Em Manaus, cinegrafista é preso durante cobertura de homicídio

Publicado em quinta-feira, Fevereiro 27, 2014 ·

O cinegrafista da TV Band Amazonas Jackson Rodrigues foi preso na manhã desta quinta-feira (27) por policiais militares da Força Tática, enquanto o profissional fazia imagens de um duplo homicídio ocorrido na Avenida Castelo Branco, bairro Cachoeirinha, Zona Centro-Sul de Manaus. O repórter cinematográfico diz ter sido agredido. A PM vai apurar a conduta do soldado.

Segundo jornalistas que trabalhavam na cobertura da ocorrência policial, o cinegrafista estava ajustando o foco da câmera filmadora quando foi preso por um soldado da PM, que alegou que o profissional estava ultrapassando a faixa de isolamento do cenário de crime. Testemunhas afirmaram que o profissional foi preso sem motivo aparente.

Uma pessoa que acompanhava a situação afirmou que Jackson Rodrigues foi agredido no pescoço e recebeu ameaças do policial. Ele foi detido e colocado no camburão de uma viatura, apesar de não ter resistido à prisão. Exaltado, o PM ameaçou ainda outros repórteres que tentaram conter a situação, afirmando que “havia mais vaga na viatura para quem quisesse”.

A repórter que acompanhava o cinegrafista tentou evitar que o colega fosse levado pela polícia. “Ele é pai de família e só está trabalhando”, disse a jornalista, enquanto o cinegrafista era empurrado para dentro da viatura policial. “Estou apenas fazendo meu trabalho”, justificou um policial para a repórter.

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No momento da prisão, o cinegrafista chegou a pedir medicamentos à repórter parceira de equipe. “Eu sou hipertenso. Deixa eu, pelo menos, pegar meus remédios”, disse ele, já dentro do camburão. Os PMs não permitiram e encaminharam o profissional para o 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no Centro de Manaus.

Cinegrafista foi detido e encaminhado a delegacia em camburão (Foto: Girlene Medeiros/G1 AM)Cinegrafista foi detido e encaminhado a delegacia em camburão (Foto: Girlene Medeiros/G1 AM)

De acordo com a Polícia Militar, será aberto um processo admistrativo para apurar a conduta do soldado. O cinegrafista foi indiciado por desobediência e violação de local do crime. Em entrevista na delegacia, após ser liberado, Jackson afirmou que não invadiu o local, e que apenas apoiou a câmera por cima da faixa de isolamento. O profissional relatou ainda que foi empurrado no chão pelo policial e agredido com um “mata-leão”.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas (SJPAM), Wilson Reis, afirmou ao G1 que exigirá uma reunião com o governador do Amazonas, Omar Aziz, para que o exercício da profissão de jornalismo seja garantido em Manaus e que “policiais não impeçam os profissionais de realizar o trabalho”. “Há duas semanas, fizemos uma manifestação devido a diversas agressões que acontecem diariamente em nossa cidade. Não pode ser assim”, acrescentou o sindicalista. O SJPAM deve emitir nota de repúdio ainda nesta quinta-feira (27).

A TV Band Amazonas informou que está prestando apoio ao profissional e se pronunciará sobre o caso.

 

G1

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