Ex-prefeitos se sentem traídos e prometem vingança nas eleições 2012

Publicado em domingo, julho 3, 2011 ·

traidosA campanha eleitoral de 2012 só terá início após as convenções partidárias previstas para junho, mas os pretensos candidatos estão se articulando a todo vapor nos municípios. Mas o que mais chama a atenção é o intuito de vingança de ex-prefeitos que elegeram seus sucessores, se consideram traídos e romperam com os mesmos.

São vários casos na Paraíba. Para os ex-prefeitos que se consideram traídos, é questão de honra derrotar os atuais que vão para a reeleição, ou os candidatos daqueles que estão terminando o segundo mandato.

O cenário de vingança está projetado em municípios como São Bento, Mari, Duas Estradas, São José de Espinharas, Riachão do Poço, Santa Terezinha, João Pessoa, Bayeux, Riacho de Santo Antônio e Paulista, entre outros.

Em Bayeux, o prefeito Jota Júnior está terminando o segundo mandato. Foi eleito pela primeira vez com o apoio do ex-prefeito Expedito Pereira, uma das maiores lideranças políticas do município. A chapa vitoriosa de Jota Júnior, na campanha de 2004, tinha um irmão de Expedito como vice. Mas a aliança não demorou muito tempo.

Jota Júnior tomou gosto pelo cargo e logo tratou de escantear o esquema de Expedito Pereira. Sentindo-se traído, Expedito passou a fazer oposição a Jota Júnior. Nas eleições de 2008, os dois se enfrentaram nas urnas.

Mas Jota teve uma vitória ainda mais expressiva sobre o seu “criador” político, ao juntar-se com o esquema adversário que tem a liderança de Domiciano Cabral, eleito vice-prefeito e hoje deputado estadual.

Além do mais, Jota Júnior colocou seu irmão, Carlos Sousa, para ser candidato a deputado estadual em Bayeux em 2006 e em 2010, prejudicando Expedito Pereira, que não conseguiu se eleger. Carlos Sousa também não se elegeu.

Mas Expedito não desistiu. Está trabalhando para derrotar o candidato que será apoiado por Jota Júnior. Para Expedito, derrotar o esquema do atual prefeito, elegendo-se prefeito de Bayeux, é sua principal meta para 2012.

João Pessoa

Em João Pessoa, o prefeito Luciano Agra (PSB) vai disputar a reeleição. E terá no seu encalço o senador José Maranhão (PMDB), seja como candidato a prefeito, seja como apoiador de um candidato contra ele.

Agra foi eleito vice-prefeito de Ricardo Coutinho, nas eleições de 2008 com o apoio do então senador José Maranhão. Quando Ricardo Coutinho rompeu com Maranhão para se candidatar a governador, em 2010, consequentemente, Agra o seguiu.

Em 2012, o PMDB terá um candidato contra Agra. O partido, que é o maior e mais antigo do Estado, decidirá entre indicar Maranhão ou o deputado federal Manoel Júnior.

Questão de honra para o PMDB

Assim como para Maranhão, para Manoel Júnior e o PMDB também é questão de honra tentar derrotar o atual esquema político que comanda a Prefeitura da Capital. No primeiro mandato de Ricardo Coutinho à frente da Prefeitura de João Pessoa, o apoio do PMDB foi de fundamental importância para sua vitória, conforme lembra o próprio José Maranhão.

Na época, Maranhão indicou e o PMDB homologou Manoel Júnior como candidato a vice de Ricardo para as eleições de 2004. A chapa foi vitoriosa. Na eleição de 2006, Manoel Júnior foi eleito deputado federal. Com a faca e o queijo na mão, Ricardo ignorou nomes do PMDB para vice na eleição de 2008 e indicou Luciano Agra, do PSB.

Em 2009, Maranhão assumiu o Governo do Estado, em conseqüência da cassação definitiva do então governador, Cássio Cunha Lima, por crimes eleitorais. Foi então que a aliança entre PMDB e PSB começou a ir por água abaixo. As relações entre o então prefeito da Capital e o então governador começaram a estremecer e o rompimento aconteceu.

Resultado: Ricardo deixou a Prefeitura, foi buscar o apoio de antigos adversários- principalmente Cássio Cunha Lima e Efraim Morais- e o comando administrativo da Capital passou às mãos de Luciano Agra. Como forma de vingança- embora não falem esta palavra- Maranhão e Manoel Júnior articulam uma candidatura capaz de tirar a Prefeitura das mãos do socialista.

Renê Caroca: ele não tem votos

Em São José de Espinharas, o ex-prefeito Renê Caroca já decidiu: vai ser candidato a prefeito para mostrar que o prefeito Ricardo Vilar Wanderley Nóbrega não tem votos sequer para ser vereador. “Vou ser candidato para mostrar que ele não teria sido eleito sem o meu apoio nas últimas eleições”, declarou o ex-prefeito Renê Caroca.

Renê foi prefeito duas vezes e indicou Ricardo para sucedê-lo nas eleições de 2008. Ricardo foi eleito e logo passou a ignorar o seu criador político, ao se aproximar da oposição. “Desde que ele foi eleito, só procurou os nossos adversários. Ignorou quem o apoiou, quem esteve com ele desde o começou e deu importância aos adversários”, contou Renê Caroca.

Zé Afonso diz que foi duas vezes traído

O cenário político no município de Santa Terezinha é idêntico. O ex-prefeito José Afonso não vai poder se candidatar, mas já decidiu: a candidata será sua filha, Cecília Gayoso. E o propósito? Vingança. José Afonso ficou revoltado com o prefeito Davi Cordeiro de Oliveira, que foi eleito com seu apoio, e, ao ganhar gosto pelo poder, logo tratou de rompeu com seus apoiadores.

Zé Afonso, como é conhecido o ex-prefeito, disse que enfrentou duas traições na política de Santa Terezinha e que não vai suportar uma terceira. “Primeiro, apoiei Ruy Pontes, que foi eleito com o meu empenho e me traiu. Depois, apoiei Davi Cordeiro, contra Ruy Pontes. Ele foi eleito com meu apoio e também me traiu”, disse o ex-prefeito.

Ele lembrou que, ao chegar ás urnas eletrônicas, nas últimas eleições, os eleitores se depararam com seu nome e sua foto para elegerem Davi. “E ele me traiu”, reforçou Zé Afonso, que, para impor uma derrota mais expressiva ao ex-aliado, se juntou ao grupo político liderado pelo ex-prefeito Naide Cabral.

Naide foi prefeito por 14 anos. Teve uma filha prefeita e um genro prefeito. “Agora, estamos todos juntos em apoio à candidatura da filha de Zé Afonso, Cecília Gayoso”, declarou Naide Cabral. Cecília é filha de Zé Afonso e neta do ex-deputado estadual José Afonso Gayoso, já falecido.

Prefeito e deputado travam “guerra”

Caso parecido com os de São José de Espinharas e Santa Terezinha, ocorre em São Bento. Lá, o deputado estadual Márcio Roberto, que foi prefeito duas vezes, apoiou a eleição e a reeleição do atual prefeito, Jaci Severino de Souza, conhecido como Galego de Souza. os dois estão em “pé de guerra”.

Mas os desentendimentos foram inevitáveis e os dois estão rompidos. Hoje, Galego de Souza e Márcio Roberto travam uma briga interna no PMDB pelo comando do partido. Márcio se diz traído pelo prefeito e promete que vai derrotá-lo politicamente nas próximas eleições.

O deputado já decidiu que seu filho, Jullys Roberto, que tem 22 anos, será candidato a prefeito para derrotar o candidato do prefeito, que pode ser um sobrinho chamado Genilton, ou John Lúcio, que é primo do ex-prefeito Milton Lúcio. Só que Milton Lúcio é rompido com o primo e apoiará a candidatura de Jullys.

Na tentativa de ficar com o comando do PMDB, o prefeito Galego de Souza solicitou ao diretório estadual a dissolução do diretório municipal, comandado por Márcio Roberto, alegando falta de ética do deputado, no apoio político que ele está dando ao governador Ricardo Coutinho (PSB). Márcio rebate e diz que vai provar que o Gelego de Souza está cometendo infidelidade partidária.

Exemplos em Duas Estradas e Mari

Em Duas Estradas, o ex-prefeito Hélio Freire garante que vai voltar ao comando da Prefeitura, a partir de 1º de janeiro de 2013, para escantear, de vez, o esquema do prefeito Roberto Carlos. Hélio Freire foi aliado de Roberto Carlos. Segundo ele, Roberto Carlos era um soldado da Polícia Militar, que foi nomeado para secretário de Educação do municípios na sua gestão à frente Prefeitura.

Depois, Hélio transformou Roberto Carlos em vereador e prefeito. Mas o rompimento acabou acontecendo e Roberto Carlos tratou de desmontar o esquema de Hélio Freire, inclusive atraindo a esposa do adversário, a vereadora Verônica Pessoa, para seu esquema político.

Agora, Hélio promete se vingar como candidato a prefeito em 2012. A esposa voltou ao seu esquema e ele está montando uma estratégia para evitar que o candidato de Roberto Carlos ganhe as próximas eleições. Denúncias de irregularidades fazem parte da estratégia de Hélio para desgastar Roberto Carlos e seu candidato a prefeito.

Mari

Em Mari, o ex-prefeito Marcos Martins exerceu dois mandatos e sempre teve grande aceitação popular. Com seu prestígio, acabou elegendo, nas últimas eleições, o atual prefeito, Antônio Gomes da Silva. Não demorou muito e Antônio Gomes rompeu com Marcos Martins, que, agora, promete se candidatar a prefeito para mostrar que o atual só foi eleito por sua causa. A idéia de Marcos Martins é derrotar Antônio Gomes, nas eleições do próximo ano, mesmo que, para isso, se alie ao ex-prefeitos Adnaldo e Vera Pontes.

Jeová elegeu Cilinha e quer derrotá-la

Em Riachão do Poço, o ex-prefeito José Ferreira, conhecido como Jeová, também promete vingança contra o esquema liderado pela prefeita Auxiliadora Rêgo, conhecida como Cilinha. Jeová foi prefeito duas vezes e não tinha alternativa de nome para substituí-lo. Então, resolveu lançar a candidatura da secretária e telefonista da Prefeitura, Cilinha, que era de sua estrita confiança. Cilinha foi eleita com o apoio de Jeová. E até nomeou o ex-prefeito para secretário de Infraestrutura. Mas, tomada pela ânsia de poder, demitiu Jeová em menos de seis meses. Imprimiu seu estilo próprio de administrar, disputou a reeleição e ganhou. Agora, Jeová vai tentar derrotar o candidato que ela apresentar.

Riacho de Santo Antônio

Em Riacho de Santo Antônio, a briga é familiar. Duas vezes prefeito do município, Antônio Gonçalves apoiou, conseguiu eleger, reelegeu e levou uma rasteira de um sobrinho que criou as próprias asas. O sobrinho de Antônio Gonçalves é o atual prefeito, José Roberto de Lima, que está terminando o segundo mandato. Antônio Gonçalves já decidiu que é questão de honra tomar a prefeitura do comando do esquema do sobrinho.

Paulista

Após administrar o Município de Paulista, o ex-prefeito Sabiniano Marques apoiou a candidatura do prefeito Severino Pereira Dantas. Os dois permaneceram aliados por algum tempo. Mas o prefeito tomou gosto pelo cargo.

Após algum tempo, rompeu com o ex-prefeito, demitiu todos os nomes que ele tinha indicado para a Prefeitura e formou sou próprio grupo. Agora, Sabiniano fala em se candidatar a prefeito para evitar que alguém ligado a Severino seja eleito. Ou seja: ele quer tomar a prefeitura de volta.

Jornal Correio da Paraíba

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