Dilma anuncia Mercadante na Educação e abre reforma ministerial

Publicado em quinta-feira, Janeiro 19, 2012 ·

Ministro da Ciência e Tecnologia substituirá Fernando Haddad, que deixa cargo para disputar prefeitura de São Paulo. PT mantém pasta social importante, mas perde vaga de Mercadante, que vai para técnico sem partido. Dilma Rousseff ainda tem pendências com PDT, PP e PR para resolver e fechar reforma ministerial. Dia 23, ela fará primeira reunião de 2012 com toda equipe.

mercadanteBRASÍLIA – Às vésperas da primeira reunião ministerial do ano, a presidenta Dilma Rousseff deu início, na quarta-feira (18), a mudanças que fará na equipe para trocar políticos que vão disputar prefeituras em outubro e para resolver pendências com partidos aliados. A reforma começa por um dos mais importantes ministérios da área social. Fernando Haddad, que quer ser prefeito de São Paulo, será substituído na Educação pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

A mudança altera um pouco o jogo de poder entre os partidos aliados no primeiro escalão de Dilma. Mercadante é do PT, como Haddad, e portanto os petistas mantêm o controle da Educação. Mas, para o lugar dele na Ciência e Tecnologia, Dilma decidiu nomear o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Raupp, que não é filiado a partidos e é considerado um técnico. Saldo final: o PT o perde um ministério.

Outra alteração dada como certa na equipe de Dilma também tem o PT como protagonista, mas envolve uma daquelas pastas que não interessam muito aos partidos aliados do governo, pois é mais política do que orçamentária. A ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes, vai dusputar a prefeitura de Vitória (ES) e igualmente deixará o cargo, o que pela legislação tem de ocorrer até seis meses antes da eleição de outubro (até abril, portanto).

O único caso de prefeiturável que pode levar Dilma a mexer na equipe é do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, que conseguir resistir a denúncias de bairrismo e paternalismo na gestão das verbas da pasta e só deve sair se o padrinho, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, decidir bancá-lo como candidato do PSB, partido de ambos, a alguma prefeitura no estado.

Por pendências políticas com aliados, Dilma ainda tem de resolver o que fará nos ministérios do Trabalho, das Cidades e dos Transportes. Nos três casos, os partidos dos ministros não consideram que eles, ministros, representatem de fato as legendas.

No Trabalho, Paulo Roberto Pinho, que era secretário-executivo, herdou o cargo com a saída, por denúncia de corrupção, de Carlos Lupi. O PDT, partido de ambos, ainda sonha com a indicação de um pedetista com mais peso político. Na última divulgação de dados sobre criação de emprego no país, situação que, hoje, ajuda o ministro do Trabalho a tirar proveito político de resultados positivos, Pinho preferiu divulgar pela internet, em vez de dar entrevista coletiva.

Nas Cidades, o ministro Mario Negromonte há tempos está em pé de guerra com o bancada de deputados do partido dele, o PP. Dilma precisa calcular o que é melhor: segurar o auxiliar ou atender aos deputados pepistas. E, se atender, achar o melhor nome para o cargo.

Nos Transportes, Paulo Sérgio Passos é um nome filiado a um partido, o PR, mas foi escolhido pessoalmente por Dilma para fazer a “faxina” na pasta, quando a imprensa denunciou a existência de um esquema de desvio de recursos da pasta pelo ministro da época, Alfredo Nascimento. O PR é presidido por Nascimento, que voltou a ser senador, e depois da demissão decidiu se “declarar” independente do governo, mas, nos bastidores, está doido para voltar a ser “governo”. Porém quer ter o poder de indicar um ministro. Dilma resiste à pretensão.

A posse de Mercadante na Educação está marcada para a próxima terça-feira (24), um dia depois da primeira reunião ministerial que Dilma fará com a equipe. Na reunião, a presidenta vai dizer aos comandados o que espera deles em 2012 e vai discutir a possibilidade de serem feitos cortes pesados no orçamento aprovado pelo Congresso. O “mercado” pressiona por uma tesourada e R$ 60 bilhões, mais do que o arrocho de R$ 50 bilhões feito em 2011.

Carta Maior

Com André Barrocal

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