Fifa diz que não pretende repassar meia-entrada para preço de ingressos na Copa de 2014

Publicado em sexta-feira, outubro 21, 2011 ·

COPA-2014ZURIQUE – A possibilidade da cobrança de meia-entrada na venda ingressos para a Copa do Mundo de 2014 não parece estar tirando o sono da Fifa. Pelo menos de acordo com um dos principais executivos da entidade, o diretor de marketing Thierry Weil. Num briefing para jornalistas brasileiros realizado na manhã desta quinta-feira na sede da Fifa, em Zurique, Weil afirmou que a entidade não pretende repassar para o preço geral dos ingressos o custo de eventuais perdas com os descontos ou alterar a promessa de oferecer preços que atendam à realidade social do país.

– Esperamos uma demanda gigantesca pelos ingressos no Brasil, mas tentaremos ser extremamente justos com as pessoas de baixa renda (no preço dos ingressos) em relação ao nível de uma Copa do Mundo. Não faremos jogo de preço por causa da meia-entrada – afirmou o francês.

No entanto, Weil cobrou do governo brasileiro uma definição urgente sobre a Lei Geral da Copa para que a FIFA possa não somente traçar as estratégias de preço como de vendas, até porque prevê um desafio logístico nas operações. O executivo se recusou a especular sobre o valor dos ingressos, mas é possível imaginar uma estratégia similar à utilizada na África do Sul, um país com indicadores sociais bastante parecidos com os do Brasil, em que houve cargas de bilhetes baratos destinadas exclusivamente à população de baixa renda (menos de US$ 20).

– O que tenho a dizer sobre a Lei Geral é que a organização de operações é uma cadeia de eventos. Não podemos decidir algumas coisas sem começar outras. Precisamos de uma clarificação em breve. Não é crítico, mas precisamos resolver até o final do ano para que não fique extremamente complicado – disse Weil.

O francês informou ainda que, ao contrário da África do Sul, as vendas de ingressos do Mundial serão separadas da Copa das Confederações, para evitar confusão junto ao público e, obviamente, não sobrecarregar o bolso dos torcedores. Para a competição-teste, as vendas começarão em dezembro de 2012, enquanto para o espetáculo principal elas terão início no final de agosto de 2013. Já os pacotes de hospitalidade VIP e corporativa serão negociados a partir de novembro e pela primeira vez serão abertos também para pessoas físicas.

Mesmo com cronograma e logísticas prístinas, porém, a operação está longe de ser simples: a Fifa espera disponibilizar 3,3 milhões de entradas para 2014 com um mínimo de 89% do total destinados ao grande público. Apenas a demanda geral já deve ser mais de três vezes maior apenas no cálculo inicial da entidade, que não leva em conta o interesse despertado depois que times e locais de jogos forem conhecidos. Mas se espera uma correria ainda maior no panorama doméstico: o Mundial da Alemanha, por exemplo, teve sete pedidos locais para cada um estrangeiro.

Tem que ser levado em conta também o fato de, diferentemente da Alemanha, o percentual de brasileiros usando a internet é muito menor, o que forçará a Fifa a combinar vendas eletrônicas com físicas. Weil prevê a instalação de pelo menos 800 postos de venda em todo o país e desde já avisa que não haverá em estádios, para tentar evitar as cenas de caos que marcam as operações do gênero no futebol brasileiro. O que nem de longe significa que a ausência de filas.

– Não poderemos evitar filas. Elas fazem parte da natureza de um evento da magnitude da Copa do Mundo…

Complicado é também o adjetivo para as vendas destinadas a estrangeiros, especialmente diante de atrasos no cronograma de obras de infra-estrutura, sobretudo da rede hoteleira das cidades-sede cuja

capacidade de quartos está abaixo da demanda potencial, um problema que se soma a desafios naturais como as dimensões continentais do território brasileiro. Pensando nisso, a oferta será marcada pela flexibilização de pacotes, especialmente os ligados a determinadas cidades.

Outra mudança promete ser a distribuição de ingressos de cortesia, depois de diversos ingressos terem sido desperdiçados em jogos da África do Sul – as imagens de assentos vazios eram quase tão constantes quanto as de pessoas tocando vuvuzelas. Em 2014, o sistema deverá ser mais flexível, com a entrega do ingresso apenas no estádio. Inclusive para autoridades.

O Globo

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