Em assembleia, estudantes da USP decidem entrar em greve

Publicado em quarta-feira, novembro 9, 2011 ·

USPCHoqueSÃO PAULO – Cerca de dois mil estudantes da Universidade de São Paulo (USP) decidiram, na noite desta terça-feira, em assembleia, entrar em greve, por tempo indeterminado, a partir desta quarta-feira. A reunião aconteceu no prédio da História e Geografia, na Cidade Universitária.

Para esta quarta-feira estão previstas assembleias em cada curso para decidir ou não sobre a adesão à paralisação. Além da saída da Polícia Militar do campus, os estudantes pedem também a não punição dos envolvidos na ocupação do prédio da reitoria.

A advogada Eliana Lúcia Ferreira, da central sindical Conlutas, anunciou, na noite desta terça-feira, que os sindicatos ligados à entidade arrecadaram dinheiro suficiente para pagar a fiança dos 72 presos na operação de reintegração de posse da USP. O dinheiro chegou ao 91º Distrito Policial (Ceasa), na Zona Oeste de São Paulo, para onde os estudantes foram levados nesta manhã.

Os quatro primeiros dos 72 estudantes que foram presos na reintegração de posse da Universidade de São Paulo (USP) foram libertados às 23h05m desta terça-feira. Eles passaram por exames de corpo de delito e assinaram os alvarás de soltura. Depois outros alunos foram soltos aos poucos.

Ao autuar os invasores, a Polícia Civil encontrou estudantes de outras universidades e até de outros estados como a Paraíba. No grupo, também há quatro funcionários da USP.

O valor pago é de R$ 39.240, o que equivalente a um salário mínimo (R$ 545) por preso. Com o pagamento da fiança, a expectativa é que os estudantes sejam liberados até o final desta noite. Antes, eles terão que passar por exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML). Os estudantes não foram indiciados por formação de quadrilha, como havia dito a polícia.

Advogados ligados a entidades e movimentos sociais, como o MST, compareceram à delegacia e chegaram a redigir um pedido de habeas corpus. Mas, à noite, desistiram de esperar a resposta da Justiça.

Os estudantes ainda estão sendo qualificados e indiciados por dano ao patrimônio e desobediência à ordem judicial. A polícia tentou ouvir os alunos, mas eles negaram a prestar esclarecimentos no 91º Distrito Policial, dizendo que só iriam falar em juízo, de acordo com o delegado seccional Oeste Djair Rodrigues.

– Estão sendo interrogados. Foram formuladas 12 perguntas. Eles estão se recusando a prestar esclarecimento, reservando-se ao direito de só falar em juízo – diz o delegado.

Nesta tarde, a mãe de uma estudante presa na reintegração de posse da reitoria foi detida por desacatar um policial militar da Tropa de Choque. Ela teria ofendido o PM por ele ter repreendido um aluno que ligou o giroflex do ônibus onde os estudantes da USP aguardam para serem autuados. O veículo está estacionado no pátio da delegacia.

Rojões foram encontrados no prédio da reitoria - Foto de Michel Filho/O Globo

Policiais montaram uma barreira na entrada do distrito, para evitar protesto de um grupo de estudantes que saiu em passeata do campus da USP. Os mais de 70 estudantes presos permaneceram em três ônibus da PM, em frente à delegacia, até serem fichados e indiciados. Nesta tarde, eles deixavam o veículo em grupos de cinco pessoas, eram ouvidos, fichados pela polícia e retornavam ao ônibus.

No prédio da reitoria, a Polícia Militar diz que apreendeu material que poderia ser utilizado para uma possível resistência dos estudantes. Entre as apreensões estavam sete garrafas de coquetel molotov, seis caixas de morteiro 12 tiros e um galão com cinco litros de gasolina.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que os estudantes que ocuparam a reitoria deveriam ter aula de democracia. O governador ressaltou que é lamentável e inadmissível ter de utilizar a polícia para fazer cumprir a decisão judicial de desocupar o prédio.

– Os estudantes precisam ter aula de democracia, precisam ter aula de respeito ao dinheiro público, respeito ao patrimônio público. Não é possível depredar instituições que foram construídas com o dinheiro da população que paga impostos. Eles precisam ter aula de respeito a ordem judicial – disse.

Os estudantes precisam ter aula de democracia, precisam ter aula de respeito ao dinheiro público, respeito ao patrimônio público

A assessoria de imprensa da USP disse que a universidade deve se pronunciar nesta quarta-feira sobre possíveis punições aos alunos invasores e prejuízos causados pela ocupação do prédio da reitoria.

A ocupação da reitoria começou na madrugada da quarta-feira passada. A USP foi à Justiça e pediu reintegração de posse, que foi concedida. O prazo para desocupação venceu às 23 horas de ontem, mas foi desobedecido. Por volta de 5h desta madrugada, 400 policiais militares da Tropa de Choque retiraram os estudantes.

Em coletiva à imprensa na manhã desta terça-feira, o delegado responsável pelo caso disse que os estudantes vão responder a dois inquéritos paralelos. Um deles, que trata da invasão da reitoria, indicia os estudantes invasores por desobediência ao mandado judicial de reintegração de posse e dano ao patrimônio público. No outro inquérito, os alunos irão responder pela depredação das viaturas das polícias civil e militar.

Desocupação ocorreu sem resistência

Os policiais militares da Tropa de Choque, com apoio de helicópteros, invadiram a reitoria da Universidade de São Paulo (USP) por volta de 5h10m desta terça-feira. Segundo a coronel Maria Aparecida Carvalho Yamamoto, responsável pela comunicação da Polícia Militar, não houve resistência no cumprimento da reintegração de posse do prédio. Não há informações de feridos e não houve confronto, já que os estudantes foram surpreendidos enquanto dormiam.

– Eles foram pegos de surpresa pela polícia – disse Maria.

Mesas, computadores e fios de telefone foram danificados no primeiro andar da reitoria, que estava ocupado pelos alunos. A polícia diz ter apreendido coquetéis molotov na reitoria, além de morteiros, gasolina e garrafas de bebida alcoólica. Alguns estudantes da USP estão reunidos na Praça do Relógio e fazem uma assembleia.

Os estudantes ocuparam a reitoria em protesto contra a presença da Polícia Militar no campus da universidade. Inicialmente, eles ocuparam o prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas (FFLCH). Uma assembleia decidiu pela desocupação, mas outro grupo resolveu invadir a reitoria, por discordar da decisão.

Na noite desta segunda-feira, cerca de 350 alunos fizeram uma assembleia por volta de 23h e decidiram manter a ocupação da reitoria, desobedecendo a ordem judicial. Logo após a assembleia, eles chegaram a agredir jornalistas que faziam a cobertura no local, arremessando paus e pedras.

O convênio entre a USP e a PM foi firmado após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, assassinado dentro do campus em 18 de maio deste ano. A oposição à presença dos policiais no campus ocorreu depois que três estudantes foram detidos fumando maconha dentro do campus.

Na semana passada, a juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara de Fazenda Pública, que concedeu a reintegração de posse, havia autorizado, “como medida extrema”, o uso de força policial. Ela ressalvou, no entanto, que contava “com o bom senso das partes e o empenho na melhoria das condições de vida no campus”.

O Globo

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