Exames genéticos precisam de motivo e recomendação médica

Publicado em sábado, Março 2, 2013 ·

Foto: Shutterstock
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Apenas alguns milímetros de sangue são necessários para descobrir inúmeras enfermidades ou propensões à doenças de origem genética. Os exames de DNA estão cada vez mais apurados e acessíveis, mas é preciso cautela. Nem sempre eles são necessários, e a banalização desses testes pode trazer mais riscos do que benefícios.

 

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Segundo a professora do Departamento de Genética do Instituto de Biociências na USP Angela Morgante, os exames genéticos em crianças só devem ser realizados com indicação médica. “São feitos quando existem problemas médicos. Crianças normais que não têm doenças não precisam fazer exame nenhum.” afirma. Esses testes são indicados quando a criança já apresenta outros sintomas de alguma doença que pode ter uma causa no DNA. Quando um aluno apresenta grandes dificuldades de aprendizado, por exemplo, o exame pode ser indicado pelo médico para ajudar a descobrir os motivos desse atraso na escola.

 

Para o diretor do Laboratório Genetika em Curitiba e Presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica, Salmo Raskin, a maioria dos testes são realizados por meio de coletas de sangue. São feitos principalmente três tipos de exames: os que analisam alterações nos cromossomos (sequência de DNA presente em todas as células do organismo) que podem revelar doenças como a síndrome de Down; os de DNA (analisam os genes que constituem o DNA) capazes de identificar mais de três mil doenças e são realizados de forma específica, quando existe a suspeita de alguma doença hereditária por exemplo; e os que avaliam problemas enzimáticos, como a intolerância a lactose.

 

Assim como Angela, Raskin também afirma que os exames genéticos só devem ser realizados com a indicação e orientação de algum especialista. “Existe um consenso mundial de que nenhum exame laboratorial deveria ser feito sem a solicitação de um médico. Ele é treinado pra saber se é necessário fazer um exame ou não”, afirma. Segundo Raskin, não existe uma idade ideal para a realização desses exames, eles devem ser feitos quando a criança apresenta sintomas que podem indicar uma doença. A exceção é a triagem neonatal, popularmente conhecido como Teste do Pezinho – que deve ser feito ainda nos primeiros dias do bebê e pode detectar doenças metabólicas, genéticas ou infecciosas. A maioria das enfermidades avaliadas tem tratamento se diagnosticadas antes dos primeiros sintomas se manifestarem.

 

Ainda de acordo com Raskin, os riscos que se corre ao realizar esses exames existem quando eles são realizados sem o acompanhamento médico (com exceção dos testes de paternidade, em que deve haver o consentimento de todos os envolvidos). “Esse tipo de exame (sem indicação médica) não oferece nada a criança,” afirma. Outro risco dos exames genéticos seria o de criar um estigma para a criança. “Alguns pais pensam que podem evitar o preconceito não fazendo o exame, mas também não vai saber se o filho tem a doença. Não descobrir a doença, não fazer o diagnóstico, é mil vezes pior do que qualquer preconceito. Quando existe a suspeita de alguma doença genética, é preciso fazer o exame,” explica Raskin. Mesmo nos casos em que não existe cura, é a confirmação fornecida por esses testes que possibilita a escolha do melhor tratamento e de uma melhor qualidade de vida para os pequenos.

 

 

Terra

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