Crise afeta maior máquina de guerra e EUA devem reduzir Exército

Publicado em segunda-feira, Fevereiro 24, 2014 ·

O secretário de Defesa Chuck Hagel planeja reduzir o Exército dos Estados Unidos à menor versão desde o fim da Segunda Guerra Mundial e eliminar uma classe inteira dos caças de ataque da Força Aérea, um plano para a nova proposta de corte de gastos, de acordo com o jornal estadunidense The New York Times. O relatório do chefe do Ministério da Defesa, o Pentágono, deve ser divulgado nessa segunda-feira (24).

 

Associated Press

Estados Unidos enviam tanques M1A1 para exercício militar anual "Key Resolve", com a Coreia do Sul.Estados Unidos enviam tanques M1A1 para exercício militar anual “Key Resolve”, com a Coreia do Sul.

Dono do maior Exército do mundo, os EUA também são cenário dos debates aquecidos sobre os gastos do Ministério da Defesa, os custos do setor militar e a crise sistêmica da qual patinam para sair. Segundo o New York Times, “oficiais descrevem [a nova proposta] como o primeiro orçamento do Pentágono que empurra as Forças Armadas agressivamente para longe do pé de guerra adotado após os ataques terroristas de 2001.”

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Desde então, o avanço militar dos EUA sobre o mundo retomaram força através da política generalizada de uma “guerra ao terror” abrangente, que serviram para justificar inúmeras intervenções e violações, insuflando a máquina de guerra estadunidense.

A proposta foi descrita ao jornal por oficiais “em condição de anonimato” e leva em consideração, segundo as fontes, “a realidade fiscal de um governo de austeridade e a realidade política de um presidente que prometeu encerrar duas guerras custosas e exaustivas,” embora enfatize o posicionamento sobre o direito dos EUA a empreender políticas agressivas que justifica como “defesa da liberdade e da democracia”.

A expectativa, assim, é que o país manterá um Exército “capaz de derrotar qualquer adversário, mas muito limitado para ocupações prolongadas no estrangeiro,” explicam os oficiais, que ressaltam as duas “ações militares de larga escala” mantidas em simultâneo, a Guerra no Afeganistão e a Guerra contra o Iraque.

Para as fontes, “a vitória demorará mais tempo e haverá um maior número de baixas” com a redução do Exército, que também “poderia convidar adversários a se aventurarem” contra o país. Suas declarações demonstram que, apesar da defesa firme entre diversos grupos políticos sobre a necessidade de diminuir o orçamento do Pentágono, a discussão sobre a dimensão das Forças Armadas será aquecida.

Menor Exército desde 1940

De acordo com um alto oficial do Pentágono, o debate é centrado na característica do Departamento de Defesa e o financiamento que ele requer. “Sempre é preciso manter as instituições preparadas, mas não se pode manter um grande Departamento de Defesa dedicado à guerra terrestre quando já não há uma grande guerra terrestre.”

Propostas de algumas iniciativas orçamentárias, sujeitas à aprovação do Congresso estadunidense, também emergiram, informa o New York Times, “uma indicação de que, mesmo antes da sua divulgação, o orçamento certamente ficará sob o ataque político.” Além disso, também deve ser sentida a reação incisiva dos grupos de pressão da indústria de armamentos, que permeam inclusive o setor midiático e cultural – sobretudo através de Hollywood.

Uma das principais ênfases da proposta de Hagel seria a diminuição do efetivo militar, o que causará o redirecionamento do que for economizado às obscuras Forças de Operações Especiais e à “guerra cibernética”, o que o jornal caracterizou como “a nova forma americana de fazer a guerra.”

Os EUA mantêm tropas espalhadas por todo mundo, assim como 11 porta-aviões deslocados a vários pontos, o que também será reavaliado dentro de um período de um ano, de acordo com a proposta do secretário de Defesa.

O Exército já deve ser reduzido de acordo com planos anteriores para 490 mil tropas, após um pico de 570 mil alcançado após os ataques de 11 de setembro. A proposta de Hagel também inclui uma nova redução, ainda que modesta, para 440 ou 450 mil nos próximos anos. O que corresponderia ao menor Exército do país desde 1940.

Manter força de agressão e defesa

Um dos exemplos de corte, além dos funcionários do setor militar, seria a eliminação completa da esquadra de ataque A-10 da Força Aérea. “A aeronave foi desenhada para destruir tanques do período soviético no caso de invasão da Europa Ocidental, e as capacidades são consideradas menos relevantes atualmente”, explica o New York Times. Entretanto, o projeto garante o financiamento para o controverso F-35 de Ataque Conjunto, extremamente caro e cuja produção está bastante atrasada.

Ao todo, ressalta o jornal, “a proposta de Hagel, de acordo com os oficiais, é desenhada para permitir que as Forças Armadas americanas cumpram as diretivas do presidente Barack Obama para a segurança nacional: defender o território americano e os interesses da nação no exterior e dissuadir a agressão – e vencer decididamente se novamente enviadas à guerra.”

Por décadas, principalmente durante a Guerra Fria, o Pentágono defendeu que precisava de um corpo militar grande o suficiente para combater em duas guerras simultaneamente. Mas nos documentos mais recentes sobre orçamento e estratégia, afirma o New York Times, o Exército tem sido ordenado a preparar-se para vencer “decisivamente” um conflito enquanto “barrando as aspirações do adversário em um segundo, até que forças suficientes possam ser mobilizadas e redirecionadas para vencer” novamente.

Os cortes propostos por Hagel condizem com o Ato Orçamentário Bipartidário acordado entre Obama e o Congresso em dezembro, para impor um teto de gastos para as Forças Armadas de US$ 496 bilhões (R$ 1,2 trilhões) no ano fiscal de 2015. O plano deve sofrer pressões das associações de veteranos, das fabricantes de armas e de alguns membros do Congresso, pontua o jornal.

Por Moara Crivelente, da redação do Vermelho,
Com informações do The New York Times

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