Dados inéditos sobre crianças desaparecidas são divulgados em encontro internacional

Publicado em domingo, Fevereiro 12, 2012 ·

fotos-padesaparecidosA Fundação Criança de São Bernardo do Campo participou na quinta e sexta-feira (9 e 10 de fevereiro) da 4ª Conferência Anual da Rede Global de Crianças Desaparecidas (GMCN), realizada em Brasília, reunindo países de quatro continentes com o objetivo de fortalecer a resposta global e o enfrentamento ao desaparecimento de crianças e adolescentes no Mundo.

O evento foi promovido pelo Centro Internacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (ICMEC)- entidade com status consultivo junto a Organização das Nações Unidas (ONU), contando com apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) e da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do Distrito Federal (SEDEST-DF). É a primeira vez que o Brasil sedia esse encontro internacional.

A Fundação Criança, representada pelo presidente, Ariel de Castro Alves, e pela responsável pelo Programa Reencontro, a psicóloga Vânia Brito Caíres, apresentou o Programa Municipal de Enfretamento ao Desaparecimento de Crianças e Adolescentes nos debates sobre as Boas Práticas Nacionais, ao lado de Ivanise Esperidião da Silva, presidente da ONG (Organização Não Governamental) Mães da Sé e Daniela Serigheli, Delegada do SICRIDE (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas). A Fundação Criança é a única instituição municipal do País que atua na busca e localização de crianças e adolescentes desaparecidos.

No evento foram apresentados os resultados e desafios do Programa Reencontro da Fundação Criança, que oferece suporte psicossocial e jurídico às famílias e apoio na divulgação de cartazes em comércios, órgãos públicos e nos Meios de Comunicação, em sites da Rede Nacional de Identificação e Localização de Crianças e Adolescentes Desaparecidos e de entidades que contribuem com o processo de busca. O Programa atua em parceria com a Polícia Civil da Cidade, também com o projeto Caminho de Volta, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), para a coleta de material genético dos familiares e com o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (SICRIDE) do Paraná, que desenvolve o envelhecimento digital dos desaparecidos, além de entidades como a Mães da Sé, Mães em Luta e outras.

De 2006 até 2012, foram registrados 1086 Boletins de Ocorrência de desaparecimentos de crianças e adolescentes nas delegacias do município de São Bernardo do Campo. Do total de casos, 95% são resolvidos de imediato, alguns em menos de uma semana. Imediatamente após o registro do BO, a delegacia encaminha o documento por fax para o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente da Fundação Criança e a equipe interdisciplinar passa a atuar atendendo os familiares e colaborando com as buscas, investigações e localização. A Fundação tem reivindicado junto ao Governo do Estado, através do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, a criação de Delegacias Especializadas de Proteção à Criança e ao Adolescente. Atualmente, a Fundação acompanha e atua para a solução de 9 casos de desaparecimentos – menos de 1% das situações verificadas na cidade desde 2006, alguns deles são enigmáticos e de difícil elucidação. Todos estão no Cadastro Municipal de Desaparecidos publicado no site da entidade. Outra iniciativa pioneira da Fundação Criança é a mostra itinerante de fotografias de crianças e adolescentes desaparecidos, que atualmente está exposta na Câmara Municipal de São Bernardo do Campo.

Dados Apresentados

Entre os dados inéditos apresentados pela Fundação Criança no encontro internacional, se destacam o perfil das crianças e adolescentes desaparecidos: 60% são meninas e 40% meninos, têm idades entre 11 e 17 anos, 52% são brancos e 34% pardos. Com relação às causas dos desaparecimentos identificadas, se destacam as fugas do lar (51%), envolvimento com a criminalidade (14%) e fuga institucional (12%). Os Distritos Policiais com mais registros de ocorrências de desaparecimentos na cidade de São Bernardo são o 3º DP (Assunção), o 1º DP (Centro- Montanhão) e o 6º DP (Baeta Neves). Os bairros do município com mais ocorrências são respectivamente: Montanhão, Assunção, Alvarenga, Ferrazópolis e Baeta Neves.

O levantamento identificou também o tempo de espera da família para registrar a ocorrência, mostrando que 42% esperaram 24 horas, 16% por 48 horas e 15% fizeram imediatamente. Já o tempo de retorno da criança ou adolescente para a casa, identificou-se que 32% demoraram 24 horas, 27% de 3 a 5 dias e 16% em 48 horas. E com relação à reincidência de desaparecimentos, 16% dos jovens desapareceram 2 ou mais vezes e 84% desapareceram uma única vez. “As informações são importantes para reforçar o trabalho preventivo e planejar as políticas públicas e serviços de proteção social”, ressalta o presidente da Fundação Criança, Ariel de Castro Alves.

Fonte: Fundação Criança de São Bernardo do Campo

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