Empresa São Jorge protagoniza tragédia em PE e é alvo de denúncias de moradores

Publicado em quarta-feira, agosto 24, 2011 ·

Os problemas estruturais, os desmandos dos empresários e o descaso com a população por parte das empresas de ônibus de João Pessoa/PB são práticas já conhecidas de quem está acostumado a utilizar transporte coletivo na capital paraibana. O que pouca gente sabe é que, há algumas centenas de quilômetros do litoral, uma dessas companhias tem causado sérios problemas e gerado manifestações acaloradas da população não organizada, algo – inclusive – pouco visto por aqui.

A São Jorge (Empresa Viação São Jorge LTDA.), que opera linhas de coletivos em João Pessoa, é responsável também pelo transporte de operários em obras federais no sertão pernambucano (onde está boa parte das frentes de trabalho da Transposição do Rio São Francisco e da Ferrovia Transnordestina). Na manhã desta desta terça-feira (23), a empresa protagonizou um tragédia no município de Salgueiro/PE que colocou mais lenha na fogueira de denúncias que a população da cidade já vinha fazendo.

Sem perceber a presença de um mecânico que trabalhava sob um dos veículos da companhia fazendo reparos, um motorista deu partida e acabou passando por cima do colega, que morreu na hora. Com o ocorrido, a São Jorge tornou-se o assunto do dia nas rádios e blogs locais, e uma enxurrada de protestos que já vinham sendo feitos de forma isolada colocaram a empresa contra a parede.

No blog do professor e escritor Wilson Monteiro, por exemplo, um morador da cidade afirma que os ônibus trafegam em alta velocidade e já causaram, inclusive, danos a veículos menores parados em acostamentos. Apreensivo com a possibilidade de novas tragédias, o morador pede a retirada do estacionamento da empresa da localidade.

Já o vereador Alvinho Patriota, em seu blog, afirma que a empresa opera dentro da cidade sem possuir alvará de estacionamento.

Há alguns meses, quando estive em Salgueiro – que é minha cidade natal – pude constatar que, no mínimo, as condições de segurança para os operários transportados pela empresa são extremamente frágeis. Afinal, coletivos estruturados para circular em perímetros urbanos não possuem cintos de segurança, certo? Mas, mesmo assim, lá, eles trafegam quilômetros em rodovias e estradas de terra.

A fatalidade que tirou a vida do mecânico não coloca, a um primeiro olhar, a responsabilidade sobre a São Jorge. Foi um descuido do motorista. Mas, pensemos bem: quais condições de segurança a empresa ofereceu ao mecânico para fazer seu trabalho? Colocado sob um veículo parado no meio da rua é como ele deveria realmente estar trabalhando?

Quanto às atitudes inconsequentes dos motoristas, certo, são (ir)responsabilidades de cada um. Mas onde está a direção da companhia para fiscalizar se seus profissionais estão fazendo seu trabalho da maneira correta?

Fonte: desterrai.blogspot
Com Simão Vieira de Mairins

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