Custo alto ainda impede a microgeração de energia na Paraíba

Publicado em segunda-feira, setembro 15, 2014 ·

energiaO alto investimento, ausência de fornecedores locais, falta de linhas específicas de financiamento e longo prazo para retorno do investimento fazem com que a microgeração de energia na Paraíba ainda seja uma alternativa distante, apesar de a economia poder chegar a 35% da conta de luz. Os sistemas completos custam entre R$ 20 mil e R$ 30 mil e, mesmo havendo descontos na tarifa mensal de energia, o retorno só pode ser percebido em pelo menos 10 anos.

A microgeração e minigeração de energia elétrica foi regulamentada na Resolução Normativa 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) – as modalidades incluem não apenas solar, mas também hidráulicas, eólicas ou biomassa. As microgeradoras produzem até 100 KW/h de energia, enquanto as minigeradoras são as que produzem entre 100 KW/h e 1 MW/h de energia. O sistema completo é composto das placas fotovoltaicas, um inversor – que altera a corrente de energia – um medidor apropriado e outros itens opcionais, como bateria.

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“Os que custam mais caro são as placas e o inversor”, reconhece o representante da loja online Minha Casa Solar, Wesley Silva. A empresa vende kits para residências e, em alguns casos, fornece também o projeto de engenharia para os consumidores. O custo ainda é proibitivo para consumidores comuns, já que a maioria dos equipamentos são importados e há pouca concorrência entre as fabricantes brasileiras. “Mesmo com a fabricante brasileira, o custo não é baixo. Acredito que só vai diminuir com o aumento da competição e quando o governo incentivar o setor”, afirma.

É importante destacar que serão necessários diversos gastos para a implantação de uma microgeração na residência ou condomínio, começando pelo planejamento. Antes de tudo, é preciso contratar os serviços de um engenheiro elétrico, que vai criar e executar o projeto. “Também há o suporte para instalação das placas, fiação, todo o material básico para qualquer tipo de instalação elétrica”, explica.

Além do alto investimento, os sistemas precisam atender às Normas de Distribuição Unificadas, sendo uma para baixa tensão (residências) e outra para alta tensão (indústrias). O medidor bidirecional é custeado pelo consumidor, mas a instalação é gratuita.

O diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP) e diretor da Unidade Engenharia, Fábio Sinval, coordenou a construção de um condomínio no Altiplano que conta com um sistema próprio de geração a partir da captação solar. O custo foi de aproximadamente R$ 30 mil. “Hoje o custo realmente é muito alto. O retorno do investimento deve demorar cerca de 10 anos”, conta. Foram instaladas 10 placas fotovoltaicas no condomínio que geram aproximadamente 300 KW/h.

“O sistema é misto. Entregamos o excedente para a Energisa, há uma medição de compensação e o valor é abatido na conta de luz. É como se a rede da Energisa fosse uma ‘bateria’ para o condomínio”, frisa Sinval. A energia gerada no residencial não pode ser vendida, mas o valor do que é gerado é reduzido na conta.

Aquecimento

Como o sistema para geração de energia a partir da radiação solar ainda tem um custo alto e uma perspectiva longa de retorno financeiro, uma alternativa viável é a instalação de placas para aquecimento da água destinada aos chuveiros e piscina da casa – ou Energia Solar Térmica. O Hotel Verdegreen tem o sistema instalado desde sua inauguração, em 2008. O assistente de sustentabilidade da empresa, Rafael Santos, garante que o sistema de aquecimento dá conta de 80% da demanda do hotel, e o restante é suprido com gás natural.

“Apenas à noite e no início da manhã, quando o sol ainda não incide nas placas, é necessário utilizar outra forma de aquecimento da água”, diz. As placas são diferentes das fotovoltaicas. Ao invés de células, as unidades têm uma fina tubulação no interior que esquentam a água no seu interior a até 55ºC. Dessa maneira, o fluido é transmitido para um reservatório, onde permanece sendo aquecido à mesma temperatura. O custo é substancialmente inferior – entre R$ 4 mil e R$ 5 mil – e dá conta do maior glutão de energia das residências: os chuveiros elétricos.

 

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