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Faculdades de medicina na argentina criam novo kit de diagnóstico rápido Covid-19

Publicado em sexta-feira, julho 24, 2020 ·

A Universidade Nacional de Quilmes (UNQ) e a Universidade Nacional de San Martín (UNSAM), ambas referências entre as faculdades de medicina da Argentina, inclusive na área de pesquisa científica, criaram um novo kit de diagnóstico rápido para a Covid-19: o ELA CHEMSTRIP.

As duas universidades de medicina contaram com o apoio de suas empresas de tecnologia – Bio-Logical Products e Chemtest, respectivamente. O novo teste molecular, com base na amplificação isotérmica, consiste em três etapas, com tempo total de duração de uma hora e meia.

Ao contrário de outros métodos de teste, o ELA CHEMSTRIP COVID-19 permite o diagnóstico de pessoas infectadas com e sem sintomas. Portanto, é possível saber se o paciente está em fase de contágio ou não. O kit torna-se uma ferramenta fundamental para a aplicação dos protocolos de isolamento e tratamento precoce, contribuindo efetivamente para o controle da pandemia.

Uma vez realizado o exame, o resultado é visível em uma fita de papel, semelhante ao teste de gravidez. Mais de 80% dos insumos utilizados neste projeto são originais da indústria nacional, enquanto sua produção é 100% argentina e não requer equipamentos caros ou sofisticados.

Recentemente, o teste recebeu a aprovação da Anmat (Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología Médica) e, de acordo com os pesquisadores da UNQ e da UNSAM , sua aplicação pode ser massiva, pois estão em condições de produzir 80.000 kits por mês.

Em que consiste o teste ELA CHEMSTRIP?

De um modo geral, a Argentina contava com dois modelos para a realização de testes do novo coronavírus. Por um lado, o diagnóstico molecular usando a tecnologia qPCR (princípio baseado duplicação em cadeia do DNA), que detecta o material genético do vírus. Esse processo leva algumas horas para entregar os resultados e é atualmente realizado no Instituto Malbrán, em Buenos Aires, além de outros laboratórios descentralizados do país.

Por outro lado, existe o modelo sorológico, pelo qual são identificados anticorpos (isto é, a reação imunológica do organismo contra o vírus). Esse método pode ser usado ​​para detectar pacientes em estágio avançado da patologia e para estudos epidemiológicos de populações.

A lacuna entre as duas técnicas está sendo preenchida pelo ELA-CHEMSTRIP que, devido à sua especificidade, constitui uma alternativa sem precedentes. O exame é feito a partir de uma amostra nasofaríngea. Em um segundo estágio, o material genético do hissopo (RNA do vírus) passa pela amplificação isotérmica (a temperatura constante). Isso deve gerar milhões de cópias de segmentos específicos do genoma viral, se presentes. Finalmente, esse produto amplificado é colocado na faixa reativa que dará o veredicto: indicando duas faixas para diagnóstico positivo ou uma para negativo.

“Para esta primeira versão do teste é necessário pessoal qualificado, como um técnico de laboratório. Da mesma forma, algumas precauções também devem ser tomadas ao manusear a amostra para evitar contaminação. Já temos outras versões no portfólio que facilitarão um uso cada vez mais amigável para pessoas com pouco ou nenhum treinamento “, diz Daniel Ghiringhelli, chefe do Laboratório de Engenharia Genética e Biologia Celular e Molecular da UNQ.

“Após tantos anos de pesquisa, ver como o conhecimento que acumulamos condensa em uma resposta rápida a uma necessidade premente nos enche de orgulho. Estamos felizes, mas o contexto não nos permite desfrutar ou relaxar por nem um minuto ”, completa Ghiringhelli.

Com a crise sanitária, as universidades Argentinas redefiniram suas funções. Algumas processam amostras de coronavírus, outras operam como centros de saúde dando assistência às suas comunidades e, como se isso não bastasse, geram tecnologia de ponta para contribuir com a solução da epidemia em nível nacional. O novo papel destes centros de estudo superior se traduzem em compromisso social.

 

 

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