Dom Antônio Muniz concede entrevista exclusiva ao FOCANDO A NOTÍCIA

Publicado em segunda-feira, agosto 8, 2011 ·

Dom munizDom Frei Antônio Muniz Fernandes, que dirigiu a Diocese de Guarabira de 1998 a 2006, esteve nos últimos dias 4, 5 e 6 no Santuário de Santa Fé, município de Solânea (PB), oportunidade em que manteve contatos com populares, religiosos e também conversou com a equipe do FOCANDO A NOTÍCIA.

Dom Muniz falou, entre outros assuntos, do turismo religioso, da violência e do trabalho desenvolvido na Arquidiocese de Maceió (Alagoas), para onde foi nomeado em 22 de novembro de 2006.

Confira a entrevista:

FN – Dom Muniz agente tem percebido que o senhor ainda guarda um carinho muito grande desde a época que esteve à frente da Diocese de Guarabira. Qual o motivo do senhor está nos visitando mais uma vez?

DM – Eu sou paraibano, todo mundo sabe, e “a gente sempre nunca se perde”, como diz José Américo “nos caminhos de volta pra casa”, e eu sempre fui muito ligado a tudo aqui e tudo que criamos aqui em Santa Fé, com a comunidade, com a região e o que significa o Santuário não só pra mim, mas pra toda região, pra todos nós pra cada um de nós que conhece aqui o trabalho a região o espírito que a gente vive tudo isso aqui. Então saindo daqui eu estou profundamente ligado. Estando servindo outra região estou também profundamente ligado. Vim por motivos pastorais, também por um pouco de amizade. Vim celebrar os 15 anos do padre Vanilson, que foi no dia 4, dia do padre e não podia deixar de celebrar aqui também com dom Lucena, bispo atual de Guarabira, meu sucessor, e celebrar aqui em Santa Fé a festa de aniversario de 205 anos do nascimento do Pe. Ibiapina. Então para mim eu estou, meu ministério e eu também como dom Antônio, estou muito ligado aqui no Santuário, na região e todo trabalho de missão. Passei já pelo Frei Damião; olhei o cruzeiro de Roma; fui visitar também o Carmelo, que é minha casa, eu sou bispo carmelita da Ordem do Carmo, e com muito carinho para com as irmãs e ali também almocei; visitei a construção nova que num tinha ainda estado; aproveitei para fazer visita sentimental, essa visita pastoral, essa visita para recordar toda a nossa amizade; encontrar as pessoas amigas, queridas da região do Brejo.

FN – O turismo religioso tem crescido muito e o senhor lutou muito, especialmente aqui por Santa Fé, pelo turismo religioso desta região, quando bispo da Diocese de Guarabira. Como o senhor encontra esses lugares na sua visita?

DM – Eu encontro alguns um pouco acabadinhos. Não há muito entusiasmo das autoridades civis e governamentais em proporcionar, dar uma melhor qualidade. Continuo achando uma região exuberante, lindíssima, uma região que pode ser aproveitada como um todo. Acredito que Bananeiras tem dado passos importantes, como no meu tempo já dava passos importantes, mas as outras regiões têm que se unir. Arara, Solânea, Serraria, Pilões, têm que se unir como um todo – Alagoa Grande, e criar esse viés do desenvolvimento que é o turismo passando pelo aspecto místico, pelo aspecto religioso dessa região. Então eu passando, olhando tudo isso, olhando o Santuário, Nossa senhora de Fátima, Sagrada Família, o Cruzeiro de Roma, Lagoa do Matias, a exuberância da região, o verde da região, então eu já na minha cabeça, já tenho assim milhares de projetos e de idealizações para o crescimento. E chegando aqui a Santa Fé, vendo a religiosidade do povo, a alegria, gente simples como eu, fico imaginando que a própria dimensão do turismo poderia ajudar a desenvolver todos os setores da educação, da saúde, do bem-estar, do lazer e da qualidade de vida. Isso seria tão importante se fosse assim desenvolvido e colocado assim nessa expectativa. Eu continuo achando que é uma região riquíssima neste sentido e que é pouco vista, pouco explorada. Os governadores deviam olhar com mais atenção para esta região e alimentar esses sonhos muito importante para o desenvolvimento sustentável desta nossa região do Brejo

FN – O senhor acredita que os fieis se unindo e cobrando mais isso que o senhor almeja poderia ser conquistado com mais rapidez?

DM – Sim. Eu acho que sim. Os fieis têm que tá firme, porque os fieis são eleitores e enquanto tiverem uma consciência política decisiva eles poderão também participar deste processo. Eu acredito. Eu acho assim que o desenvolvimento ele esta bem perto. Ele pode ter chegado não com tanta iniciativa, mas com poucas iniciativas estruturantes passa pela linha da educação, passa pela linha da informação, que passa pela linha das estradas, a infraestrutura. É muito importante a criação desses espaços e depois um trabalho constante em torno disso.

FN – Temos acompanhado, Dom Muniz, o crescimento da violência. Como a Igreja poderia colaborar para reduzir a violência, que tem afetado principalmente crianças e mulheres?

DM – Aí é uma vertente maior; é um procedimento mais amplo, mas o primeiro passo para que a gente possa construir uma sociedade não violenta é sendo nós propagadores, educadores e principalmente pela educação, pela paz. Acho que é necessário isso. É necessário um desarmamento muito grande de espírito e de fato. É preciso que a gente transforme tudo aquilo que é letal; tudo aquilo que pode conduzir a morte, que a gente transforme em instrumentos de vida e de desenvolvimento. Um aspecto muito importante é a integração dessa juventude. Essa juventude tem que entrar em projetos de criação de emprego e renda, de estudo, de qualificação muito rapidamente. Então, todo esse aspecto do desenvolvimento deve englobar também essa juventude que esta aí muito ociosa, muito necessitada dessas iniciativas concretas e políticas públicas realmente que possam conduzir a isto, a todo esse processo que ajude, que utilize, que integre e inclua cada vez mais o maior número de pessoas. Por aí a gente vai trabalhando, criando essas oportunidades, porque criar oportunidades para a juventude é exatamente reduzir a violência. Trabalhar sobre isso a dimensão do lazer, a dimensão da produção, a dimensão da criatividade, a dimensão da profissionalização. Tudo isso pode ser feito e criado nas escolas, no processo de educação.

FN – Na sua região, o que de bom o senhor poderia trazer ou repassar para nossa região e para o estado da Paraíba?

DM – Na nossa região, na minha diocese, na arquidiocese de Maceió nós estabelecemos um binômio para o trabalho. Nós nos definimos como uma ‘igreja missionária’ e ‘uma igreja samaritana’. Então esses dois aspectos a gente tem trabalhado. Então toda a nossa ação social tem sido a ação do samaritano, aquele que ajuda a recolher, a ajudar concretamente a sarar as feridas daquele que foi excluído e está jogado na beira da sociedade, na beira do processo de crescimento e de desenvolvimento. Então a nossa opção é essa. Portanto, nós trabalhamos. A igreja criou muitos projetos, muitos espaços de inclusão para trazer as pessoas, para motivar as pessoas, para acolher as pessoas na dimensão do samaritano, do evangelho. Isso recolhendo pessoas de rua, valorizando, lutando para a pessoa sair da dependência química. Trabalho com drogados, drogadas, com excluídos de rua, moradores de rua. No campo, trabalho com a CPT (Comissão Pastoral da Terra) a busca pela reforma agrária; a redistribuição de terra. Tudo isso a gente procura ajudar a criar, e do ponto de vista religioso nós trabalhamos muito no aspecto de evangelização envolvendo todos; transformando todos em missionários e missionárias. Então aí a gente procura basear o nosso trabalho ate 2012. Eu dei um prazo. Em 2012 a gente tem que pelo menos ter colocado as bases principal para uma cidade, para uma sociedade de paz contra a violência, e aí a nossa atenção se dirige nessa perspectiva. Estamos nesse ritmo de trabalho, mas eu acho que são dois binômios importantes: ‘uma igreja missionária’ e ‘uma igreja samaritana’, que precisam caminhar com os dois braços de um único corpo que é Jesus Cristo, que somos nós.

FN – Agradecemos a oportunidade da conversa e pedimos que o senhor deixe uma mensagem aos leitores do FOCANDO A NOTÍCIA que vão ter a oportunidade de ler essa entrevista e se agraciar com suas palavras, já que o senhor deixou muita saudade aqui nesta região?

DM – A notícia deve ser tão boa, que acho que toda noticia deve como uma boa nova para todas as pessoas. As pessoas têm direito de escutar as noticias e ver nas noticias um raio de esperança; a possibilidade de construir a paz; a possibilidade de construir um mundo justo, fraterno; um mundo que exista espaço e lugar para todos. Então, neste sentido, é o que eu desejo. Que cada pessoa que tenha acesso, que cada pessoa leia uma noticia dentro dessa noticia. Mesmo que seja cruel, que a gente tenha sempre o direito de enxergar um raio de esperança com o qual a gente constrói a paz e também disseminar essa paz para todas as pessoas.

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Redação/Focando a Notícia

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