas ele não fez.

Houve algum fato, algum momento no qual a senhor percebeu que as tentativas de negociação com a direção do partido não dariam em nada?

Nós ficamos cinco meses depois das eleições sem uma reunião da Executiva Nacional do PV. Quando ela se reuniu, aconteceu o que vocês já sabem (o mandato da atual direção foi prorrogado). O que fizemos foi apresentar uma proposta, singela, de transição democrática, que incluía a escolha dos diretórios, a limitação dos mandatos de cargos de direção para dois anos, campanhas de filiação, recadastramento de filiados e um congresso para mudar o estatuto. Ao final haveria eleição para escolha de novos dirigentes do partido.

Foi mais difícil sair do PV ou do PT?

Seria hipocrisia dizer que não foi mais difícil sair do PT, no qual estou desde a fundação, com trinta anos de relações com pessoas que me são muito caras. Mas também não foi fácil sair do PV.

Fonte: Grupo Estado

Foto: Epitácio Pessoa

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