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Entenda o que é o lixo eletrônico e qual é o tamanho do problema

Publicado em sexta-feira, dezembro 13, 2019 ·

As mudanças e avanços constantes na tecnologia fazem aumentar a quantidade de lixo eletrônico produzido pelos habitantes de todo o mundo. Com a compra de aparelhos mais modernos aquela TV, telefone celular ou computador acabam ficando de lado e, pior, alguns desconhecem no que eles podem se transformar e acabam jogando literalmente no lixo.

Mas há um destino para esses equipamentos que passam a ser chamados de e-lixo, ou resíduo eletrônico. Especialistas lembram que qualquer coisa que tenha plug de tomada ou uma bateria (de barbeadores a sanduicheiras) que não serão mais usadas podem ser considerados lixo eletrônico.

Pesquisador colaborador na USP em Sobrevivência Planetária e fundador e articulador de projetos sobre lixo eletrônico, Hernani Dimantas, acrescenta que não apenas os aparelhos quebrados podem ser considerados e-lixo. “O principal gerador do lixo é a obsolescência programada, ou seja, aparelhos que funcionam, mas já não têm a capacidade de serem usados para aquilo que foram fabricados”, ressalta.

E os smartphones e computadores podem ser considerados os melhores exemplos disso, já que muitas vezes mesmo ainda funcionando eles se tornam obsoletos por não suportarem as novidades tecnológicas.

Estudo recente feito pela Global E-waste Monitor revela que somente em 2017 foram produzidos 44,7 milhões de toneladas de lixo eletrônico. Isso equivale ao peso de 4,5 mil torres Eiffel.

E o Brasil é o 7º maior produtor de lixo eletrônico do mundo, ficando atrás apenas da China, Estados Unidos, Japão, Índia, Alemanha e Reino Unido. Estima-se que sejam produzidos, por ano, entre 7 a 10 kg de lixo eletrônico por habitante no Brasil.

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Os equipamentos com menor ciclo de uso, aqueles que costumamos trocar com mais frequência, como TVs, tablets, computadores e smartphones são responsáveis por metade do e-lixo produzido. O resto dessa conta fica com os eletrodomésticos maiores, como geladeiras, micro-ondas, aquecedores e ar-condicionados.

E com o avanço do sinal digital nas televisões, os aparelhos de TVs de tubo, que deixaram de ser produzidos, se tornaram itens específicos que lideram o lixo eletrônico. No Brasil, a produção se encerrou em 2014, após a Copa do Mundo.

De todo modo, há perigos em produtos menores e mais modernos, como smartphones – que têm um tempo médio de vida de 18 meses.

O relatório da ONU, por exemplo, diz que o peso do e-lixo produzido anualmente equivale a todas aeronaves comerciais já produzidas.

Calcular a quantidade de lixo eletrônico produzida pela população mundial não tem sido tarefa fácil, mas a expectativa é que ultrapassemos as 52 milhões de toneladas anuais em 2021. Até 2050, nas previsões mais pessimistas, esse número poderia pular para 120 milhões de toneladas anuais, conforme prognóstico da Universidade das Nações Unidas em Vienna.

A preocupação maior fica por conta do meio ambiente, pois se o e-lixo não for descartado, coletado e tratado corretamente, substâncias tóxicas podem contaminá-lo. “O lixo eletrônico é muito tóxico. É composto de metais pesados que podem poluir os mananciais. O descarte correto é uma tentativa de mitigar os problemas oriundos dessa toxicidade”, comenta Hernani.

O descarte incorreto pode gerar outros problemas, como o manuseio impróprio por pessoas que trabalham em locais sem protocolos de segurança, como os lixões. A ONU diz, inclusive, que a maior parte do material acaba em aterros, mas muito dele é incinerado ou mal tratado.

E lembra que comentamos que e-lixo não se constitui apenas dos aparelhos quebrados? Guillermo Arslanian, diretor de operações da Trocafone, empresa que compra smartphones usados para revendê-los, alerta que os eletrônicos que estão encostados em casa também podem ser considerado lixo.

“A diferença é que essas coisas não estão impactando diretamente o meio ambiente, mas podem impactar na saúde, caso os componentes internos sejam expostos, manipulados de forma incorreta ou sofram variação de temperatura. Com crianças em casa, o cuidado deve ser redobrado”, comenta Guillermo.

 

 

Redação FN

 

 

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