Entrevista pioneira: Papa respondeu a perguntas dos fiéis pela televisão pela primeira vez

Publicado em domingo, Abril 24, 2011 ·

papaOs entrevistadores incluíram uma criança japonesa, uma mulher muçulmana e a mãe de um rapaz em coma irreversível: pela primeira vez na história, um Papa esteve na televisão a responder a perguntas dos fiéis sobre Jesus Cristo, a fé e os ensinamentos da Igreja Católica.

O “histórico” diálogo televisivo com o Papa Bento XVI foi transmitido no canal estatal italiano RAI 1: um programa pré-gravado de 80 minutos, produzido para assinalar a Sexta-feira Santa (terminou exactamente às três da tarde, a hora a que se acredita Jesus Cristo ter morrido na cruz).

A apresentadora, Rosário Carello, explicou que a emissão foi pensada para recordar aos telespectadores o “significado especial” daquele feriado religioso que, segundo criticou, “se transformou num dia igual aos outros, com as típicas gritarias, banalidades e discussões” da programação televisiva em Itália.

Desde que se tornou Papa, Bento XVI só concedeu duas entrevistas a jornalistas. As perguntas foram seleccionadas entre milhares submetidas por pessoas no mundo inteiro: no final, o Pontífice respondeu a sete, algumas sobre temas polémicos como a eutanásia ou o diálogo inter-religioso, mas nenhuma das quais sobre os assuntos polémicos e que têm manchado a reputação da Igreja, nomeadamente os casos de abusos sexuais por padres – Bento XVI mencionou a crise na liturgia da véspera, falando na “vergonha da Igreja nos seus próprios falhanços”. Ainda assim, os comentadores do Vaticano saudaram a iniciativa, que consideraram ser um passo positivo no sentido de maior transparência e abertura da Igreja.

A primeira questão foi colocada por uma menina japonesa de sete anos, sobrevivente do terramoto de 11 de Março, que não sabia porque sentia medo e sofria tanto depois do desastre que destruiu a sua casa e a fez perder tantos amigos. O Papa respondeu que também se perguntava a mesma coisa, observando que também Jesus Cristo sofreu. “Não temos resposta para muitas perguntas, mas sabemos que o sofrimento de Cristo não foi em vão”, declarou.

A mãe de um rapaz em estado vegetativo há mais de dois anos tinha dúvidas se o seu filho ainda tinha alma. O Pontífice a garantiu-lhe que o coma não impedia a alma do jovem de abandonar o seu corpo ou de sentir a presença de amor. “A comparação que lhe posso oferecer é a de uma guitarra, que com as cordas partidas já não toca”, disse.

A sete estudantes cristãos de Bagdad o Papa pediu para “resistir à tentação de emigrar”, apesar de reconhecer que o seu desejo de fugir era “muito compreensível tendo em conta as condições de vida” no Iraque.

Uma muçulmana da Costa do Marfim pediu ao Pontífice um conselho para lidar com violência que tomou conta do seu país na sequência de um conturbado processo pós-eleitoral. “A violência nunca vem de Deus e nunca traz nada de bom; é um meio destrutivo e nunca um caminho para escapar às dificuldades”, observou Bento XVI.

À noite, o Papa preside às cerimónias na basílica de São Pedro e participa na tradicional Via Sacra junto ao Coliseu de Roma. Em mais uma inovação, os documentos preparados para acompanhar a procissão foram escritos pela irmã Maria Rita Piccione, da Ordem das Agostinianas, fazendo de Bento XVI o primeiro Papa a ouvir meditações escritas por uma mulher.

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Foto Reuters

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