Em carta, entidades campesinas lamentam acontecimentos violentos dos últimos anos

Publicado em quarta-feira, Fevereiro 8, 2012 ·

07-Foto-do-solista-Rucker-BezerraSão Paulo – Terminado 2011, ano considerado um dos mais violentos para a população campesina, Pastorais Sociais do Campo unem-se para divulgar carta de protesto contra iniciativas econômicas e políticas que ameaçam a vida de comunidades tradicionais do Brasil. “A gente quer fazer um alerta à sociedade e chamar a atenção para essa grave e danosa investida contra a população do campo, como foi em 2011”, afirmou Cleber Buzatto, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), um dos signatários da carta.

A carta aborda a preocupação com a resultante social do impacto de projetos que ameaçam os espaços e a cultura dos povos no campo. Em nome de alguns importantes líderes camponeses, que morreram defendendo as causas campesinas, como a missionária Dorothy Stang  e o indígena Nísio Guarani-Kaiowá, a carta destacou a relevante luta de resistência e defesa dos povos indígenas, quilombolas e camponeses.

“O avanço dos projetos econômicos, nacionais e transnacionais, respaldados e, muitas vezes, patrocinados pelo Estado brasileiro, estão ameaçando os espaços de reprodução física e cultural dos povos e comunidades campesinas no Brasil. Nosso encontro foi vivido como uma urgência, para nos conhecer mais, nos reanimar e dobrar o empenho na construção de estratégias conjuntas de enfrentamento aos desafios existentes”, diz a carta escrita no último final de semana por entidades como Comissão Pastoral da Terra (CPT), Pastoral da Juventude Rural (PJR), Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), Cáritas Brasileira e o Cimi.

Para Buzatto, a leitura que as comunidades tiveram dos últimos acontecimentos foi uníssona e resultou na carta coletivamente assinada. Ele considera ainda que a forte presença do Estado brasileiro preocupou a conservação do território e da cultura desses povos. “Em 2012 pode aprofundar ainda mais os ataques e os riscos para quem vive no campo brasileiro”, lamentou.

Para ler a íntegra da carta, clique aqui.

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