Crack invade bairros e provoca morte de 45 jovens em Campina

Publicado em segunda-feira, agosto 1, 2011 ·

crack-734Uma droga que possui alto poder de destruir a vida das pessoas, difícil de ser combatida e que está cada vez mais presente entre jovens. O crack tem se espalhado por periferias das grandes cidades paraibanas e invadido pequenos municípios, criando um ‘ciclo da morte’ entre adolescentes e jovens com idade entre 13 e 25 anos. Em Campina Grande, o envolvimento com a droga já provocou este ano a morte de pelo menos 45 deles, segundo a polícia, e a maior parte dos crimes são marcados por mistérios. Este ano, até a última quinta-feira, o município já havia registrado 96 assassinatos; o que indica que 46,8% deles tiveram como vítimas jovens nessa faixa etária. O dia 4 deste mês não vai sair das lembranças da família da aposentada Maria Severina da Conceição Lira, de 65 anos. Avó do ajudante Leonardo Barbosa de Lira, de 20 anos, foi avisada por vizinhos que o neto havia sido executado com 11 tiros de pistola, enquanto passava pela rua Major Angelina Xavier, no bairro do Pedregal. Na casa da família, localizada na mesma comunidade, o medo pode ser percebido nas portas e no olhar dos familiares da vítima.
“Ele morava comigo e fui eu quem tinha criado desde que ele nasceu. Comigo nunca fez nada, sempre me ajudou nas contas de casa e procurava fazer um ‘bico’ aqui e acolá. Mas ele não conversava nada em casa sobre inimizades. Quando mataram ele eu tive uma surpresa. De uma hora pra outra chegaram aqui dizendo e foi um sofrimento muito grande”, conta Maria Severina Barbosa.
Apesar do inquérito que investiga a morte do jovem estar carente de informações que possam levar a polícia aos autores do crime, as suspeitas são de que Leonardo Barbosa tenha sido vítima de um acerto de contas, motivado supostamente por uma disputa pelo comando do tráfico de drogas na comunidade. De acordo com a polícia, em alguns casos as vítimas nem sequer são traficantes ou viciadas em entorpecentes, mas acabam sendo mortas por ‘queima de arquivo’ ou por aparentarem ser ameaças aos traficantes.
“Eu nem sei quem matou nem quero saber. Ele já está com Deus e a gente não vai mais atrás dessa história”, afirma a avó de Leonardo Barbosa, acrescentando que os familiares sequer procuraram a Delegacia de Homicídios para buscar informações e verificar o andamento das investigações. “Nós vamos entregar tudo a Deus”, finaliza a aposentada Maria Severina Barbosa.
No dia do crime, o jovem ainda tentou fugir dos assassinos, mas a dupla armada invadiu uma residência para onde o jovem havia procurado abrigo e disparou várias vezes, atingindo o jovem nas costas e na cabeça. Apesar da morte ter ocorrido às 19h15 e várias pessoas terem presenciado a execução, os moradores preferiram não procurar a polícia para denunciar o caso.
“Um grande problema que nós enfrentamos, principalmente nos casos de crimes motivados por droga, é que ninguém quer colaborar. E para que nós possamos desenvolver um bom trabalho e chegarmos aos autores é necessária a ajuda da comunidade, dos familiares e de pessoas próximas. É que as informações que nos são repassadas, mesmo aquelas de forma anônima, acabam sendo fundamentais para a elucidação das mortes”, observou a delegada de Homicídios de Campina Grande, Cassandra Duarte.

Promotor defende a instalação de comitê



Uma das alternativas de tentar combater e minimizar os prejuízos provocados pelo crack seria a criação de um comitê multidisciplinar para discutir o assunto no município. A proposta é do promotor da Infância e da Juventude de Campina Grande, Herbert Targino, que defende o envolvimento de todas as esferas públicas contra a expansão da droga.

“Nós hoje vivemos uma realidade muito preocupante, sobretudo quando se trata da participação de jovens, sejam eles ainda menores ou já no início da idade adulta, com o vício. A gente percebe que são vários os fatores que contribuem para a proliferação do problema e até agora não se conseguiu encontrar uma solução para a questão”, discorreu Herbert Targino, acrescentando que as ações policiais e o aparato de repressão não são suficientes para controlar o avanço do entorpecente.

João Paulo Medeiros
Do Jornal da Paraíba
Focando a Notícia

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