Contra guerras e violações sexuais, mulheres se reúnem em encontro na Colômbia

Publicado em terça-feira, agosto 2, 2011 ·

MulheresA 15ª edição do Encontro Internacional de Mulheres de Negro “Corpos e territórios. Sem guerras nem violência” ocorrerá, pela primeira vez, em um país da América Latina, a Colômbia, que vivencia conflito armado há 60 anos. O evento será realizado de 15 a 20 deste mês, em Bogotá.
Promovido pela Rede Internacional de Mulheres de Negro e, nesta edição, junto à organização Rota Pacífica das Mulheres da Colômbia, contará com a participação de 80 ativistas oriundas de Bélgica, Espanha, Estados Unidos, Índia, Israel, Itália, Nepal, Palestina, Sérvia, Tunísia e outros países da América Latina.
As militantes informam que o foco do encontro é dar visibilidade e denunciar à opinião pública as várias formas de violência sofridas pelas mulheres em decorrência da guerra e da militarização. A partir disso, pretendem formular pautas de trabalho com o objetivo de buscar a paz, promover respeito aos direitos das mulheres, mundialmente, e cobrar cumprimento das normas do Direito Internacional Humanitário.
A programação do evento consiste em conferências, oficinas de discussão e plenárias por meio das quais as mulheres irão discutir a oposição a militarização como política de segurança, as perspectivas feministas acerca dos conflitos e das guerras atuais, a violência e opressão sexual e os desafios para as Mulheres de Negro.
Em convocatória ao encontro, a Rede de Mulheres de Negro alerta que “na medida que o conflito interno continue, as violências contra as mulheres no âmbito público e privado se exacerbarão e será impossível proteger, recompor, restituir e reparar integralmente as mulheres vítimas das violências”.
Segundo a organização, 6% do Produto Interno Bruto (PIB) colombiano é gasto pelo governo no conflito que já dura quase seis décadas e 70 mil pessoas morreram nos últimos 20 anos em consequência da guerra, além de deslocamentos forçados, desaparições e recrutamento de entre 8 mil e 13 mil crianças. Frente a isso, defendem uma “solução negociada do conflito armado como um imperativo ético e político”.
A inscrição no 15º Encontro Internacional de Mulheres de Negro pode ser feita no link http://www.encuentromujeresdenegro.org/home.html. Mais informações com a Rota Pacífica das Mulheres da Colômbia, pelos telefones (57+1) 222 91 45 – (57+1) 222 91 46.

Violações

De acordo com relatório publicado em dezembro de 2010 pelas ONGs Oxfam, Casa da Mulher, Sisma Mulher, Coletivo de Advogados José Alvear Restrepo e outras, entre 2001 e 2009 cerca de 489.687 colombianas foram vítimas de violência sexual, o que significa 17,58% da população feminina. A situação é atribuída ao conflito interno, pois os corpos das mulheres são usados como arma de guerra.

94 mil mulheres foram violadas, 50 mil tiveram gravidez ou aborto forçado, 175 mil sofreram assédio sexual, 48 mil foram obrigadas a fazer trabalhos domésticos e homens armados regularam a vida social de 327 mil mulheres.
Em todo o mundo, há aproximadamente 28 conflitos armados, 19 deles com mais de 20 anos de duração. A diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Mulher (Unifem, na sigla em inglês), Noeleen Heyzer, explica como as mulheres se tornam vítimas durante as guerras.
“A violência contra as mulheres é usada como arma para humilhá-las, a suas famílias, seus parceiros, suas comunidades. Sem importar a que bando pertencem, as mulheres se converteram nas grandes vítimas da guerra e nas grandes construtoras da paz”, disse.
Em geral, as mulheres são assassinadas, violadas, engravidadas à força, obrigadas a se prostituir para comprar comida, torturadas, mutiladas e utilizadas como escudos humanos. Em alguns casos, como Iraque e República do Congo, são contagiadas de propósito com o vírus HIV.
Na Palestina, 10% das mulheres tornaram-se viúvas e tiveram de assumir o lar sozinhas, segundo a pesquisadora Soraya Misleh, em entrevista ao site operamundi.com. Bem pior do que isso, as mulheres sofrem muitas ameaças de violência sexual e algumas são obrigadas a dar à luz nos checkpoints (postos de controle da ocupação militar), impedidas de prosseguir caminho até maternidades. De acordo com Soraya, até 2007, a ONU divulgou que 70 gestantes sofreram essa violação. Com isso, 35 bebês e cinco mulheres morreram.


Camila Queiroz
Do Adital
Focando a Notícia

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