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Entenda os perigos de escalar montanhas muito altas

Publicado em quinta-feira, julho 4, 2019 ·

Todos os dias alpinistas de todo o mundo se arriscam subindo montanhas. E chegar ao cume delas deve realmente ser muito prazeroso. Olhar para o que tem embaixo, se ver tão grandioso, provavelmente, é uma das maiores recompensas. Mas todos esses sentimentos de felicidade andam lado a lado com riscos e sacrifícios.

Os perigos que esses alpinistas correm ao percorrem o caminho até o cume das montanhas mais altas viraram foco de discussões entre especialistas depois que ao menos onze deles morreram em um intervalo de apenas uma semana, no mês de maio deste ano, tentando chegar o pico do Everest. Com a temperatura contribuindo para a escalada, vários alpinistas fizeram fila na montanha enfrentado os riscos do frio e da altitude do lugar.

As mortes serviram para acender o sinal de alerta para a superlotação da montanha mais alta do mundo. O debate gira em torno da promoção de regras que garantam mais segurança aos que querem viver a emoção de escalar essas montanhas.

Na ocasião, com toda a repercussão que as mortes causaram, várias autoridades governamentais em Katmandu, a capital do Nepal, disseram estar analisando o que havia acontecido. Entre as potenciais providências a serem tomadas está a possibilidade de exigir que todos os que se candidatem a subir o Monte Everest apresentem provas de experiência em montanhismo e um atestado de saúde.

Em recente entrevista à Betway, dois experts sobre os assuntos falaram dos desafios de escalar o monte. Ayesha Zangaro foi a mais jovem brasileira a conseguir o feito de chegar ao cume do Everest. Ela fez isso em 20 de maio do ano passado, quando tinha apenas 23 anos de idade. Ela contou que a experiência toda leva pelo menos dois meses. De acordo com Ayesha, “a jornada para o Everest começa em Katmandu, capital do Nepal, de onde saem as expedições de diversos grupos e agências de logística. De lá, um voo até Lukla, cidade que está a 2.860m acima do nível do mar e é o principal ponto de acesso ao Himalaia”. A partir daí, de acordo com Ayesha Zangaro, “os primeiros dias são o trekking de aproximação até o campo base. Demora, geralmente, 9 dias, contando com uma aclimatação bem-feita e cuidadosa”.

Durante a conversa com o time de conteúdo da Betway Cassino, Manoel Morgado, que chegou ao cume em 17 de maio de 2010, aos 53 anos, elenca os riscos de o escalador corre no caminho. “Minha escalada foi razoavelmente tranquila, pois estava muitíssimo bem preparado, tanto em termos físicos como em termos de experiência, com mais de 30 anos de montanha. E tive muita sorte com o clima. Mas, mesmo assim, o Everest é uma montanha muito exigente física e psicologicamente. Estar no campo base, um dos lugares mais extremos do planeta, por dois meses é muito difícil. Lidar com a ansiedade de ‘será que vou dar conta? Será que o clima vai ajudar? Será que vou ficar doente?’, tudo isso, por tanto tempo, é muito complicado”.

Para Manoel, a paciência deve ser um dos itens de segurança a ser levado na bagagem do escalador. “Muita gente morre na descida, já que, muitas vezes por não ter a experiência necessária, não sabem quanta energia ainda têm no corpo, dão tudo para chegar no cume e não sobra para a descida”.

Para se entender melhor, a escalada pelo Everest passa por quatro acampamentos onde os alpinistas podem parar para descansar após passarem por uma cascata de gelo. O primeiro acampamento, considerado o de base, fica a 5.364m acima do nível do mar. O segundo, que possui melhor estrutura que o anterior, já fica a 6.400m de altura, o que reduz os níveis de oxigênio a condições extremas.

Depois de passar por eles, os escaladores chegam ao acampamento 3, que a 7.300m. O último é o 4, que fica a quase 8.000m. Esse fica na categoria chamada de “zona da morte”. Nele a eficiência de oxigênio é de um terço em relação ao nível do mar. De lá, atravessa-se alguns pontos de altíssimo risco, e segue-se o ataque ao cume, que fica a 8.848m.

Para Ayesha e Manoel, alguns pontos podem ser considerados os mais perigosos e que necessitam de ainda mais atenção. A cascata de gelo (Khumbu Icefall) e a zona da morte são apontadas por ela como os dois momentos mais arriscados da jornada.

“O Everest tem várias partes delicadas. A cascata é a parte mais inclinada do glaciar que desce do cume da montanha até seu campo base e, com isso, o gelo se fragmenta criando um caos de grandes blocos de gelo, alguns com mais de 30 metros de altura, que podem despencar a qualquer momento”, diz Manoel Morgado. Ayesha concorda: “é um lugar muito instável. Dependendo da temperatura ou outros fatores externos, é um lugar que se mexe”.

Ayesha Zangaro listou alguns pontos que contribuíram para que o ano de 2019 já seja um dos que mais registram mortes de escaladores no Everest. “Cada vez mais, o Everest tem chamado a atenção de pessoas com menos experiência. Além disso, há também o lucro do governo do Nepal. Montanhismo é a maior fonte de renda do país. As poucas janelas de bom tempo que tivemos nesta temporada, o uso de permissões antigas, que espiravam este ano e empresas pouco qualificadas vendendo serviços de logística” são alguns dos elementos que ela considera responsáveis pela atual situação do Everest. Para Manoel, as coisas não devem mudar tão cedo. “O Nepal jamais vai limitar o número de escaladores. O país vive de turismo e é muito pobre. A única maneira de fazer algum controle disso seria as empresas aceitarem somente quem tem a experiência necessária para uma montanha como o Everest. Mas, isso nem sempre acontece”.

O outro expert, Manoe Morgado explica o que torna uma pessoa qualificada para escalar o monte. “Acho difícil quantificar experiência, mas creio que, no mínimo a pessoa teria de ter feito um curso de escalada em neve, gelo e rocha básico e um curso avançado. Ter escalado um ou mais montes de 6.000m, como o Denali, para mim uma das mais importantes escolas para o Everest, e ter escalado um monte de 8.000m mais fácil, como o Cho Oyu ou o Manaslu. No Denali, cada um começa a escalada com 50 quilos entre o trenó e a mochila, tem de montar seus acampamentos e construir um muro de blocos de gelo ao redor da barraca por conta do vento. Se der conta disso, está pronto fisicamente para o Everest, onde os sherpas farão a maior parte do trabalho físico”.

 

Redação FN

 

 

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